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Entre os dias 15 e 17 de outubro de 2026, Tiago Moura, ex-subsecretário de Gastronomia do Estado do Rio de Janeiro e fundador das Associações Gastronômicas de Ipanema e da Zona Sul, participou da 2ª Cúpula Mundial de Gastronomia (2nd World Gastronomy Summit), realizada em Manabí, no Equador.
Organizado pelo IGCAT — Instituto Internacional de Gastronomia, Cultura, Artes e Turismo, em parceria com a Prefeitura Provincial de Manabí, o encontro reuniu especialistas, pesquisadores, gestores públicos e lideranças gastronômicas internacionais.
Reconhecida pelo IGCAT como Região Mundial da Gastronomia 2026, Manabí tornou-se um importante ponto de encontro para debates sobre alimentação, cultura, sustentabilidade, turismo, empreendedorismo e desenvolvimento territorial.
O IGCAT é uma organização internacional sem fins lucrativos dedicada à valorização das culturas alimentares, ao fortalecimento das identidades regionais e à promoção da gastronomia como instrumento de desenvolvimento sustentável. Sua atuação dialoga com objetivos internacionais de preservação cultural e sustentabilidade, incluindo temas presentes nas agendas da UNESCO e da ONU, embora o reconhecimento de Região Mundial da Gastronomia seja concedido pelo próprio instituto.
Com o tema central “Empoderar a juventude através da gastronomia”, a Cúpula proporcionou a Tiago a oportunidade de compartilhar quase dez anos de experiências desenvolvidas no Rio de Janeiro e trocar conhecimentos com representantes de mais de 40 países.
Durante sua participação, Tiago também realizou articulações com a presidente, a vice-presidente e diretores do IGCAT, acompanhou diversas agendas do prefeito provincial Leonardo Orlando e iniciou conversas sobre um futuro intercâmbio gastronômico Brasil–Equador e a possibilidade de trazer uma edição da Cúpula Mundial de Gastronomia para o Rio de Janeiro a partir de 2030.
A seguir, Tiago Moura compartilha sua visão sobre o encontro, sua trajetória, as experiências vividas em Manabí e os próximos desafios.
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1. Tiago, o que representou participar da 2ª Cúpula Mundial de Gastronomia, no Equador?
Tiago Moura:
“Foi uma experiência extraordinária, tanto profissional quanto pessoal.
Estar em Manabí, participando de um encontro dessa dimensão, com representantes de mais de 40 países, foi uma oportunidade de mostrar um pouco do trabalho que construímos ao longo de quase dez anos pela gastronomia do Rio de Janeiro.
Comecei essa trajetória ajudando a criar a Associação Gastronômica de Ipanema. Depois, ampliamos nosso trabalho com a Associação Gastronômica da Zona Sul, enfrentamos os desafios da pandemia, defendemos empresários e trabalhadores e tivemos a oportunidade de levar essa experiência para a gestão pública estadual.
Mas o mais importante foi perceber que muitos dos desafios que enfrentamos no Brasil também existem em outros países.
A gastronomia é uma linguagem universal. Ela conecta culturas, pessoas, economias e territórios.
Saio dessa experiência com novas amizades, conhecimentos e muitas ideias para levar ao Rio de Janeiro.”
2. Como a gastronomia pode conectar os jovens das áreas urbanas e rurais?
Tiago Moura:
“Essa foi uma das principais questões debatidas na Mesa 15, da qual participei.
Sempre defendi que a gastronomia não começa na cozinha de um restaurante. Ela começa no campo, no mar, nas mãos do agricultor, do pescador e de todos os trabalhadores envolvidos na produção dos alimentos.
Quando estive à frente da Subsecretaria de Gastronomia do Estado do Rio de Janeiro, trabalhamos com a visão Do Campo e do Mar à Mesa, buscando aproximar o interior da capital.
Precisamos mostrar aos jovens que existe uma enorme cadeia de oportunidades na gastronomia.
O jovem do interior pode produzir, empreender, inovar e alcançar novos mercados. O jovem da cidade pode trabalhar na gastronomia, no turismo, na gestão, na tecnologia e na comercialização desses produtos.
O nosso papel é construir pontes para que esses jovens tenham oportunidades sem precisar abandonar suas raízes e tradições.”
3. O que separa atualmente o campo da cidade e como superar essa distância?
Tiago Moura:
“Na minha visão, o que mais separa o campo da cidade não são os quilômetros, mas a falta de oportunidades, infraestrutura e conexão.
Muitas vezes, um pequeno agricultor ou pescador possui um produto de excelente qualidade, mas não consegue chegar aos restaurantes e hotéis dos grandes centros.
Ao mesmo tempo, os empresários precisam desses produtos e enfrentam dificuldades para encontrar fornecedores e estabelecer relações comerciais diretas.
Durante a pandemia, aprendemos que nenhum segmento consegue sobreviver sozinho.
Naquele período, trabalhamos intensamente na representação do setor gastronômico, buscando soluções com o poder público para preservar empresas, empregos e a atividade econômica.
Essa experiência reforçou minha convicção de que precisamos unir toda a cadeia produtiva.
Quando conectamos o produtor ao empresário e ao consumidor final, fortalecemos a economia, valorizamos o trabalho e criamos novas oportunidades.”
4. Como a gastronomia pode reconectar esses territórios?
Tiago Moura:
“Precisamos transformar as boas ideias em ações concretas.
Defendo a criação de programas que aproximem agricultores, pescadores, cooperativas, restaurantes, hotéis e centros consumidores.
Isso pode acontecer por meio de feiras gastronômicas, festivais, rodadas de negócios, capacitação profissional e políticas públicas voltadas à valorização da produção regional.
Na Subsecretaria de Gastronomia, trabalhamos para fortalecer essa integração e articulamos um Conselho Estadual de Gastronomia com 25 instituições.
Acredito que o poder público deve ser um facilitador dessas conexões.
Imaginem um jovem pescador de uma comunidade costeira fornecendo seu pescado para um restaurante da capital, com valorização da origem e remuneração justa.
Ou um jovem agricultor desenvolvendo sua produção e encontrando novos mercados sem precisar deixar sua comunidade.
É isso que a gastronomia pode proporcionar: desenvolvimento econômico com identidade cultural e inclusão social.”
5. Qual deve ser o papel dos jovens no futuro da gastronomia?
Tiago Moura:
“Os jovens precisam ser protagonistas dessa transformação.
Durante nossa atuação na Subsecretaria de Gastronomia do Rio de Janeiro, realizamos iniciativas de capacitação e uma feira de empregos que contribuiu para a inserção de aproximadamente 350 pessoas no mercado de trabalho.
Esse tipo de resultado mostra como a gastronomia pode transformar vidas.
Mas precisamos ir além da formação tradicional.
O jovem pode ser chef, agricultor, pescador, empreendedor, gestor, pesquisador, profissional de turismo ou desenvolver soluções tecnológicas para a cadeia alimentar.
Também precisamos valorizar o conhecimento transmitido entre gerações, porque muitos dos saberes gastronômicos mais importantes estão nas famílias, nas comunidades rurais e nos povos tradicionais.
Quando oferecemos oportunidades aos jovens, estamos preservando nossa cultura e construindo o futuro da gastronomia.”
6. Quais políticas públicas e infraestruturas são necessárias para fortalecer essa conexão?
Tiago Moura:
“Precisamos de políticas públicas que enxerguem a gastronomia como uma cadeia econômica e social completa.
É fundamental investir em capacitação, transporte, logística, armazenamento, acesso ao crédito, empreendedorismo e valorização dos pequenos produtores.
O pescador precisa de estrutura para conservar e comercializar seu pescado. O agricultor precisa de condições para transportar sua produção. O empresário precisa de acesso a fornecedores, e os jovens precisam de oportunidades para ingressar no mercado.
Minha trajetória nas associações e na Subsecretaria mostrou que a representação institucional é fundamental para aproximar as necessidades reais da população das decisões do poder público.
A boa política pública não é aquela que fica apenas no papel. É aquela que chega à ponta, gera emprego, valoriza o produtor e transforma a vida das pessoas.”
7. Como foi acompanhar Leonardo Orlando e conhecer a riqueza gastronômica de Manabí?
Tiago Moura:
“Esse foi, sem dúvida, um dos momentos mais especiais da viagem.
Tive a oportunidade de acompanhar diversas agendas do prefeito provincial Leonardo Orlando por diferentes localidades de Manabí, conhecendo de perto a riqueza cultural, gastronômica e humana dessa província.
Leonardo é uma pessoa que demonstra uma paixão impressionante pelo seu território.
Ele fala com orgulho dos 22 cantões de Manabí, dos sabores de cada região, da história dos alimentos, dos produtores, dos pescadores e das tradições que atravessam gerações.
Pudemos conhecer lugares, experimentar sabores, aprender sobre uma gastronomia de raízes milenares e vivenciar manifestações culturais, como as danças, músicas e artesanatos.
Mas algo me emocionou especialmente: o carinho que Leonardo demonstra pelo seu povo e o carinho que recebe de volta.
É bonito ver um gestor público tão envolvido com a identidade cultural de sua terra.
Leonardo não apresenta apenas a gastronomia de Manabí. Ele apresenta a alma, a história e o orgulho do seu povo.
Manabí merece esse reconhecimento internacional como Região Mundial da Gastronomia 2026. É uma terra de riquezas extraordinárias e de um povo acolhedor, trabalhador e apaixonado por suas tradições.”
8. Quais articulações internacionais foram realizadas durante a Cúpula?
Tiago Moura:
“Além dos debates e das atividades oficiais, aproveitei a oportunidade para realizar importantes conversas com a presidente, a vice-presidente e diretores do IGCAT.
Foram encontros muito produtivos, nos quais apresentamos um pouco da nossa trajetória e do potencial gastronômico do Rio de Janeiro.
Também conversamos sobre a possibilidade de desenvolver um programa de intercâmbio gastronômico entre Manabí e o Rio de Janeiro, aproximando Brasil e Equador.
A ideia é criar oportunidades para produtores, pescadores, chefs, empresários, estudantes, instituições e gestores públicos trocarem experiências e conhecimentos.
Quero que o Rio de Janeiro conheça mais profundamente a riqueza gastronômica de Manabí e que os equatorianos também tenham a oportunidade de conhecer nossa culinária, nossa cultura e nossas tradições.
Acredito muito na diplomacia gastronômica. A comida aproxima povos, abre portas, fortalece relações e pode gerar oportunidades econômicas para os dois países.”
9. Existe a possibilidade de trazer a Cúpula Mundial de Gastronomia para o Rio de Janeiro?
Tiago Moura:
“Esse é um dos grandes desafios que quero assumir a partir dessa experiência.
Durante nossas conversas com a vice-presidente e diretores do IGCAT, manifestei o interesse em trabalhar para que o Rio de Janeiro possa receber uma futura edição da Cúpula Mundial de Gastronomia.
Pelas informações compartilhadas durante os encontros, já existem compromissos e países anfitriões encaminhados para edições anteriores a 2030. Por isso, começamos a conversar sobre a possibilidade de trabalhar com esse horizonte.
As conversas foram muito positivas e animadoras.
Agora, precisamos construir esse caminho com responsabilidade, planejamento e articulação institucional.
Quero convidar a direção do IGCAT para conhecer de perto o Rio de Janeiro, nossos restaurantes, mercados, produtores, pescadores, comunidades, tradições e toda a nossa diversidade cultural.
O Rio de Janeiro possui uma gastronomia extraordinária. Temos a cozinha popular, a pesca artesanal, a agricultura familiar, a culinária tradicional, os grandes chefs, a hotelaria e uma identidade cultural reconhecida mundialmente.
Não vou medir esforços para trabalhar por esse objetivo e apresentar o Rio de Janeiro como uma possível sede da Cúpula Mundial de Gastronomia a partir de 2030.
O Rio de Janeiro já é uma referência gastronômica pela sua história, cultura e diversidade. Precisamos fortalecer esse reconhecimento e mostrar ao mundo toda a potência que temos.”
10. O que o Rio de Janeiro pode aprender com Manabí e com os mais de 40 países representados na Cúpula?
Tiago Moura:
“A maior lição que levo é que a gastronomia precisa ser tratada como uma prioridade estratégica de desenvolvimento.
Em Manabí, percebi como a valorização dos alimentos, dos territórios e das tradições pode fortalecer o turismo, gerar renda e criar oportunidades para a população.
Também foi extraordinário trocar experiências com lideranças de diferentes países, conhecer projetos, modelos de gestão e políticas públicas voltadas à gastronomia.
Nós levamos um pouco do que construímos no Rio de Janeiro, especialmente na representação do setor, na defesa dos trabalhadores durante a pandemia, na criação de associações e na atuação na gestão pública.
E recebemos uma quantidade enorme de ideias e experiências que podem inspirar novos projetos.
O intercâmbio internacional não significa apenas mostrar o que sabemos fazer. Significa também reconhecer o que podemos aprender com os outros.
Volto com novas perspectivas e ainda mais motivação para continuar trabalhando pela gastronomia do nosso estado.”
11. Qual é a sua mensagem para Leonardo Orlando, o IGCAT e o povo de Manabí?
Tiago Moura:
“Quero deixar meu agradecimento especial ao prefeito provincial Leonardo Orlando, à presidente, à vice-presidente, aos diretores do IGCAT e a todas as pessoas envolvidas na realização dessa extraordinária Cúpula Mundial de Gastronomia.
Ao Leonardo, quero dizer que sua paixão por Manabí é inspiradora.
Foi muito especial acompanhar suas agendas, conhecer diferentes territórios e perceber a forma como você valoriza os produtores, os pescadores, os jovens, a cultura e as tradições do seu povo.
O carinho que você tem por Manabí é visível, assim como o carinho que as pessoas têm por você.
Levo comigo grandes amizades, novos conhecimentos e o desejo de fortalecer cada vez mais os laços entre Manabí e o Rio de Janeiro.
Quero trabalhar para que possamos realizar intercâmbios, aproximar nossas instituições e construir projetos que beneficiem nossos povos.
E quem sabe, no futuro, receber todos vocês no Rio de Janeiro para uma Cúpula Mundial de Gastronomia?
As portas do Rio de Janeiro estarão abertas para construir essa aproximação.
Muito obrigado, Manabí, por essa experiência tão especial!”
12. Depois dessa experiência internacional, quais serão os próximos passos de Tiago Moura?
Tiago Moura:
“Volto ao Brasil com ainda mais vontade de trabalhar.
Minha trajetória começou dentro de um estabelecimento gastronômico, cresceu para a representação de um bairro, depois para toda a Zona Sul e chegou à gestão pública estadual.
Enfrentamos momentos difíceis, como a pandemia, construímos associações, fortalecemos o diálogo institucional e buscamos criar oportunidades para empresários, trabalhadores e produtores.
Agora, quero aproveitar essa experiência internacional para ampliar nossas conexões.
Vamos trabalhar pelo intercâmbio gastronômico Manabí–Rio de Janeiro, fortalecer relações entre Brasil e Equador, aproximar instituições internacionais e desenvolver novas oportunidades para nossa cadeia produtiva.
Também quero iniciar as articulações necessárias para apresentar o Rio de Janeiro como uma possível sede da Cúpula Mundial de Gastronomia a partir de 2030.
Acredito que a gastronomia tem uma capacidade extraordinária de transformar territórios, gerar empregos, valorizar culturas e aproximar pessoas.
O Rio de Janeiro merece ser cada vez mais reconhecido como uma grande referência gastronômica mundial. E quero continuar contribuindo para que isso aconteça.
Porque a gastronomia não é apenas o alimento que chega à mesa. É toda a história, o trabalho, a cultura e as oportunidades que existem por trás dele.
E como sempre digo:
A GASTRONOMIA NÃO PARA, E NÓS TAMBÉM NÃO VAMOS PARAR!”

Tiago Moura
Ex-subsecretário de Gastronomia do Estado do Rio de Janeiro
Fundador das Associações Gastronômicas de Ipanema e da Zona Sul
Participante da 2ª Cúpula Mundial de Gastronomia — Manabí, Equador 2026

Brasil | Equador
Entrevista institucional elaborada a partir da trajetória, das experiências e das articulações relatadas por Tiago Moura durante sua participação no evento.
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