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Enquanto muita gente ainda briga com a conta que vem “no susto”, lá em São Paulo a água começa a entrar na era digital. A Sabesp anunciou a instalação de hidrômetros inteligentes para medir o consumo em tempo real, acabar com a cobrança por média e dar mais transparência na conta.
Traduzindo no popular: se você gastou 10, paga 10. Se gastou 5, paga 5. Sem chute, sem “estimativa artística”, sem surpresa no fim do mês.
Agora vamos falar do nosso quintal.
No Rio e Grande Rio, o povo conhece bem a tal da cobrança por média. A água não cai na torneira, mas a conta cai na caixa do correio. Tem bairro na Baixada que passa mais tempo esperando a água do que usando. Falta abastecimento, falta pressão, falta regularidade. O que não falta é boleto.
É quase poesia urbana: tem hidrômetro, mas não tem água. E mesmo assim a conta chega pontual, firme, forte e corrigida.
Enquanto isso, na capital, a situação é diferente. A cidade do Rio ainda tem o “privilégio” de não sofrer tanto com desabastecimento constante como muitos municípios da Baixada Fluminense. É um contraste que o morador percebe na prática, na rotina, no balde e na caixa d’água.
Com hidrômetro inteligente, como o modelo implantado pela Sabesp, a conversa muda. O aparelho envia os dados automaticamente, detecta vazamentos, evita erro de leitura e reduz aquela velha desculpa da média. Transparência vira regra, não exceção.
Agora imagina isso funcionando por aqui.
Imagina a conta vindo exatamente pelo que foi consumido. Imagina não pagar por água que não chegou. Imagina poder acompanhar o consumo pelo celular. Parece coisa de outro mundo? Em São Paulo já está virando realidade.
E aí entra a comparação inevitável.
De um lado, a modernização, tecnologia e medição em tempo real.
Do outro, moradores reclamando de conta cheia e torneira seca.
Se um sistema inteligente desses fosse implantado de verdade no Rio, muita conta teria que ser revista. E aí fica a ironia: será que algumas concessionárias aguentariam viver só do que realmente foi consumido?
Porque quando a medição é exata, acaba a margem da “média criativa”.
No fim das contas, o hidrômetro inteligente não é luxo. É justiça. É respeito ao consumidor. É modernidade básica. É economia de água e também de paciência.
Fica a pergunta que ecoa na Baixada, no Grande Rio e nos prédios da capital:
Se dá para fazer em São Paulo, por que aqui ainda é tão difícil?
O povo não quer milagre. Quer água na torneira e conta justa na mesa.
Simples assim.
Por: Jornalista Arinos Monge.
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