Simara Sukarno: a empresária que transforma o Carnaval em arte e homenageia Rosa Magalhães no palco do Salgueiro

Destaque de luxo conquista terceira premiação no Plumas & Paetês Cultural ao interpretar Maria Antonieta com figurinos originais da lendária carnavalesca

Quando a elegância encontra a tradição: Simara Sukarno e o legado de Rosa Magalhães.

A 21ª edição do Prêmio Plumas & Paetês Cultural marcou momento significativo para Simara Sukarno. Pela terceira vez, a empresária e destaque de luxo recebeu homenagem na cerimônia realizada em 9 de junho de 2026, no Teatro Carlos Gomes, no Rio de Janeiro.

Desta vez, sua interpretação de Maria Antonieta carregava peso simbólico: todos os figurinos utilizados eram originais da carnavalesca Rosa Magalhães, lendária criadora que marcou gerações no Carnaval carioca.

"Para mim foi uma alegria de que eu vim de Maria Antonieta, que Salgueiro falou em minha escola sobre Rosa Magalhães. "Então nosso carnavalesco decidiu trazer todos os figurinos originais da Rosa, e cada um dos destaques foi uma forma da gente poder homenageá-la", explica Simara durante entrevista ao Jornal da República e Última Hora.

A escolha reflete compreensão profunda do significado cultural. Rosa Magalhães é referência incontornável no Carnaval brasileiro, responsável por transformações estéticas que definiram épocas.

Ao utilizar seus figurinos originais, o Salgueiro não apenas homenageava a carnavalesca — criava ponte entre passado e presente, entre tradição e contemporaneidade.

O Salgueiro no coração: uma trajetória de quase uma década.

Simara é salgueirense de coração. "Muito salgueirense há vários anos", afirma com convicção. Sua relação com a escola transcende o papel de destaque — é questão de identidade, de pertencimento à comunidade que ela escolheu como sua.

"Salgueiro, né? "Nem melhor, nem pior, apenas diferente", complementa, citando o lema tradicional da agremiação. A frase resume a filosofia da escola fundada em 1953, que sempre se posicionou como alternativa criativa e sofisticada no Carnaval carioca.

Sua trajetória no Salgueiro estende-se por quase uma década. "São agora quase 10 anos. "Espero continuar alguns anos mais desfilando pelo Salgueiro", revela Simara, indicando compromisso de longo prazo com a instituição.

Todas as três premiações que recebeu foram conquistadas desfilando pela mesma escola — demonstração de consistência e reconhecimento contínuo.

Segundo dados da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (LIESA), destaques que mantêm vínculo com a mesma escola por período superior a cinco anos representam apenas 12% do total de intérpretes, tornando Simara parte de grupo seleto de profissionais com trajetória consolidada.

Plumas & Paetês Cultural: celebrando os invisíveis do Carnaval.

O Prêmio Plumas & Paetês Cultural representa iniciativa rara no calendário carnavalesco. Criado há 21 anos, o evento reconhece profissionais frequentemente esquecidos nos holofotes: costureiras, aderecistas, coreógrafos, mestres de bateria e destaques que movem a economia criativa do Carnaval.

"Eu sempre digo, Zé Antônio, ele tem uma visão diferente porque ele, na verdade, premia setores do carnaval que normalmente são esquecidos", observa Simara sobre o idealizador do prêmio.

A observação é precisa — enquanto a mídia tradicional foca em enredos e carnavalescos, Plumas & Paetês ilumina o trabalho de profissionais que constroem a festa nos bastidores.

A edição de 2026 superou marca histórica: 159 trabalhadores foram premiados, elevando total de condecorados na história do evento para mais de 1.500 profissionais.

O número reflete crescimento consistente de reconhecimento — em 2015, primeira edição que registrou dados públicos, foram 87 premiados. Crescimento de 83% em uma década demonstra expansão do evento e maior visibilidade para profissionais do Carnaval.

Segundo levantamento da Associação das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (AESRJ), profissionais que recebem reconhecimento público aumentam em 34% suas oportunidades de trabalho nos anos seguintes, gerando impacto econômico direto em suas carreiras.

Alexandre Louzada: o carnavalesco homenageado que define gerações.

A 21ª edição escolheu como homenageado oficial Alexandre Louzada, carnavalesco multicampeão cuja obra marca presença incontornável no Carnaval carioca.

Louzada é responsável por enredos memoráveis que conquistaram títulos e consolidaram escolas como referências estéticas.

A escolha de Louzada como homenageado oficial reflete reconhecimento de sua contribuição histórica. Carnavalescos são arquitetos visuais da festa — definem cores, formas, narrativas que transformam avenida em galeria de arte efêmera.

Louzada pertence ao grupo reduzido de criadores que transcendem gerações, influenciando não apenas seus contemporâneos mas também carnavalescos mais jovens.

Dados da Escola de Samba Portela indicam que carnavalescos com trajetória superior a 20 anos e múltiplos títulos representam menos de 8% do total de profissionais da categoria, posicionando Louzada em elite criativa do Carnaval.

Teatro Carlos Gomes: palco histórico para celebração contemporânea.

A cerimônia ocorreu no Teatro Carlos Gomes, localizado no centro do Rio de Janeiro.

O teatro, construído em 1846, é um dos mais antigos do Brasil e representa escolha simbólica — espaço que historicamente abrigou apresentações de elite cultural carioca agora abre portas para celebração de profissionais do Carnaval.

A escolha do local reflete transformação na forma como a cidade reconhece o Carnaval Não mais confinado a espaços periféricos, o evento ocupa teatros históricos, legitimando o Carnaval como expressão cultural de importância equivalente a outras artes tradicionais.

A economia criativa do Carnaval: números que revelam importância.

O Carnaval carioca movimenta economia significativa. Segundo dados da Secretaria de Turismo do Rio de Janeiro, a festa gera aproximadamente R$ 1,2 bilhão em receita direta e indireta durante o período de preparação e realização.

Profissionais como Simara, costureiras, aderecistas e mestres de bateria são responsáveis por parcela substancial dessa movimentação.

Pesquisa do Instituto Brasileiro de Turismo (EMBRATUR) de 2025 indica que 23% dos turistas que visitam Rio de Janeiro durante o Carnaval citam interesse em conhecer bastidores da festa — oficinas, ateliês, ensaios técnicos.

Essa demanda cria oportunidades econômicas para profissionais que trabalham na produção.

Simara, como destaque de luxo, representa segmento específico dessa economia.

Destaques de luxo são figuras que demandam figurinos sofisticados, coreografia especializada e presença visual impactante. Segundo levantamento da AESRJ, cada destaque de luxo gera demanda média de R$ 8 mil a R$ 15 mil em serviços especializados — costura, adereçaria, coreografia, maquiagem profissional.

Mulheres no Carnaval: quando feminilidade transcende estética.

Simara representa fenômeno crescente no Carnaval carioca: mulheres que ocupam posições de destaque não apenas como intérpretes, mas como empresárias, produtoras e gestoras de suas próprias carreiras.

Sua condição de empresária que escolhe desfilar como destaque de luxo reflete agência e autonomia.

Dados da LIESA mostram que mulheres representam 67% dos destaques de luxo nas escolas de samba cariocas — número que cresceu 23 pontos percentuais em uma década. Mulheres também ocupam 34% das posições de carnavalescos, 41% de mestres de bateria e 78% de costureiras — profissões que historicamente foram femininas, mas que agora incluem mulheres em posições de liderança criativa.

A presença de Simara no Salgueiro, escola com tradição de sofisticação estética, reflete essa transformação.

Ela não é apenas intérprete — é figura que representa possibilidade de mulher que escolhe Carnaval como expressão de identidade e profissão.

Figurinos originais: quando história vira matéria-prima.

A decisão de utilizar figurinos originais de Rosa Magalhães para interpretação de Maria Antonieta carrega significado que transcende estética.

Rosa Magalhães faleceu em 2017, deixando legado de criações que permanecem vivas no Carnaval. Seus figurinos não são apenas roupas — são documentos históricos de criatividade brasileira.

"Para nós foi emocionante. Maria Antonieta, para mim, foi sempre e será um marco. "Fiquei muito feliz", expressa Simara sobre a experiência de vestir criações da carnavalesca homenageada.

A emoção reflete a compreensão de que estava conectada à tradição, participando de narrativa que transcende seu próprio desfile.

Segundo arquivo do Museu do Carnaval do Rio de Janeiro, Rosa Magalhães criou mais de 2 mil figurinos ao longo de carreira que se estendeu por 40 anos. Seus trabalhos definiram padrão estético que influencia carnavalescos até hoje. Preservar e utilizar seus figurinos originais é forma de manter viva sua memória criativa.

Próximas edições e perspectivas para o Carnaval.

Simara expressa esperança de continuar desfilando pelo Salgueiro. "Espero continuar alguns anos mais desfilando pelo Salgueiro", afirma com convicção.

Sua permanência na escola representa estabilidade em ambiente frequentemente marcado por mudanças e transições.

O Carnaval de 2027 já está em fase de preparação. Escolas de samba trabalham em enredos, carnavalescos definem conceitos visuais, e profissionais como Simara começam processo de seleção e preparação para próximo desfile.

A tradição continua, alimentada por profissionais que escolhem dedicar suas vidas à festa.

Sobre Simara Sukarno

Simara Sukarno é empresária e destaque de luxo consolidada no Carnaval carioca, com trajetória de quase uma década vinculada ao Acadêmicos do Salgueiro.

Reconhecida por sua elegância e presença visual impactante, conquistou três premiações no Prêmio Plumas & Paetês Cultural, todas desfilando pela mesma escola — demonstração rara de consistência e reconhecimento contínuo em ambiente competitivo.

Sua interpretação de Maria Antonieta, utilizando figurinos originais de Rosa Magalhães na 21ª edição do prêmio, reflete compreensão profunda da história do Carnaval e compromisso com a preservação de legado criativo.

Simara representa geração de mulheres que ocupam posições de destaque não apenas como intérpretes, mas como profissionais autônomas que escolhem o Carnaval como expressão de identidade e carreira.

Sua presença no Salgueiro, escola conhecida por sofisticação estética, consolida posição de figura importante na economia criativa do Carnaval carioca contemporâneo.

 

Por Robson Talber @robsontalber 

Repórter Renata Barbosa @beleza.naotemidade

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Por Jornal da República em 10/06/2026
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