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O avanço dos medicamentos injetáveis voltados ao controle do diabetes tipo 2 e à perda de peso tem provocado transformações significativas no corpo — e, cada vez mais, no rosto dos pacientes. Entre médicos e profissionais da área estética, ganhou espaço recentemente a expressão popular “Mounjaro Face”, usada para descrever alterações faciais associadas ao emagrecimento rápido e intenso.
Embora o termo não exista oficialmente na literatura médica, especialistas reconhecem que a perda acelerada de gordura corporal pode afetar de forma relevante a estrutura facial, especialmente em adultos a partir da meia-idade, quando a reserva natural de gordura e colágeno já está reduzida.
Queda estrutural e perda de sustentação
O rosto humano depende de compartimentos profundos de gordura e de ligamentos de sustentação para manter o contorno jovem e harmônico. Quando ocorre emagrecimento rápido, essa gordura não é perdida de maneira seletiva: ela diminui tanto no corpo quanto na face.
O resultado, em alguns pacientes, é uma queda estrutural importante nos chamados vetores B, C e D, responsáveis pela sustentação do terço médio e inferior do rosto. Essas regiões incluem áreas como maçãs do rosto, sulcos nasogenianos, linha da mandíbula e região ao redor da boca.
Com menos volume e suporte, a pele pode aparentar flacidez, sulcos mais profundos e um aspecto de envelhecimento precoce — mesmo em pessoas que alcançaram bons resultados clínicos e metabólicos com o tratamento.
Por que procedimentos simples nem sempre funcionam
Diante dessas mudanças, muitos pacientes buscam soluções estéticas como bioestimuladores de colágeno ou preenchedores. No entanto, profissionais alertam que essas técnicas têm efeito limitado quando a perda é estrutural e profunda, pois não reposicionam tecidos — apenas adicionam estímulo ou volume pontual.
Em quadros mais avançados, o problema não está apenas na pele, mas no deslocamento das estruturas profundas do rosto, algo que procedimentos superficiais não conseguem corrigir de forma duradoura ou natural.
Abordagens mais eficazes em casos avançados
Para pacientes com queda significativa da face após grande perda de peso, especialistas em cirurgia facial defendem abordagens mais profundas e estruturais. Entre elas, destacam-se técnicas de lifting profundo que atuam diretamente nos vetores de sustentação do rosto.
Procedimentos como o VektorLift, por exemplo, têm como objetivo reposicionar os tecidos faciais nos vetores B, C e D, respeitando a anatomia individual e devolvendo sustentação sem exageros. A proposta é restaurar a arquitetura do rosto, e não apenas preencher áreas isoladas.
Avaliação individual é essencial
Nem todo paciente que utiliza medicamentos para emagrecimento desenvolverá alterações faciais importantes. Fatores como idade, genética, velocidade da perda de peso, qualidade da pele e histórico hormonal influenciam diretamente o resultado.
Por isso, médicos reforçam que o acompanhamento multidisciplinar — clínico, nutricional e estético — é fundamental para minimizar impactos indesejados e orientar o melhor momento para intervenções, quando necessárias.
Um novo desafio da medicina do emagrecimento
O fenômeno chamado de “Mounjaro Face” evidencia que o emagrecimento moderno traz novos desafios além da balança. A busca por saúde metabólica precisa caminhar junto com a preservação da qualidade de vida, da autoestima e da harmonia facial.
Mais do que um efeito colateral isolado, o debate abre espaço para uma reflexão maior: emagrecer com saúde também envolve cuidar da estrutura do rosto, especialmente em tratamentos que promovem perdas rápidas e expressivas de peso.
Por Jéssica Porto
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