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A desembargadora Andréa Pachá e a escritora Bianca Ramoneda voltaram ao Espaço Cultura na Justiça na quarta-feira, 19 de agosto, para o segundo encontro da série Amor & Justiça, promovido pelo Centro Cultural do Poder Judiciário (CCPJ).
Desta vez, colocaram o "amor no banco dos réus", no evento "O Amor Não Mata".
A presidente do conselho gestor do CCPJ, desembargadora Cristina Tereza Gaulia, ressaltou que o objetivo da série é mergulhar na cultura por meio dos sentimentos, questionando o papel do afeto nas relações coletivas.
"Por que as pessoas usam a palavra amor, mas na verdade não atuam com o amor? Qual a importância desses sentimentos no sistema de Justiça? É importante desenvolver essa relação afetiva com o mundo, com o coletivo, com as pessoas que estão no teu entorno”, reforçou a magistrada.
Desembargadora Cristina Tereza Gaulia ressaltou que o objetivo da série é mergulhar na cultura por meio dos sentimentos
A desembargadora Andréa Pachá destacou como, em nome do amor, durante muito tempo se legitimou a vingança, o ciúme e a posse.
"Hoje nós pensamos no amor no banco dos réus. Em nome do amor, durante muito tempo se legitimou a vingança, o ciúme, a posse. Ainda hoje, quando conversamos sobre violência contra a mulher, esses conceitos se misturam e acabam criando um caldo de incompreensão do que deveria ser fundamental, que é a garantia de uma vida digna", afirmou.
A magistrada também abordou com os demais participantes a dificuldade de definir o que é "justo" na sociedade e como o sistema judicial funciona para estabelecer limites que viabilizem a coexistência humana.
Desembargadora Andréa Pachá destacou como, em nome do amor, durante muito tempo se legitimou a vingança, o ciúme e a posse
Estiveram presentes no evento, o juiz e psicanalista Rubens Casara, a jornalista Eliana Cruz e o advogado criminalista Antônio Pedro Melchior.
O juiz Rubens Casara analisou o mito de que o afeto anula a violência e como o agressor pode mascarar comportamentos obsessivos e de posse sob o pretexto de estar amando, o que muitas vezes culmina em crimes.
"Vocês sabem quantas vezes a palavra amor é utilizada no Código Penal? Nenhuma. No Código Civil, atualmente nenhuma. É bem indicativo de que para o legislador brasileiro o amor não é uma questão, mas para a sociedade é", completou.
Juiz Rubens Casara analisou o mito de que o afeto anula a violência
A escritora e jornalista Eliana Cruz defendeu que a literatura e a arte são ferramentas para resgatar a humanidade do próximo e restaurar a capacidade de sonhar, reforçando que amor e justiça são pilares indissociáveis para a construção de uma sociedade mais saudável.
Escritora e jornalista Eliana Cruz defendeu que a literatura e a arte são ferramentas para resgatar a humanidade do próximo
Mais amor
A série continua nos dias 24 e 25 de agosto, terça e quarta-feira, às 18h, no Espaço Cultura na Justiça. No dia 24, o debate "A Idealização do Amor" reúne o psicólogo Alexandre Coimbra e a atriz Clarisse Niskier. No dia 25, o compositor e integrante do Monobloco Pedro Luís conduz o encontro "E se Tudo Terminasse em Amor?".
VS/IA
Fotos: Rafael Oliveira/TJRJ
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