Tia Surica celebra a Portela, anuncia feijoada exclusiva para 300 pessoas e declara apoio a Daniel Soranz: 'Ele não é só um candidato, é um amigo'

Baluarte da Azul e Branco de Madureira fala sobre a volta de Paulo Barros para o Carnaval de 2027, a feijoada que virou patrimônio do estado e a parceria com o deputado em evento na Jacarepaguá

O encontro em Jacarepaguá reuniu duas figuras que carregam o Rio de Janeiro no coração: o deputado federal Daniel Soranz, candidato à reeleição, e a matriarca do samba carioca, Tia Surica.

Baluarte da Portela, a cantora conversou com o Jornal da República e Última Hora Online sobre a feijoada que se tornou patrimônio, as expectativas para o Carnaval de 2027 e a amizade que a levou a apoiar o político. "Maravilha. "Ser portelense é uma tranquilidade", abriu ela, arrancando sorrisos ao lado do anfitrião.

A feijoada que virou patrimônio e agora é para poucos.

Tia Surica comanda há décadas uma das feijoadas mais celebradas do país, servida mensalmente na quadra da Portela e reverenciada por turistas e sambistas de todo o Brasil.

Em 2021, a tradição foi oficialmente reconhecida: uma lei sancionada pelo governador conferiu à Feijoada da Tia Surica o título de Patrimônio Histórico e Cultural do estado do Rio de Janeiro.

"Os turistas vêm atrás, o pessoal do Brasil inteiro vem para provar essa feijoada", afirmou a sambista. Mas a baluarte revelou uma novidade: a receita que encantou gerações deixou de ser servida em grandes casas. "Agora não faço mais na Portela, nem no Teatro Rival."

Quando encomendam, eu faço. "Agora é só para pessoas exclusivas", contou, adiantando uma encomenda de peso. "Como agora, para o dia 23, final do mês, eu tenho uma encomenda para fazer para 300 pessoas."

A volta do "mago" é a esperança do título.

Com 22 títulos, a maior campeã do Carnaval do Rio volta a sonhar alto. Tia Surica não escondeu a animação com o retorno do carnavalesco Paulo Barros, anunciado pela escola em fevereiro de 2026 para comandar o desfile de 2027. "O homem está de volta à casa, né? "O nosso mago do Carnaval", comemorou.

A parceria, iniciada em 2016, já rendeu à Portela o encerramento de um jejum de 33 anos sem títulos. Para 2027, a escola prepara o enredo "Ao mestre, com carinho", em homenagem a Monarco, e divulgou 36 sambas concorrentes. "Carnaval se perde na avenida. "Vamos aguardar o dia, a surpresa que a Portela vai representar", disse Tia Surica, projetando a disputa.

Uma amizade que virou voto.

A presença de Tia Surica no evento, ao lado de Daniel Soranz, foi motivada por mais do que política. "É uma pessoa que eu conheci, tenho um carinho muito grande por ele e tô com ele."

"Vou votar nele porque ele merece", declarou a baluarte, que fez questão de reforçar o laço pessoal. "Ele não é só um candidato, ele é um amigo."

Soranz, que comandou a Secretaria Municipal de Saúde do Rio por 14 anos e hoje disputa a reeleição como deputado federal pelo PSD, recebeu o apoio com a emoção de quem é acolhido por uma das figuras mais queridas da cultura carioca. "Parabenizo ele e tenho certeza de que ele vai levar esse time", completou Tia Surica, confiante.

Uma vida dedicada à Azul e Branco.

Iranette Ferreira Barcellos nasceu em Madureira, em 17 de novembro de 1940, e, desde os 4 anos, desfila pela Portela, presa à cintura da mãe.

O apelido Surica veio da avó, ainda na infância. Em 1956, aos 16 anos, estreou no coro feminino do disco "A vitoriosa escola de samba Portela", e em 1966 foi puxadora do samba-enredo "Memórias de um Sargento de Milícias", de Paulinho da Viola.

Aos 40 anos, ingressou na Velha Guarda da escola, onde se tornou pastora. Em 2013, foi eleita Cidadã do Samba, e em 2022 fez história ao se tornar a primeira mulher a assumir a presidência de honra da Azul e Branco.

No ano seguinte, recebeu o título de cidadã benemérita do Rio de Janeiro, proposto pela vereadora Vera Lins.

O Cafofo da Surica é a hospitalidade carioca.

Além da feijoada, Tia Surica é dona de um reduto de memórias: o Cafofo da Surica, sua casa em Madureira, frequentada por nomes como Marisa Monte e Teresa Cristina.

O espaço, palco de rodas de samba e conversas que preservam a história da Portela, também virou música — a cantora gravou "Cafofo da Surica" e "Peixeiro Granfino", entre outros clássicos de seu repertório.

Seu primeiro disco solo só saiu em 2004, mas a carreira já incluía participações na microssérie "Cidade dos Homens" e no documentário "Samba on Your Feet". Aos 85 anos, Tia Surica segue como guardiã da memória do samba e da maior campeã do Carnaval carioca.

Um encontro que une samba, política e tradição.

O evento na Jacarepaguá sintetizou o que há de mais autêntico no Rio: a força do samba, o carisma de uma baluarte e a política como espaço de encontro.

Tia Surica, com sua história de quase nove décadas dedicadas à Portela, emprestou sua voz e seu prestígio à campanha de Daniel Soranz, unindo tradição e futuro.

Enquanto a feijoada segue sendo preparada apenas para convidados especiais e a Portela se prepara para a Avenida, a matriarca do samba carioca mantém o lema que aprendeu em Madureira: ser portelense é uma tranquilidade — e apoiar um amigo, uma alegria.

Biografia de Tia Surica

Iranette Ferreira Barcellos, a Tia Surica, é uma das maiores personalidades do samba carioca: cantora, ex-intérprete de samba-enredo e matriarca da Portela.

Nascida em Madureira, no Rio de Janeiro, em 17 de novembro de 1940, frequenta a Azul e Branco desde os 4 anos, desfilando presa à cintura da mãe.

Em 1956, aos 16 anos, estreou no coro feminino do disco "A vitoriosa escola de samba Portela" e, em 1966, puxou o samba-enredo "Memórias de um Sargento de Milícias", de Paulinho da Viola.

Aos 40 anos, ingressou como pastora na Velha Guarda da escola, tornando-se uma das vozes mais respeitadas do samba de raiz.

Em 2013, foi eleita Cidadã do Samba e, em 2022, fez história ao se tornar a primeira mulher a assumir a presidência de honra da Portela, maior campeã do Carnaval carioca com 22 títulos.

Comanda a tradicional Feijoada da Portela, reconhecida como Patrimônio Histórico e Cultural do estado do Rio de Janeiro em 2021, e mantém o Cafofo da Surica, reduto de samba e memórias frequentado por grandes nomes da música.

Em 2023, recebeu o título de cidadã benemérita do Rio de Janeiro. Seu primeiro disco solo foi lançado em 2004, com destaques como "Cafofo da Surica" e "Peixeiro Granfino", e ela já participou da microssérie "Cidade dos Homens" e do documentário "Samba on Your Feet".

Aos 85 anos, Tia Surica segue como guardiã da memória do samba e da cultura carioca.

Por Robson Talber @robsontalber

Repórter Antonio Lemos @djportugues

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Por Jornal da República em 20/08/2026
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