Trânsito é espaço coletivo: respeito e segurança devem prevalecer para motoristas e motociclistas

Presidente da CDL, Waltenis Alves de Oliveira, defende fim da disputa 'carros contra motos' e lembra que o corredor não é salvo-conduto para imprudência, mas também não é, por si só, infração

Trânsito é espaço coletivo: respeito e segurança devem prevalecer para motoristas e motociclistas

O trânsito é um espaço coletivo, no qual todos têm direitos, deveres e, principalmente, responsabilidades. Essa é a mensagem central do artigo do presidente da CDL – Câmara de Dirigentes Lojistas, Waltenis Alves de Oliveira, que também preside o Rotary Club de Águas Lindas de Goiás no biênio 2026/2027.

O texto convida motoristas e motociclistas a uma reflexão sobre o respeito mútuo nas vias.

A provocação de Waltenis é direta: talvez esteja na hora de alguns condutores fazerem uma reciclagem das aulas de trânsito. Não como crítica aos motoristas ou motociclistas em geral, mas como um lembrete de que a convivência nas ruas exige responsabilidade de todos os envolvidos.

A hierarquia de responsabilidade no CTB

O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) estabelece uma hierarquia clara de responsabilidade: respeitadas as demais normas de circulação, os veículos de maior porte são responsáveis pela segurança dos veículos menores. Da mesma forma, os veículos motorizados devem zelar pela segurança dos não motorizados, e todos devem proteger os pedestres.

Essa hierarquia, no entanto, não significa que motociclistas tenham autorização para desrespeitar as regras. Significa, simplesmente, que todos devem agir com responsabilidade e respeito uns pelos outros. O CTB, instituído pela Lei nº 9.503, de 23 de setembro de 1997, é o marco legal que rege essa convivência.

O que diz a lei sobre o corredor?

Existe muita desinformação sobre o chamado "corredor" das motocicletas. No Brasil, a circulação de motos entre veículos de faixas adjacentes não é, por si só, proibida pelo CTB. A legislação estabelece condições de segurança para essa passagem, especialmente quanto à velocidade compatível e à atenção necessária para evitar acidentes.

O artigo 56, que criaria a proibição do corredor, foi vetado em 1997. O que não é proibido é permitido. Portanto, não é correto afirmar simplesmente que "andar no corredor é infração". Por outro lado, também não é correto interpretar isso como autorização para o motociclista trafegar de qualquer maneira, em alta velocidade ou realizando manobras perigosas.

O corredor não é salvo-conduto.

Waltenis é enfático: "Corredor não é salvo-conduto para imprudência." A permissão legal não autoriza o motociclista a agir de forma irresponsável. Da mesma forma, motoristas de automóveis devem redobrar a atenção antes de mudar de faixa, fazer conversões ou realizar qualquer manobra que possa atingir uma motocicleta.

A convivência no trânsito exige que cada condutor conheça seus limites e respeite o espaço do outro. O motociclista que trafega no corredor deve fazê-lo com velocidade compatível e atenção redobrada, enquanto o motorista deve sinalizar suas manobras e manter distância segura.

A buzina como instrumento de segurança

O CTB permite o uso da buzina, de forma breve, como advertência para prevenir acidentes e alertar os demais usuários da via. Portanto, quando utilizada corretamente, a buzina é um instrumento de comunicação e segurança, e não necessariamente uma demonstração de agressividade.

Waltenis critica o uso excessivo e descontrolado da buzina, que gera incômodo, além de atitudes como chutar retrovisor e apontar o dedo para motoristas. Essas condutas agressivas não contribuem para a segurança e transformam o trânsito em um ambiente hostil.

O fim da generalização injusta

Waltenis combate uma generalização injusta: não existem apenas "motociclistas folgados" ou apenas "motoristas folgados". Há condutores responsáveis e irresponsáveis em todos os tipos de veículos. Há motociclistas que cometem imprudências, motoristas que cometem imprudências, e também caminhoneiros, ciclistas e pedestres que podem agir de maneira inadequada.

Transformar o debate em uma disputa entre "carros contra motos" não ajuda em nada. O que precisamos é de educação, fiscalização, respeito e responsabilidade. Essa visão equilibrada é o coração da mensagem do presidente da CDL.

O motociclista que trabalha

É importante lembrar que milhares de motociclistas utilizam suas motos diariamente para trabalhar, fazer entregas, prestar serviços, deslocar-se até o emprego e, principalmente, levar o sustento para suas famílias. Eles não estão nas ruas para disputar espaço ou provocar conflitos.

Assim como o motorista de um carro, o motociclista quer chegar ao seu destino com segurança e voltar para casa. Essa perspectiva humana é fundamental para entender a importância do respeito mútuo no trânsito, que envolve vidas, sustento e famílias.

As regras no mundo

Waltenis esclarece que as regras não são iguais em todo o mundo. O chamado lane splitting, ou circulação entre faixas, é permitido, regulamentado ou restringido de maneiras diferentes conforme o país e, em alguns casos, conforme o estado ou província.

Portanto, não se pode usar a legislação de outro país para afirmar automaticamente que determinada conduta é permitida ou proibida no Brasil. Aqui, devemos observar o Código de Trânsito Brasileiro e as normas brasileiras vigentes.

Os dados que reforçam a urgência

A mensagem de Waltenis ganha ainda mais relevância diante dos dados sobre acidentes. Em São Paulo, os acidentes com motos correspondiam a 30% das mortes registradas em 2025, saltando para 47% em 2026, indicando que quase metade das mortes no trânsito envolvem motocicletas. O Atlas da Violência 2026 aponta queda no total de homicídios, mas os acidentes com veículos de duas rodas seguem preocupantes.

Cerca de 40% dos acidentes de moto no Brasil são fatais, segundo dados de 2025. Esses números reforçam a necessidade de educação, respeito e responsabilidade no trânsito, como defende o presidente da CDL.

A mensagem é simples.

A mensagem de Waltenis é simples: não precisamos escolher um lado, precisamos escolher a segurança. Motoristas devem respeitar motociclistas, e motociclistas devem respeitar motoristas. Veículos maiores devem ter atenção especial com os menores, e motociclistas devem conduzir com prudência e velocidade compatível.

Todos devem sinalizar suas manobras, manter distância segura e evitar atitudes agressivas. E, acima de tudo, precisamos lembrar que ninguém ganha uma discussão no trânsito colocando a própria vida ou a vida de outra pessoa em risco. No trânsito, respeito não é favor. É dever.

Biografia de Waltenis Alves de Oliveira

Waltenis Alves de Oliveira é presidente da CDL – Câmara de Dirigentes Lojistas e presidente do Rotary Club de Águas Lindas de Goiás no biênio 2026/2027.

Sua atuação é marcada pelo compromisso com o desenvolvimento do comércio local e com a responsabilidade social, unindo o trabalho à frente da entidade lojista à liderança no movimento rotário.

Como presidente da CDL, Waltenis defende a importância do respeito e da convivência harmoniosa no trânsito, tema que abordou em artigo sobre a segurança viária e a relação entre motoristas e motociclistas.

Sua visão equilibrada destaca que o trânsito é um espaço coletivo, no qual todos têm direitos, deveres e responsabilidades, e que não se deve transformar o debate em uma disputa entre "carros contra motos".

Waltenis também atua como líder rotário, promovendo ações de impacto social e comunitário em Águas Lindas de Goiás, no entorno do Distrito Federal.

Sua trajetória combina liderança empresarial, compromisso comunitário e defesa da educação e da segurança no trânsito, posicionando-o como uma voz ativa na promoção do respeito e da responsabilidade nas vias brasileiras.

Por Robson Talber @robsontalber

Por Jornal da República em 08/08/2026
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