Primeira Turma frustra ditadura que queria levar ao STF caso de filho de ditador

Teodorin Obiang, o vice-presidente da Guiné Equatorial e filho do ditador do país (Foto: Instagram)

Primeira Turma frustra ditadura que queria levar ao STF caso de filho de ditador

Via João Pedroso de Campos

Ministros da Primeira Turma do STF rejeitaram recurso da Guiné Equatorial, cujo vice-presidente, filho do ditador, é réu na Justiça Federal de São Paulo por lavagem de dinheiro

A Primeira Turma do STF rejeitou um recurso da República da Guiné Equatorial, governada por uma ditadura de quase cinco décadas, que tentava levar para a guarda do Supremo um processo criminal da Justiça Federal de São Paulo contra seu vice-presidente, Teodoro Nguema Obiang Mangue. Conhecido como Teodorin, ele é filho de Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, ditador que governa o país africano há 47 anos. Teodorin é réu por lavagem de dinheiro.

Por unanimidade, a Primeira Turma rechaçou a tese da defesa da Guiné Equatorial de que o caso contra Teodorin envolve um litígio internacional entre o país e o Brasil, o que atrairia a competência do Supremo para analisá-lo. A alegação já havia sido rejeitada anteriormente na Corte. Entre os advogados brasileiros autores do pedido estão o ex-secretário nacional de Segurança Mário Sarrubo e Marco Aurélio de Carvalho, aliado do presidente Lula.

Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia e Flávio Dino seguiram o voto do relator, Cristiano Zanin. O ministro entende que o STF não tem competência sobre o caso porque não há qualquer litígio entre a Guiné e o Brasil. Zanin apontou que Teodorin não tem foro privilegiado e que não pertencem ao país africano os bens apreendidos e bloqueados nas investigações, incluindo um apartamento nos Jardins, em São Paulo, e sete carros de luxo.

Por Jornal da República em 09/07/2026
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