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PSD do Rio vive paradoxo eleitoral: perde Lucinha para o Podemos e ganha André Corrêa do PP em reconfiguração que redesenha a Zona Oeste e o sul fluminense

Deputado Estadual André Corrêa: seu saudoso pai ex-depudado Federal e seu irmão, Prefeito Saulo Corrêa
Enquanto deputada estuda candidatura federal por outra legenda e ameaça romper dobrada que rendeu 30 mil votos a Pedro Paulo, veterano com sete mandatos e duas secretarias estaduais anuncia migração para a bancada de Eduardo Paes
O Partido Social Democrático do Rio de Janeiro acorda em março de 2026 diante de um tabuleiro político que muda de peças ao mesmo tempo em que avança para o ano eleitoral mais decisivo da última década. De um lado, a deputada estadual Lucinha (PSD) — quatro mandatos consecutivos na Alerj, base consolidada na Zona Oeste e os olhos voltados para Brasília — estuda a filiação ao Podemos e uma candidatura à Câmara dos Deputados que, se confirmada, desfaz uma das dobradas mais lucrativas da política carioca recente. De outro, o partido recebe com tapete vermelho a migração do deputado estadual André Corrêa, que deixa o PP após três décadas para se juntar à legenda do prefeito Eduardo Paes — trazendo na bagagem sete mandatos na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, duas passagens pela Secretaria de Meio Ambiente e uma das fichas mais extensas da política fluminense.
A saída de Lucinha e o xeque em Pedro Paulo
No último ano de seu quarto mandato, Lucinha está de malas prontas para deixar o PSD. A parlamentar, referência incontestável da política na Zona Oeste do Rio de Janeiro, estuda filiar-se ao Podemos e lançar sua candidatura à Câmara dos Deputados — uma aposta na ascensão ao Legislativo federal depois de consolidar uma base territorial que poucos políticos cariocas conseguiram construir com tanta consistência.
A movimentação coloca em polvorosa o deputado federal Pedro Paulo (PSD), que já anunciou sua candidatura à reeleição e conta com o apoio da máquina do partido e do prefeito Eduardo Paes. Segundo fontes ligadas ao PSD, a dobrada entre os dois rendeu ao parlamentar quase 30 mil votos nas eleições de 2022 — um capital eleitoral construído diretamente sobre a força territorial de Lucinha na Zona Oeste. Com a eventual candidatura dela pelo Podemos, Pedro Paulo deixaria de ter uma aliada estratégica e passaria a enfrentar uma concorrente formidável exatamente no território onde sua força eleitoral é maior.
A inauguração que teve clima de despedida
O sinal mais visível da movimentação veio durante a inauguração do Super Centro Carioca de Saúde da Zona Oeste. Quem observou Lucinha circular pelo evento percebeu o que os bastidores já sabem: a deputada está construindo o cenário de saída com a discrição de quem conhece o tempo certo para anunciar. Eventos de alto impacto comunitário na Zona Oeste funcionam, para uma parlamentar de seu perfil, como palco de consolidação de legado — e despedida silenciosa de uma fase que se encerra para abrir outra, possivelmente em escala nacional.
Lucinha não confirmou oficialmente nem o partido, nem o cargo, nem a candidatura. O silêncio estratégico, no entanto, já diz o suficiente para quem lê as movimentações da política fluminense há tempo suficiente.
O PSD ganha André Corrêa: sete mandatos e duas secretarias
Enquanto o partido digeris a possível perda de Lucinha, a cúpula do PSD fluminense comemora a chegada de um nome que reforça a estratégia de Eduardo Paes de transformar a legenda no polo de atração central da política estadual. André Corrêa, 62 anos, anuncia sua migração do PP para o PSD após quase três décadas na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro — onde foi reeleito consecutivamente em 2002, 2006, 2010, 2014, 2018 e 2022, tornando-se um dos parlamentares mais longevos da Casa.
A trajetória de André Corrêa é marcada por uma especialização que se tornou sua assinatura política: o meio ambiente. Ao longo de seus mandatos, presidiu a Comissão de Meio Ambiente da Alerj, foi relator de legislações ambientais relevantes para o estado e construiu reputação como um dos parlamentares mais técnicos da pauta ambiental no Rio. Essa expertise rendeu dois convites para o Executivo estadual: foi Secretário de Estado do Ambiente no governo Sérgio Cabral (2007–2009) e, novamente, no governo Wilson Witzel (2019–2020) — passagens que deixaram marca na formulação de políticas de conservação, licenciamento ambiental e desenvolvimento sustentável.
A turbulência judicial e a absolvição
A trajetória de André Corrêa não foi isenta de sombras. Em março de 2021, o parlamentar foi preso preventivamente pela Polícia Federal no âmbito da Operação Caçadores de Cabeça, desdobramento das investigações sobre corrupção no governo do estado do Rio de Janeiro. A prisão gerou grande repercussão e colocou o deputado no centro das atenções da mídia nacional.
O processo que se seguiu foi longo e desgastante. Após anos de tramitação judicial, André Corrêa foi absolvido pela Justiça — encerrando o capítulo mais difícil de sua vida pública e reafirmando sua inocência nas acusações que lhe foram imputadas. A experiência, segundo o próprio parlamentar relatou em entrevistas, reforçou sua convicção sobre a importância das garantias constitucionais e do devido processo legal — valores que passou a defender com ainda mais vigor dentro e fora do plenário.
A lógica do PSD: perder base e ganhar experiência
O movimento simultâneo — possível saída de Lucinha e chegada de André Corrêa — revela as contradições e apostas de um partido que tenta se consolidar como força dominante da política fluminense. Com Lucinha, o PSD perdia uma parlamentar de enorme capilaridade popular na Zona Oeste, com capacidade de mobilização de base que tem impacto direto nos votos dos aliados. Com André Corrêa, o partido ganha um parlamentar de perfil mais técnico, com base histórica no sul fluminense e reputação consolidada na pauta ambiental — um ativo relevante em ano eleitoral, quando a agenda climática e de sustentabilidade ganha cada vez mais espaço no debate público.
Para o PP, a saída de André Corrêa representa perda de um quadro experiente. Para o Rio de Janeiro, o episódio é mais um capítulo da reconfiguração do centro político fluminense em torno do projeto de Eduardo Paes — que, ao atrair nomes como André Corrêa, consolida o PSD como um dos polos de atração mais relevantes do estado para o ciclo eleitoral que se aproxima.
Pedro Paulo entre dois mundos
O deputado federal Pedro Paulo é, talvez, o personagem mais pressionado por esse duplo movimento. Candidato à reeleição, ele precisa administrar simultaneamente a possível perda da dobrada com Lucinha — que pode se tornar sua concorrente direta na Zona Oeste — e a chegada de André Corrêa, que amplia a bancada do PSD na Alerj, mas não necessariamente resolve a lacuna deixada pela parlamentar que ajudou a construir parte relevante de sua própria eleição. No campo das alianças, 30 mil votos não se substituem com uma caneta de filiação.
O tabuleiro político fluminense está em movimento. E o PSD, com Eduardo Paes ao leme, navega entre a perda de uma base territorial poderosa e o reforço de uma experiência institucional rara. Em política, raramente se ganha e se perde ao mesmo tempo com tanta clareza — e raramente as consequências de ambos os movimentos são tão visíveis antes mesmo de a campanha começar.
Fontes: Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (alerj.rj.gov.br) / Portal da Transparência do Estado do Rio de Janeiro / G1 Rio / PlatôBR / O Globo / O Dia / Wikipedia — André Corrêa (político) / Secretaria de Estado do Ambiente do RJ / Tribunal Superior Eleitoral (TSE)
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