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O abacaxi produzido no Norte Fluminense e a farinha de mandioca de São Francisco de Itabapoana avançam no processo de reconhecimento para obtenção do selo de Indicação Geográfica (IG), que valoriza produtos associados às características, à tradição e aos saberes de um determinado território. A iniciativa reúne produtores, pesquisadores e instituições e conta com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ), por meio do edital de Apoio à Promoção de Indicações Geográficas no Estado do Rio de Janeiro.
O trabalho envolve a Associação dos Produtores de Abacaxi do Norte Fluminense e a Associação dos Produtores de Mandioca e Fabricantes de Farinha de Travessão de Barra (Aprofar). O objetivo é reunir conhecimento técnico e científico e valorizar os saberes tradicionais que caracterizam os produtos e sua relação com o território.
Lançado inicialmente em 2022 e com nova edição em 2025, o edital da FAPERJ fomenta iniciativas voltadas ao reconhecimento e à valorização de produtos fluminenses. O trabalho também promove a integração entre produtores e instituições como a Embrapa, a Emater-Rio e pesquisadores da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF), possibilitando a transferência de tecnologia e conhecimento para ampliar e aprimorar a qualidade da produção local.
Segundo o presidente da associação, Heraldo Meirelles, a FAPERJ teve papel fundamental na articulação dessa rede, aproximando diferentes instituições e conhecimentos em torno da produção regional.
“Esse apoio foi essencial para que os produtores pudessem ter acesso a conhecimento técnico e novas tecnologias, contribuindo diretamente para melhorar a qualidade da produção e fortalecer as associações”, destaca Heraldo.
Abacaxi reúne cerca de mil produtores
Produzido atualmente nos municípios de Campos dos Goytacazes, Quissamã, São Francisco de Itabapoana e São João da Barra, o abacaxi do Norte Fluminense reúne cerca de mil produtores e produz mais de 100 milhões de frutos por ano.
A busca pela Indicação Geográfica reconhece a relação do produto com o território, considerando fatores como solo, clima, técnicas de cultivo e conhecimentos transmitidos ao longo das gerações. Esses elementos contribuem para a identidade e as características particulares do abacaxi produzido na região.
Farinha de mandioca preserva tradição
Em São Francisco de Itabapoana, a farinha de mandioca é produzida a partir de métodos tradicionais de origem indígena e de técnicas de processamento artesanal transmitidas de geração em geração nas chamadas casas de farinha.
O solo arenoso da região favorece o cultivo da mandioca. Durante a fabricação, o controle da temperatura na etapa de torrefação é um dos diferenciais do produto, contribuindo para preservar os amidos naturais, intensificar o sabor e garantir a textura crocante.
Para Thamyres Siqueira Freire, pesquisadora da Aprofar, o apoio da FAPERJ tem contribuído para fortalecer a agricultura familiar e toda a cadeia produtiva.
“O fomento da FAPERJ permitiu valorizar a agricultura familiar, elevar a competitividade das agroindústrias locais e garantir o desenvolvimento sustentável de diversos produtores.”
Festival celebra abacaxi e farinha
Nos dias 21, 22 e 23 de agosto, São Francisco de Itabapoana recebe o 1º Festival do Abacaxi e da Farinha, que terá como protagonistas dois produtos tradicionais do município e do Norte Fluminense.
O evento também conta com apoio da FAPERJ, por meio do edital de Apoio à Organização de Eventos Científicos, Tecnológicos e de Inovação no Estado do Rio de Janeiro.
A programação busca valorizar a produção local e aproximar produtores, pesquisadores e a comunidade, dando visibilidade às cadeias produtivas do abacaxi e da mandioca e ao processo de reconhecimento dos produtos como Indicação Geográfica.
A realização do festival reforça a importância econômica e cultural das duas produções para a região e mostra como a integração entre ciência, tecnologia, conhecimento tradicional e agricultura familiar pode contribuir para agregar valor aos produtos, preservar saberes e fortalecer o desenvolvimento sustentável.
Foto: dvulgação
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