Assine nossa newsletter e fique por dentro de tudo que rola na sua região.
Genial/Quaest: Eduardo Paes cai em relação a abril, e Garotinho cresce e empata com Douglas Ruas na disputa pela vaga no segundo turno

Rio de Janeiro, 27 de julho de 2026 — A nova pesquisa Genial/Quaest sobre a sucessão estadual no Rio de Janeiro, divulgada nesta segunda-feira, revela um cenário eleitoral em movimento. Se por um lado o ex-prefeito Eduardo Paes, do PSD, segue na liderança isolada, por outro os números indicam que sua vantagem relativa sofreu um encolhimento em relação ao levantamento anterior do mesmo instituto, realizado em abril. Enquanto isso, Anthony Garotinho, do Republicanos, cresceu e alcançou Douglas Ruas, do PL — os dois estão tecnicamente empatados na segunda posição, com 10% das intenções de voto cada.
O levantamento, que ouviu 1.200 eleitores fluminenses entre os dias 21 e 25 de julho, com margem de erro de três pontos percentuais e nível de confiança de 95%, mostra que a principal indefinição da eleição, neste momento, não é quem lidera a corrida, mas sim quem conseguirá se consolidar como o adversário de Paes em um eventual segundo turno.
Paes recua em relação a abril
Na pesquisa anterior da Genial/Quaest, divulgada em 27 de abril, Eduardo Paes aparecia com 34% das intenções de voto no cenário mais amplo — número que subiu para 38% na atual rodada. O crescimento de quatro pontos percentuais, no entanto, precisa ser lido com cautela. Em abril, Paes era pré-candidato e ainda estava à frente da Prefeitura do Rio. Desde então, ele deixou o cargo, em março, para se desincompatibilizar, e sua candidatura foi oficializada pelo PSD.
Mas o dado que mais chama a atenção dos analistas é a comparação com os cenários de segundo turno. Em abril, Paes vencia Douglas Ruas por 49% a 16%. Agora, a vantagem sobre o deputado estadual do PL é de 52% a 16% — uma oscilação dentro da margem de erro. Já contra Garotinho, o cenário se manteve estável: 48% a 18%, praticamente o mesmo patamar de três meses atrás.
O que muda de forma mais significativa é o cenário de rejeição. Paes tem 40% de rejeição entre os eleitores fluminenses — um número alto para quem lidera a corrida, mas ainda distante dos 62% de Garotinho, que é o candidato com o maior índice de rejeição entre todos os testados. Douglas Ruas, por sua vez, tem apenas 17% de rejeição, o que lhe confere um potencial de crescimento maior ao longo da campanha.
Garotinho cresce e ameaça hegemonia de Douglas Ruas na direita
O dado mais relevante da pesquisa de julho é o crescimento de Anthony Garotinho. Em abril, quando o Republicanos ainda não havia oficializado sua candidatura, o ex-governador aparecia com 8% das intenções de voto. Três meses depois, já com a convenção partidária realizada e a candidatura confirmada no último sábado, dia 25, Garotinho subiu para 10% — um crescimento de dois pontos percentuais que o coloca tecnicamente empatado com Douglas Ruas.
O empate, no entanto, esconde diferenças importantes na composição do eleitorado de cada um. Douglas Ruas concentra seus melhores índices entre eleitores identificados com o bolsonarismo e com a direita não bolsonarista. Seu eleitorado é o mais consolidado entre os três principais candidatos: 61% de seus apoiadores afirmam que o voto já está definido.
Garotinho, por outro lado, mantém desempenho equilibrado em diversos segmentos — com penetração entre evangélicos, eleitores de baixa renda e no interior do estado. Mas seu eleitorado é o menos consolidado: apenas 45% dizem que o voto é definitivo, enquanto 53% admitem a possibilidade de mudança. Isso significa que Garotinho é mais vulnerável a oscilações, mas também tem mais espaço para crescer.
O efeito Garotinho sobre a corrida eleitoral é sutil, mas relevante. Quando o ex-governador está na disputa, ele retira cerca de quatro pontos percentuais de Paes e um ponto de Douglas Ruas. Isso sugere que Garotinho drena votos de um eleitorado moderado e de centro que, na ausência dele, migraria naturalmente para o ex-prefeito do PSD. Sua presença, portanto, impede uma polarização mais direta entre Paes e o campo bolsonarista.
Voto espontâneo expõe fragilidade de todas as candidaturas
Um dos dados mais reveladores da pesquisa é o alto índice de indefinição no voto espontâneo — quando os entrevistados respondem em quem pretendem votar sem receber uma lista de candidatos. Nesse cenário, 84% dos eleitores afirmam ainda não saber em quem votar. Eduardo Paes aparece com 9%, Douglas Ruas soma 3% e Anthony Garotinho registra 1%. Os demais nomes praticamente não pontuam.
Para especialistas em pesquisas eleitorais, o voto espontâneo é o termômetro mais preciso do grau de consolidação das candidaturas junto ao eleitorado. O índice de 84% de indefinição revela que, apesar da vantagem numérica de Paes nas pesquisas estimuladas, a maior parte dos fluminenses ainda não incorporou a disputa ao seu cotidiano político. A eleição, neste momento, não está enquadrada no imaginário do eleitor médio.
Esse dado é particularmente relevante para Garotinho. Com 62% de rejeição, o ex-governador depende de um eleitorado que já o conhece e já formou uma opinião sobre ele — majoritariamente negativa. Seu potencial de crescimento está limitado a quem ainda não decidiu o voto e pode ser convencido por sua campanha. Já Douglas Ruas, com apenas 17% de rejeição, tem um horizonte de expansão muito maior entre os 84% de indecisos.
Segundo turno amplia vantagem de Paes, mas cenários escondem armadilhas
As simulações de segundo turno reforçam a posição confortável de Eduardo Paes, mas também revelam fragilidades que podem ser exploradas pelos adversários. Contra Anthony Garotinho, o ex-prefeito alcança 48% das intenções de voto, enquanto o adversário registra 18%. Outros 11% permanecem indecisos e 23% afirmam que votarão em branco, anularão ou não comparecerão.
No cenário em que enfrenta Douglas Ruas, Paes amplia a diferença e chega a 52%, enquanto o candidato do PL soma 16%. Nesse caso, os indecisos representam 12% e outros 20% dizem optar por branco, nulo ou abstenção.
O que chama a atenção nos dois cenários é o altíssimo índice de brancos, nulos e abstenções — entre 20% e 23%. Isso indica que uma parcela significativa do eleitorado rejeita tanto Paes quanto seus adversários e pode simplesmente não comparecer às urnas em um eventual segundo turno. Para Garotinho, que tem a maior rejeição, esse é um sinal de alerta: seu teto eleitoral pode ser ainda mais baixo do que os 18% registrados.
Aprovação do governo Castro aprofunda crise da direita
A pesquisa também mediu a avaliação do governo de Cláudio Castro, que deixou o cargo em meio a operações da Polícia Federal e desistiu de concorrer ao Senado. Apenas 28% dos fluminenses aprovam a gestão do ex-governador, enquanto 54% desaprovam. Outros 18% não souberam ou não responderam.
O índice de desaprovação de 54% é o pior já registrado por um governador do Rio de Janeiro desde o impeachment de Wilson Witzel, em 2020. Para Douglas Ruas, que é do mesmo partido de Castro — o PL —, o desgaste da gestão estadual é um peso adicional. O deputado estadual tenta se descolar da imagem do ex-governador, mas a associação partidária pode custar votos em um eleitorado que rejeita amplamente a administração anterior.
O fator jurídico e os cenários em aberto
A pesquisa de julho chega em um momento de definições importantes no tabuleiro político fluminense. A candidatura de Anthony Garotinho foi viabilizada por uma decisão liminar do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, que suspendeu os efeitos de uma condenação no âmbito da Operação Chequinho. O caso ainda depende de julgamento definitivo pela Corte.
Qualquer reviravolta jurídica pode redistribuir os 10% do ex-governador — e esses votos não migrariam automaticamente para Paes. Parte significativa pode dispersar-se entre indecisos ou buscar novos nomes, especialmente se a decisão for tomada próximo da eleição, quando o eleitorado de Garotinho, já pouco consolidado, pode migrar para outras candidaturas.
Outro fator que pode reconfigurar a disputa é a ausência de Cláudio Castro no pleito. Sem uma liderança consolidada da direita para o Senado, o campo conservador pode concentrar seus esforços em Douglas Ruas para o governo, o que explicaria a consolidação mais rápida de seu eleitorado.
O que esperar da campanha
A pesquisa de julho representa o marco zero da corrida eleitoral — não o veredito. Três variáveis vão redefinir o cenário nos próximos meses. A primeira é o debate televisivo: Eduardo Paes, apesar de sua vasta experiência como prefeito da capital, nunca foi testado no confronto direto com adversários em uma eleição majoritária estadual. Um desempenho abaixo do esperado pode corroer parte da vantagem.
A segunda variável é a rejeição. Com 40% de rejeição, Paes não é um candidato imune a ataques. Se Garotinho ou Douglas Ruas conseguirem associá-lo ao governo Lula em um estado onde a aprovação do presidente é dividida, parte do eleitorado moderado pode migrar.
A terceira variável é o tempo. Com 84% de indefinição no voto espontâneo, a eleição está em aberto como poucas vezes se viu em uma disputa estadual. Quem conseguir se comunicar melhor com esse eleitorado indeciso pode virar o jogo — e, neste momento, quem tem mais espaço para crescer é justamente quem está empatado na segunda posição.
Senado

Fontes: Pesquisa Genial/Quaest — Registro no TSE: RJ-02671/2026. Realizada entre 21 e 25 de julho de 2026. 1.200 entrevistas. Margem de erro: 3 p.p. Nível de confiança: 95%. | G1 — "Quaest: Eduardo Paes lidera em todos os cenários na disputa no RJ" (27.jul.2026) | UOL — "Genial/Quaest: Paes lidera com folga no Rio; Garotinho e Ruas empatam em 2º" (27.jul.2026) | Folha de S.Paulo — "Genial/Quaest: Paes lidera no Rio com 38%, e Ruas e Garotinho empatam em segundo lugar com 10%" (27.jul.2026) | Gazeta do Povo — "Genial/Quaest: pesquisa para governador do Rio de Janeiro" (27.jul.2026) | O Globo — "Zanin suspende efeitos de condenação de Garotinho e libera candidatura" (28.mar.2026) | G1 — "Cláudio Castro anuncia desistência de candidatura ao Senado" (28.mai.2026)
#EduardoPaes #AnthonyGarotinho #DouglasRuas #GovernoDoRio #PesquisaQuaest #GenialQuaest #Eleições2026 #PSD #Republicanos #PL
Nenhum comentário. Seja o primeiro a comentar!