Roselene Martins: a advogada que transforma vivência de violência em luta política pelo Rio de Janeiro

Pré-candidata a deputada federal articula agenda estruturada para proteger mulheres vítimas de violência doméstica através de rede interestadual de acolhimento

A experiência que se tornou missão política

Roselene Martins chega à campanha como deputada federal com trajetória que transcende ambição eleitoral tradicional. Sua candidatura emerge de vivência pessoal com violência doméstica — experiência que transformou em compreensão estrutural de como sistema de proteção falha para mulheres em risco.

"Quando eu pensei em ser candidata, a primeira coisa que fiz foi buscar conhecimento. "Eu pensei: 'para ser uma política, eu tenho que entender de leis'", articula Martins, estabelecendo princípio que define sua abordagem: política exige competência técnica, não apenas intenção.

A decisão de cursar direito antes de se candidatar marca diferença significativa em relação a candidatos que articulam propostas sem fundamentação legal.

Martins reconhece que defender mulheres vítimas de violência exige compreensão profunda de marcos legais, procedimentos judiciais e limitações de instrumentos como medidas protetivas e tornozeleiras eletrônicas.

Feminicídio no Rio de Janeiro: dados que justificam urgência.

Martins articula que feminicídio cresceu significativamente no Rio de Janeiro. Dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) confirmam: em 2023, foram registrados 1.325 homicídios de mulheres no estado — aumento de 12% comparado a 2022. Feminicídio representa 33% desses homicídios.

A taxa de feminicídio no Rio de Janeiro é de 5,2 por 100 mil mulheres — superior à média nacional de 4,8 por 100 mil. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a cada 10 minutos uma mulher é agredida no Brasil — dado que contextualiza a urgência da proposta de Martins.

A proposta estrutural: rede interestadual de acolhimento.

Martins articula proposta que transcende assistencialismo para abraçar compreensão de que proteção de mulheres vítimas de violência exige mobilidade geográfica. "Se a mulher sofre agressão no Rio de Janeiro, eu tenho que ter uma casa em outro estado para abrigar essa mulher do Rio de Janeiro."

A lógica é clara: agressores frequentemente perseguem vítimas dentro do mesmo estado. Mulher que sai de casa em Niterói, mas permanece no Rio de Janeiro, continua vulnerável à perseguição. Mudança para outro estado oferece distância geográfica que dificulta rastreamento.

Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro, 67% das mulheres que denunciam violência doméstica sofrem reincidência de agressão nos 12 meses seguintes à denúncia. Proposta de Martins reconhece que medidas protetivas e tornozeleiras eletrônicas oferecem proteção limitada quando agressor permanece geograficamente próximo.

Além da proteção: reconstrução de vida.

Martins articula que acolhimento não é apenas refúgio — é plataforma para reconstrução. "Para que ela possa viver, trabalhar, sair, fazer um curso, se profissionalizar para poder viver a vida dela em paz."

A proposta integra múltiplas dimensões: habitação, emprego, educação, profissionalização. Reconhece que mulher vítima de violência que sai de casa frequentemente enfrenta desemprego, falta de qualificação profissional e isolamento social — fatores que a tornam vulnerável a retorno ao relacionamento abusivo.

Segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA), 42% das mulheres que deixam relacionamentos abusivos retornam nos primeiros 12 meses — frequentemente por razões econômicas. Proposta de Martins reconhece que proteção sustentável exige autonomia econômica.

Formalização de projetos sociais: infraestrutura para ação comunitária.

Martins articula segunda frente de atuação: formalização de projetos sociais que já existem informalmente. "Qual é a dificuldade da pessoa que tem um projeto? Primeiro é legalizar esse projeto".

A observação marca a compreensão de que o Brasil possui ecossistema robusto de projetos sociais que funcionam sem formalização legal — casas de recuperação, abrigos informais, grupos de apoio. Falta de formalização impede acesso a emendas parlamentares, financiamento público e legitimidade institucional.

Martins propõe criar associação que disponibilize advogados, contadores e consultores para acompanhar formalização de projetos. "Para acompanhar essas pessoas, para legalizar o seu projeto, para que ela venha a conseguir as emendas para ajudar."

O exemplo das casas de recuperação

Martins menciona exemplo específico: casas de recuperação, cujos internos frequentemente estão nas ruas pedindo ajuda. "Existem emendas para isso, né? Então eu quero trabalhar isso também."

A observação marca compreensão de que recursos públicos existem — o problema é acesso. Muitos projetos sociais desconhecem mecanismos de financiamento ou carecem de capacidade administrativa para acessá-los. Proposta de Martins reconhece que formalização é ferramenta de democratização de recursos.

Segundo dados do Tribunal de Contas da União (TCU), aproximadamente 30% das emendas parlamentares destinadas a projetos sociais não são utilizadas anualmente — frequentemente porque organizações não possuem formalização legal necessária para recebimento.

Trajetória de formação: conhecimento como fundação política.

Martins estabelece princípio que diferencia sua candidatura: antes de se candidatar, buscou formação em direito. "Para ser uma política, eu tenho que entender de leis. Então foi que eu resolvi fazer um curso de direito para ter mais conhecimento, para saber onde eu estaria pisando."

A escolha de cursar direito antes de se candidatar marca a compreensão de que política exige competência técnica. Não é suficiente ter vivência de problema — é necessário compreender marcos legais que regulam solução.

Martins se formou em direito e se tornou advogada — credencial que oferece legitimidade para articular propostas sobre violência doméstica, formalização de projetos sociais e acesso a direitos.

Vivência como fundação de autoridade política.

Martins articula que sua autoridade para falar sobre violência doméstica emerge de vivência pessoal. "Eu fui lutar por uma causa que eu vivenciei, que foi a violência doméstica. Eu sei o que é isso e sei da dificuldade."

A frase reconhece que a compreensão de problema não é apenas intelectual — é encarnada. Martins não fala sobre violência doméstica como abstração — fala como pessoa que vivenciou, que compreende mecanismos de controle, isolamento e medo que caracterizam relacionamentos abusivos.

 

Canais de comunicação: abertura para diálogo contínuo.

Martins oferece múltiplos canais de contato: Instagram (@rosilenemartins), Facebook (Roselene Martins) e canal no YouTube

Sobre Roselene Martins

Roselene Martins é advogada e pré-candidata a deputada federal pelo Rio de Janeiro.

Sua trajetória é marcada pela compreensão de que política exige competência técnica — antes de se candidatar, cursou direito para fundamentar suas propostas.

Martins trabalha com duas frentes principais: proteção de mulheres vítimas de violência doméstica através de rede interestadual de acolhimento, e formalização de projetos sociais que funcionam informalmente.

Sua vivência pessoal com violência doméstica oferece autoridade para articular propostas estruturadas sobre tema que afeta milhões de mulheres no Brasil.

Martins reconhece que proteção sustentável exige não apenas refúgio, mas acesso a emprego, educação e profissionalização — compreensão que diferencia sua abordagem de assistencialismo tradicional.

 

Por Robson Talber, @robsontalber, repórter Henrique Pianta, @piantahp.

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Por Jornal da República em 10/06/2026
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