Rodrigo Candelot: o artista que não para, entre festas, cursos e projetos que desafiam o desemprego criativo

Ator, músico e empreendedor revela bastidores da carreira artística, lança

O inverno que pede vinho e celebração.

Rodrigo Candelot chegou ao Rio Vino com perspectiva que transcende simples degustação. Para ele, o festival representa o momento perfeito de uma cidade que finalmente reconhece que vinho não é privilégio de clima frio europeu, é celebração que o Rio de Janeiro merecia descobrir.

"Vinho é uma coisa que o brasileiro ama. Tem aquela coisa que o brasileiro gosta muito de cerveja porque é um tempo, né? Moramos num país tropical, mas, nessa época do inverno, que o inverno está chegando, esse friozinho, um vinhozinho cai muito bem", afirma Rodrigo em entrevista ao Jornal da República e Última Hora.

A observação é sociológica. O Brasil, país de clima tropical, historicamente associou bebidas alcoólicas a cervejas geladas. A chegada do inverno, ainda que suave na Barra da Tijuca, marca transformação comportamental que Rio Vino capitaliza perfeitamente.

Noite dos Solteiros e Desgarrados: a festa que desafia aplicativos.

Entre goles de vinho, Rodrigo anuncia projeto que sintetiza sua filosofia: a "Noite dos Solteiros e Desgarrados", festa que ele criou há dois anos e que retorna no dia 11 de junho — véspera do Dia dos Namorados.

"Eu criei uma festa chamada Noite dos Solteiros e dos Desgarrados. É uma festa que eu criei há dois anos, chegando nessa época do Dia dos Namorados, para brincar um pouquinho com essa coisa do Dia dos Namorados", explica Rodrigo, articulando proposta que é simultaneamente irreverente e genuína.

A festa não é mero pretexto comercial. É crítica social disfarçada de diversão.

"Eu acho que a festa é muito legal para tentar provocar essa coisa de as pessoas se conhecerem, né? Porque eu acho que é uma forma descontraída, de repente, numa festa, que fica usando aplicativo, sabe? "Eu acho que festas são sempre lugares bacanas para você poder trocar uma ideia com alguém", articula Rodrigo.

A crítica aos aplicativos de relacionamento é velada, mas clara. Em era de swipes e matches, Rodrigo aposta em encontro presencial, aquele que demanda coragem, conversa genuína, risco de rejeição real.

Estrutura da festa: show, DJ e shots da sedução.

A "Noite dos Solteiros e Desgarrados" oferece estrutura que combina entretenimento com oportunidade de conexão. "Vai ter show de uma das minhas bandas, A do Rio; vai ter DJ Cherryo; vai ter shots da sedução para as pessoas tomarem e ficarem apimentadas "Vão ter sorteios de kits eróticos para as mulheres", detalha Rodrigo.

A inclusão de "kits eróticos para as mulheres" marca diferencial importante. Enquanto muitas festas replicam dinâmicas heteronormativas tradicionais, Rodrigo reconhece que mulheres também buscam diversão e celebração de sexualidade.

Local e ingressos: Gávia, Simpla, quinta-feira.

A festa acontece em sobrado na Gávea, bairro tradicional da Zona Sul carioca, na quinta-feira, 11 de junho. Ingressos disponíveis no Sympla, permitindo que interessados se organizem com antecedência.

"Vai ser muito legal num sobrado ali na Gávia nessa quinta-feira. Os ingressos podem ser adquiridos no Simpla antecipado Zona Hora", convida Rodrigo, oferecendo flexibilidade que permite participação de públicos diversos.

Parceria com Cris Baraldo: a promoter que conhece a noite carioca.

Rodrigo não organiza sozinho. Parceria com Cris Baraldo, promoter gaúcha que reside no Rio e mantém perfil "Dicas da Baraldo" com informações sobre festas cariocas, consolida credibilidade do evento.

"A Cris Baraldo é uma promoter maravilhosa, gaúcha, que mora no Rio, e ela tem um site e um Insta chamado Dicas da Baraldo. "A gente é muito amigo, conheceu ela na noite e a gente ficou brother com parceiro e a gente tá fazendo essa festa junto", revela Rodrigo, reconhecendo que sucesso de evento depende de expertise compartilhada.

Novelas verticais: o formato que conquistou o Brasil.

Rodrigo articula a realidade do mercado audiovisual contemporâneo: novelas verticais, conteúdo curto, rápido, otimizado para plataformas de streaming, explodiram em popularidade no Brasil.

"No começo desse ano eu fiz duas novelas verticais, né, que é uma coisa que tá ficando muito na moda aqui no Brasil, as novelas verticais, os conteúdos, né, que são conteúdos curtos, rápidos, né, cada episódio é um minuto, 1 minuto e meio, 2 minutos", explica Rodrigo.

"Nós Vamos Amar Novamente" e "Você Pertence a Mim".

Rodrigo apresenta dois títulos que, segundo ele, "parecem aquela coisa de rádio-novela de antigamente". "Nós Vamos Amar Novamente" e "Você Pertence a Mim" estão disponíveis na plataforma Real Short, serviço de streaming especializado em conteúdo vertical.

A escolha de títulos que remetem a radionovelas é deliberada. Rodrigo reconhece que formato vertical não é inovação, é ressurreição de formato clássico adaptado para tecnologia contemporânea.

Filme sobre racismo no futebol: projeto que aguarda lançamento.

Entre projetos que pode divulgar e aqueles que ainda estão sob sigilo, Rodrigo menciona filme recente que aborda tema urgente: racismo no futebol.

"Fiz um filme recentemente e ainda não podemos divulgar. Ele tem temática sobre o racismo no futebol, né? É a única coisa que eu posso falar.

Um filme muito bacana que vai discutir bastante essa questão aí do racismo na sociedade e através do futebol", revela Rodrigo, respeitando embargo de divulgação enquanto sinaliza importância do projeto.

O diretor Jeferson, segundo Rodrigo, "pegou o tema racismo e está trabalhando isso no futebol". Lançamento previsto para após a Copa do Mundo, timing estratégico que aproveita momento de visibilidade do futebol.

Desemprego criativo: o ócio que produz

Rodrigo articula conceito que diferencia artistas de profissionais tradicionais: o desemprego não é inatividade, é oportunidade de criação.

"Nós, artistas, nós temos uma coisa muito curiosa, né? A gente tem os momentos em que a gente está trabalhando, os momentos em que a gente não está trabalhando.

A Fernanda Montin costuma falar isso, que o ator está empregado, desempregado toda hora", menciona Rodrigo, citando atriz que compreende dinâmica da profissão.

O ócio criativo: conceito que Rodrigo não consegue nomear.

Rodrigo tenta articular conceito que conhece, mas não consegue nomear com precisão: "Tem um autor que fala sobre isso, o Soo criativo, que é um momento em que você aparentemente não está fazendo nada, você está, né, eh, ou desempregado ou você está só estudando, mas é um momento em que você aproveita para pensar em alternativas, em projetos".

O conceito que Rodrigo busca é provavelmente "ócio criativo" — termo cunhado por Domenico De Masi para descrever tempo não-produtivo que gera criatividade. Rodrigo, mesmo sem nomear com precisão, compreende filosofia: desemprego é oportunidade.

Curso de comédia: humor como ferramenta de interpretação.

Rodrigo retorna ao ensino — atividade que pratica desde o início de carreira. Novo curso de interpretação focado em comédia começa na terça-feira (data exata não especificada, mas "na outra terça-feira") na CIA — Centro de Investigação Artística.

"Vou dar um curso de interpretação sobre a comédia, a comédia no audiovisual, que começa nessa terça-feira ou não, na outra terça-feira na CIA, Centro de Investigação Artística. "Só de comédia", anuncia Rodrigo.

Textos de "Os Normais": referência que une gerações.

O curso utiliza textos da série "Os Normais" — produção que marcou geração de apreciadores de comédia brasileira. "Vou pegar os textos daquela série Os Normais. Lembra dos Normais? Lembro sim.

"Luiz Fernando Guimarães e a Fernandinha Torres", menciona Rodrigo, evocando série que consolidou Luiz Fernando Guimarães como ícone de comédia.

A escolha de "Os Normais" não é casual. Série oferecia humor sofisticado que funcionava em múltiplos níveis — acessível para público geral, mas com camadas que recompensavam apreciadores atentos.

Metodologia: humor como porta de entrada para interpretação.

"Eu sou um ator que gosta muito de trabalhar o humor. Eu acho que o humor está presente em tudo, né? "E aí eu aproveito a partir do humor para trabalhar a interpretação", explica Rodrigo, articulando pedagogia que usa comédia como ferramenta de aprendizado técnico.

Por Robson Talber @robsontalber 

Repórter Renata Barbosa @beleza.naotemidade

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Por Jornal da República em 07/06/2026
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