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O barril de petróleo Brent voltou a romper a barreira dos US$ 100, atingindo o maior patamar em quase dois meses, em meio ao agravamento do conflito militar entre Estados Unidos e Irã e a novos ataques a petroleiros no Mar Vermelho. Nesta sexta-feira, a cotação girava em torno de US$ 100,20, acumulando alta superior a 30% em apenas um mês.
A escalada tem origem no aumento do risco em duas rotas marítimas essenciais para o transporte global de petróleo: o Estreito de Ormuz, no Golfo Pérsico, e o Estreito de Bab el-Mandeb, porta de entrada do Mar Vermelho. Rebeldes houthis do Iêmen reivindicaram ataques a embarcações sauditas, enquanto o confronto entre Washington e Teerã mantém sob ameaça permanente o tráfego por Ormuz — via por onde passa parcela expressiva do petróleo consumido no planeta. O presidente americano chegou a prometer represália militar caso novos ataques a navios se repitam, o que elevou ainda mais o chamado prêmio de risco embutido nos preços da energia.
Analistas de mercado não descartam que o Brent volte a superar os US$ 120, patamar já alcançado em abril deste ano, no auge das tensões na região, antes de recuar para perto de US$ 71 e disparar novamente com a retomada dos confrontos.
Efeito ambíguo sobre a economia brasileira
Para a maioria dos países importadores, o petróleo mais caro significa inflação e pressão sobre as contas externas. O Brasil, no entanto, ocupa hoje posição distinta: transformado pelo pré-sal em grande produtor e exportador líquido da commodity, o país tende a colher ganhos comerciais quando as cotações sobem, ainda que o volume exportado permaneça estável.
A alta nos preços internacionais deve se refletir em maior receita de exportação, aumento da arrecadação via royalties, participações especiais e dividendos da Petrobras, além de ganhos adicionais para estados produtores como Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo. O cenário de instabilidade no Oriente Médio também abre espaço para que compradores asiáticos, em busca de alternativas de fornecimento mais seguras, ampliem as importações de petróleo sul-americano — incluindo o brasileiro.
Por outro lado, o mesmo choque encarece combustíveis, fretes, passagens aéreas e fertilizantes, podendo pressionar a inflação e forçar bancos centrais a manter juros elevados por mais tempo. No caso brasileiro, o resultado final dependerá da política de preços da Petrobras, do câmbio e da capacidade do governo de conter a transmissão da alta internacional aos consumidores.
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