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O problema que o Brasil esconde
Vinte milhões de brasileiros esperam por uma prótese dentária no Sistema Único de Saúde. O número, que circula entre gestores de saúde bucal como uma ferida aberta, representa não apenas uma crise estética, mas um problema de saúde pública com consequências profundas: dificuldade de alimentação, isolamento social, perda de autoestima e agravamento de doenças sistêmicas.
No 9º Conexidades, realizado entre os dias 15 e 19 de junho no Campos Hall, em Campos do Jordão, o empresário Anderson Macorin, CEO e founder da iDENTURE Brasil, apresentou uma solução que promete virar essa página.
A empresa, sediada em Ribeirão Preto (SP), é pioneira na fabricação de próteses dentárias totais e parciais por meio de processo digital e impressão 3D.
"Fundamos a empresa há três anos com um propósito muito importante: a reabilitação dos pacientes que não têm dentes. Hoje, no Brasil, é um problema muito grave. "São 20 milhões de brasileiros na fila de espera do SUS", afirmou.
O scanner que substituiu a massa que sufoca
Quem já passou pelo processo tradicional de moldagem dentária conhece o desconforto: uma massa de gesso que causa ânsia, sufoca e transforma a consulta em um momento de tensão. A iDENTURE eliminou essa etapa.
O processo começa com um escaneamento intraoral — um aparelho que captura imagens tridimensionais da boca do paciente em segundos, sem contato, sem desconforto. Os dados seguem para uma central, onde é feito o planejamento CAD (Computer-Aided Design).
A partir desse modelo digital, uma impressora 3D produz um protótipo funcional da prótese, que o paciente leva para casa e testa por alguns dias.
"O paciente vai poder ir para casa testar. Caiu, está machucando aqui, não deu certo? Ele volta para o dentista e a gente escaneia de novo para fazer o ajuste. "Se estiver perfeito, a gente imprime a prótese final", explicou Macorin.
O resultado prático: uma redução de seis para três ou quatro consultas, uma prótese mais ajustável, mais confortável e mais durável — com dentes que recebem carga de cerâmica, garantindo resistência e estética superiores às próteses tradicionais.
A portaria que mudou o jogo.
O grande divisor de águas para a iDENTURE veio há cerca de um mês, quando o Ministério da Saúde publicou uma portaria estabelecendo o reembolso para o fluxo digital de próteses no SUS. Na prática, significa que os municípios podem implantar a tecnologia sem custos adicionais — o governo federal custeia o processo.
"Quem implantar esse processo da prótese digital vai ser reembolsado. Não vai ter custo para o município. O Ministério da Saúde vai custear. O que a gente faz é acolher essas cidades, treinar os dentistas, implantar o equipamento e resolver o problema, zerando a fila de prótese", disse Macorin.
A portaria representa uma mudança estrutural na política de saúde bucal brasileira. De acordo com o SB Brasil 2023 (Pesquisa Nacional de Saúde Bucal), cerca de 34 milhões de brasileiros já perderam 13 ou mais dentes, e 14 milhões não têm nenhum dente funcional na arcada superior.
O edentulismo — perda total dos dentes — atinge com mais força a população de baixa renda, exatamente aquela que depende do SUS para reabilitação.
Tecnologia que escala.
A iDENTURE não é uma promessa de laboratório. A empresa já está presente em 31 unidades no Rio de Janeiro, incluindo atendimentos na Rodolfo Rocco, no pé do Morro do Alemão, em parceria com o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz.
Também atua no ABC Paulista, onde realizou mutirões de atendimento para próteses digitais em junho de 2026, e em cidades como Botucatu.
De janeiro a abril de 2026, foram realizados 14.201 atendimentos e 16.413 procedimentos de odontologia digital nos locais onde a tecnologia já foi implantada.
Os números ainda são modestos diante dos 20 milhões de brasileiros na fila, mas demonstram que o modelo é viável e escalável.
A empresa participou do programa de aceleração Open Innovation da Gnatus, em parceria com a Harena Inovação (hub do Hospital de Amor de Barretos) e o Sebrae, o que reforça a credibilidade tecnológica do projeto.
O convite aos gestores públicos
Macorin fez um apelo direto aos secretários municipais de saúde durante o Conexidades. "A pessoa que quer ter uma dentadura deve procurar o secretário de saúde da cidade, o coordenador de saúde bucal e dizer: 'Tem um processo novo da iDENTURE, contrata porque implanta isso no SUS da sua cidade'."
A fala reflete uma estratégia de baixo para cima: em vez de esperar que os gestores descubram a tecnologia, a iDENTURE aposta na pressão da demanda popular para acelerar a adoção.
O Conexidades, que reuniu mais de 10 mil participantes entre prefeitos, vereadores e secretários, foi o palco ideal para essa mensagem.
O evento, que teve como tema central "Governança e Inovação Sustentável: Fortalecendo o Desenvolvimento Nacional", contou com painéis específicos sobre saúde pública e inovação tecnológica.
Bio: Anderson Macorin
Anderson Macorin é CEO e founder da iDENTURE Brasil Odontologia Digital, startup pioneira na fabricação de próteses dentárias totais e parciais por meio de processo digital e impressão 3D.
Engajado na transformação da saúde pública brasileira, lidera uma empresa que já implantou tecnologia em 31 unidades no Rio de Janeiro, no ABC Paulista e em cidades do interior de São Paulo.
Sob sua gestão, a iDENTURE participou do programa de aceleração Open Innovation Gnatus com apoio do Sebrae e do Hospital de Amor de Barretos, consolidando-se como referência nacional em odontologia digital para o SUS.
Anderson é palestrante frequente sobre inovação em saúde pública e acredita que a tecnologia pode zerar a fila de 20 milhões de brasileiros que aguardam próteses dentárias no país.

Por Robson Talber @robsontalber
Repórter Oscar Muller @oscarmulleroficial
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