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Pesquisa Quaest divulgada nesta terça-feira (25) mostra a ex-governadora Benedita da Silva (PT) com 10% das intenções de voto, seguida por Carlos Jordy (PL), com 7%, e Marcelo Crivella (Republicanos), com 6%. Com margem de erro de três pontos, a briga pelas duas vagas fluminenses segue completamente em aberto.
A liderança de Benedita
A disputa pelas duas vagas ao Senado pelo Rio de Janeiro tem um nome à frente: Benedita da Silva (PT), com 10% das intenções de voto. O levantamento, encomendado pela TV Globo, ouviu 1.302 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 21 e 24 de agosto, com margem de erro de três pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Apesar da liderança numérica, a petista não tem folga. Na sequência aparecem Carlos Jordy (PL), com 7%, e Marcelo Crivella (Republicanos), com 6% — todos dentro da margem de erro, o que configura um empate técnico entre os três primeiros colocados.
Uma disputa em empate técnico
A pesquisa, registrada no TSE sob o número RJ-08748/2026, é a primeira da Quaest após o início da campanha oficial. E ela revela um cenário fragmentado, no qual a vantagem de Benedita é mais simbólica do que consolidada.
Atrás do trio de frente aparecem Monica Benicio (PSOL) e Carlos Portinho (PL), ambos com 5%; Pedro Paulo (PSD), com 3%; e Waguinho (Republicanos), com 2%. Os demais candidatos somam 1% ou não pontuaram, em uma corrida que ainda não encontrou seus protagonistas definitivos.
A regra das duas vagas
A eleição de 2026 tem uma particularidade que muda a estratégia dos candidatos: cada estado e o Distrito Federal vão eleger dois senadores, renovando 54 das 81 cadeiras da Casa. Por isso, cada eleitor precisa votar em dois candidatos diferentes — não é possível escolher o mesmo nome nas duas vagas, sob pena de anulação do segundo voto.
Esse formato explica por que os números de "votos totais" consideram as menções às duas vagas, mantendo a proporção entre candidatos, indecisos e votos brancos ou nulos. Na prática, a disputa se desdobra em duas frentes simultâneas.
O voto dividido em duas frentes
Os dados revelam comportamentos distintos entre o primeiro e o segundo voto. Na primeira vaga, Benedita dispara com 16%, seguida por Jordy e Crivella, ambos com 9%. Já na segunda vaga, o cenário se inverte: Monica Benicio lidera com 7%, seguida de Portinho, com 6%, e de Benedita, Jordy e Crivella, todos com 5% ou 4%.
O padrão indica que o eleitor fluminense tende a combinar nomes diferentes entre as duas escolhas, distribuindo votos entre candidatos de perfis variados. É um cenário que favorece candidatos com menor rejeição e maior potencial de crescimento na reta final.
O peso dos indecisos
O dado mais chamativo da pesquisa, porém, está fora das listas de candidatos. Na pesquisa espontânea — em que os nomes não são apresentados —, 88% dos eleitores não souberam citar nenhum candidato ao Senado. Na modalidade estimulada, 29% seguem indecisos e 28% afirmam que votarão em branco, nulo ou não comparecerão às urnas.
O volume de indecisos e de votos anulados é histórico nesse tipo de disputa. Na última eleição em que duas vagas estavam em jogo, milhões de votos para o cargo ficaram em branco ou foram anulados no Rio — um lembrete de que a corrida ao Senado ainda pode mudar de figura a qualquer momento.
Conhecimento e rejeição
A pesquisa também mediu o quanto cada candidato é conhecido e rejeitado. Benedita tem o maior índice de conhecimento, com 77%, mas também carrega alta rejeição, de 50% — ainda que seu potencial de voto, de 27%, seja o maior entre todos. Crivella, por sua vez, é o mais conhecido, com 87%, mas lidera a rejeição, com 65%.
Em contrapartida, nomes menos conhecidos aparecem com menor rejeição: Monica Benicio tem 30% de conhecimento e apenas 12% de rejeição, enquanto Carlos Jordy registra 30% de conhecimento e 13% de rejeição. O equilíbrio entre potencial de crescimento e resistência do eleitorado será decisivo nas próximas semanas.
O cenário em aberto
Com a margem de erro de três pontos, praticamente todos os principais candidatos estão tecnicamente empatados, e o enorme contingente de indecisos mantém a disputa completamente aberta a menos de dois meses do pleito. A liderança de Benedita, embora real, é frágil — e a segunda vaga segue como a grande incógnita da eleição fluminense.
O desafio dos candidatos, agora, é converter o alto índice de indecisos em votos concretos e reduzir a rejeição, em uma corrida que promete ser decidida nos detalhes.
Quem é Benedita da Silva
Benedita Sousa da Silva Sampaio é uma das figuras mais emblemáticas da política brasileira. Nascida em 26 de abril de 1942, no Rio de Janeiro, foi criada na favela do Chapéu-Mangueira, no Leme, filha de uma lavadeira e de um pedreiro — origem que marcou toda a sua trajetória. Participou da fundação do Partido dos Trabalhadores e, em 1982, elegeu-se vereadora com o slogan que virou símbolo de sua luta: "negra, mulher e favelada".
Sua carreira é uma sucessão de pioneirismos. Foi eleita senadora em 1994 com mais de 2,2 milhões de votos, tornou-se vice-governadora do Rio em 1998 e, em 2002, assumiu o governo do estado — a primeira mulher negra a governar um estado brasileiro. Foi ainda ministra da Assistência e Promoção Social no primeiro governo Lula e, em 2025, recebeu o título de doutora honoris causa pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Deputada federal e pré-candidata ao Senado, Benedita segue como referência na luta contra as desigualdades raciais, de gênero e sociais.
Quaest — Senado no RJ | Pesquisa espontânea
A pesquisa foi contratada pela TV Globo. A Quaest ouviu 1.302 pessoas de 16 anos ou mais entre os dias sexta-feira (21) e segunda-feira (24) de agosto. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O número de registro no TSE é RJ-08748/2026.
Com informações do portal “g1”.
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