Alessandro Montano, atleta paralímpico e professor, cobra acessibilidade real PARA PCDS no Rio e defende o esporte como ferramenta de transformação social

Ex-atleta da seleção brasileira de paracanoagem e da natação paralímpica, que participou dos testes de acessibilidade da Rio-2016, destaca as dificuldades de mobilidade urbana enfrentadas por cadeirantes e cegos no dia a dia

O Campo Olímpico de Golfe, na Barra da Tijuca, foi palco do encontro de amigos da candidata a deputada estadual Jeanine Domenech.

Entre os presentes, o professor de educação física Alessandro Montano, atleta paralímpico e um dos "guerreiros" da causa PCD, trouxe ao debate a urgência da acessibilidade e da mobilidade urbana no Rio de Janeiro.

Em entrevista, Alessandro destacou que a questão da acessibilidade não se restringe ao transporte comum, mas alcança também as pessoas com deficiência. "Quando a gente fala de mobilidade, a gente fala para todos, o deslocamento das pessoas", afirmou, ampliando o alcance da pauta.

A cidade internacional que ainda não abraça o cadeirante

Alessandro apontou uma contradição: o Rio de Janeiro é uma cidade internacional, mas ainda tem dificuldade em acolher o cadeirante em suas vias. "Quando você anda pelas nossas vias, ela tem a dificuldade de abraçar justamente o cadeirante", observou.

O professor também destacou a falta de piso tátil para pessoas cegas. "Você encontra muita acessibilidade em locais de turismo, mas essa dificuldade no dia a dia, no entorno de metrôs, trens, principalmente os trens da SuperVia, é muito grande, inclusive nas estações", detalhou.

A experiência pessoal de quem roda a cidade

Alessandro falou com a autoridade de quem vive a realidade da mobilidade urbana diariamente. "Posso falar isso de cunho pessoal." Eu rodo muito a cidade, trabalho, além de ser professor de educação física, com essa gestão de acessibilidade e mobilidade", contou.

Deficiente físico desde 2003, Alessandro transformou a dor em propósito, dedicando sua carreira a melhorar a vida de outras pessoas com deficiência. Sua vivência prática dá credibilidade à cobrança por políticas públicas efetivas.

A trajetória no esporte paralímpico

Alessandro construiu uma carreira de destaque no esporte paralímpico. Passou pela seleção brasileira paralímpica de natação e, na sequência, tornou-se atleta da seleção brasileira de paracanoagem, em que foi campeão das provas de 200 metros e 500 metros, além de disputar provas sul-americanas representando o Brasil.

Formado em educação física com licenciatura plena e cinco pós-graduações nas áreas de gestão e gestão esportiva, Alessandro une a experiência de atleta à formação acadêmica para atuar na gestão de acessibilidade e mobilidade.

O teste de acessibilidade da Rio-2016

Alessandro participou ativamente do projeto Rio-2016. "O COI contratou muitos paratletas brasileiros na época para fazer o teste de acessibilidade de mobilidade. "Eu fui um deles", revelou, com orgulho de ter passado pelas vias dos parques olímpicos.

O professor destacou que alguns desses espaços ainda estão em boas condições, mas outros precisam de reparos. "Temos alguns que precisam hoje em dia de reparos, vale a pena salientar isso", completou, cobrando a manutenção do legado olímpico.

O esporte adaptado como prova de capacidade

Para Alessandro, o esporte adaptado demonstra que a prática esportiva é capaz para todos. Independentemente de você ser adaptado ou não, fazer a prática esportiva mostra que ela é capaz para todos. "Isso é muito importante", afirmou.

Essa bandeira conecta diretamente com a proposta de Jeanine Domenech, que defende não só a inclusão, mas a criação de meios para que as pessoas façam esporte. "Não tem ferramenta maior de transformação social", ressaltou Alessandro.

A luta contra o isolamento social

Alessandro destacou que a luta vai além da infraestrutura: envolve também fazer com que as pessoas se sintam aptas. "Muitos se escondem. A sociedade muitas vezes tem essa problemática de não ter um norte para que as pessoas possam encontrar um caminho por meio do esporte e também de se socializar", observou.

O esporte, nesse sentido, é apresentado como um caminho para a inclusão social e a superação do isolamento, oferecendo propósito e pertencimento às pessoas com deficiência.

O compromisso de Jeanine com a acessibilidade

Alessandro elogiou o compromisso de Jeanine Domenech com a pauta da acessibilidade. "A Jeanine é uma pessoa que se importa com isso." Ela já foi subsecretária de governo, então tem isso em pauta, essas questões de criar, melhorar a acessibilidade", afirmou.

Para o professor, melhorar a acessibilidade significa melhorar os serviços, o transporte e o deslocamento das pessoas em toda a cidade. "Quando você melhora isso, você melhora a vida de todos", completou.

O convite para seguir o trabalho

Alessandro convidou o público a acompanhar seu trabalho nas redes sociais. "Para quem quiser me seguir, tenho Instagram e Facebook: Alessandro Montano." "Procuro sempre fazer trabalhos que possam ajudar outras pessoas com deficiência", disse.

O professor reforçou que, apesar de existirem órgãos funcionando nessa área, a luta é grande. Sua trajetória — do esporte paralímpico à gestão de acessibilidade — é um exemplo de superação e de compromisso com a inclusão, bandeira que une sua história à de Jeanine Domenech na busca por um Rio mais acessível e humano.

Biografia de Alessandro Montano

Alessandro Montano é professor de educação física, atleta paralímpico e um dos principais defensores da causa da pessoa com deficiência (PCD) no Rio de Janeiro.

Deficiente físico desde 2003, Alessandro transformou a dor em propósito, dedicando sua carreira à acessibilidade, à mobilidade urbana e à inclusão social.

Formado em educação física com licenciatura plena e cinco pós-graduações nas áreas de gestão e gestão esportiva, ele une a experiência de atleta à formação acadêmica.

Sua trajetória no esporte paralímpico inclui passagem pela seleção brasileira de natação e pela seleção brasileira de paracanoagem, onde foi campeão das provas de 200 metros e 500 metros, além de disputar provas sul-americanas representando o Brasil.

Alessandro participou do projeto Rio-2016, sendo um dos paratletas contratados pelo COI para realizar os testes de acessibilidade de mobilidade nos parques olímpicos.

Também é professor de jiu-jitsu e atua na gestão de acessibilidade e mobilidade urbana, trabalhando para melhorar o deslocamento das pessoas com deficiência na cidade.

Sua atuação é marcada pelo compromisso com a inclusão, defendendo que o esporte é a maior ferramenta de transformação social e que a acessibilidade melhora os serviços, o transporte e a vida de toda a população.

Alessandro é reconhecido como um exemplo de garra, superação e dedicação à causa PCD no estado do Rio de Janeiro.

Por Robson Talber @robsontalber

Repórter Antonio Lemos @djportugues

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Por Jornal da República em 14/08/2026
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