Caroline Ting celebra o Dia da Amizade Brasil-China no Rio e defende a filosofia como ponte para entender o outro

Sino-brasileira, pesquisadora de pós-doutorado em Filosofia pela UFRJ, professora apresenta o projeto Dicionário dos Intraduzíveis e explica como o taoísmo ensina a múltiplas formas de ver o mundo

O Dia da Amizade Brasil-China foi celebrado em uma noite especial no Restaurante China Town, na Rua Afonso Pena, 13, na Tijuca, no Rio de Janeiro.

Entre os convidados, a professora de filosofia Caroline Ting, sino-brasileira, trouxe uma perspectiva única sobre os laços entre os dois países: ela é, como define, "fruto dessa união dos dois povos".

Em entrevista, Caroline explicou a importância dessa amizade diplomática e apresentou seu projeto filosófico dedicado ao encontro entre culturas.

O evento, que reuniu culinária tradicional chinesa, apresentações artísticas, música ao vivo e karaokê, integrou as duas comunidades e fortaleceu os laços entre os países.

A data tem significado ainda mais profundo para a pesquisadora, que dedicou sua carreira ao estudo do pensamento oriental.

Foto: Coleção de pinturas no estilo de paisagem em estilo tradicional chinês. “Saudades do Leste”

A filósofa, fruto de dois povos,

Caroline Ting é pesquisadora de pós-doutorado em Filosofia na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e doutora em Arte e Cultura Contemporânea. Sua ligação com Taiwan vem do período em que atuou como pesquisadora visitante no Center for Chinese Studies, onde aprofundou seus estudos em sinologia.

"Esse é um dia especialmente caro para mim, porque eu sou justamente fruto dessa união dos dois povos", afirma. Para ela, Brasil e China são dois países em grande expansão, e a relação diplomática entre eles é extremamente importante para o cenário mundial.

O Dicionário dos Intraduzíveis

O projeto de filosofia desenvolvido por Caroline trabalha justamente com o Dicionário dos Intraduzíveis, uma iniciativa filosófica que busca a empatia com o outro. A proposta é encontrar na filosofia a possibilidade de entender uma cultura distinta da nossa.

"Os intraduzíveis residem nas encruzilhadas em que se produz a equivocidade, onde os caminhos se multiplicam e incitam a traduzir", explica a pesquisadora, que também publica na seção Via do Meio do jornal Hoje Macau, ao lado de outros pensadores dedicados ao diálogo entre Ocidente e Oriente.

Foto: Coleção de pinturas no estilo de paisagem em estilo tradicional chinês. “Saudades do Leste”

A diversidade religiosa como celebração

Questionada sobre a convivência entre a tradição cristã brasileira e as religiões predominantes na China, Caroline destacou que a China também tem uma população enorme de cristãos, apesar de o cristianismo não ser a religião principal do país, onde o budismo e o taoísmo predominam.

"Essa multiplicidade de visões que nos é trazida pelas religiões também deve ser celebrada", defende. Para ela, as possibilidades de entender o mundo através de um Deus ou deuses são projeções das nossas culturas e permitem entender o outro por uma nova forma de pensar.

O taoísmo é a filosofia de Laozi.

Caroline apresentou ao público brasileiro os princípios do taoísmo, religião e filosofia fundada nos ensinamentos de Laozi, que teria sido um estudioso, ou um conjunto de estudiosos, autor do Tao Te Ching, o livro do caminho e da virtude, composto por versos um tanto contraditórios.

"O Tao que pode ser falado não é o eterno; o caminho que pode ser caminhado não é o caminho constante", ilustra, citando o início da obra. A filosofia taoísta apresenta múltiplos caminhos e múltiplas maneiras de ver o mundo, incluindo a ideia de se tornar água, maleável, humilde, que existe na parte mais subterrânea.

A lenda do fio vermelho do destino

Uma das histórias mais encantadoras compartilhadas por Caroline é a mitologia taoísta ligada ao amor. Existe uma divindade chamada Laoyue, o "velho sob a lua", que estaria sentada na lua tecendo fios vermelhos de seda, amarrando aqueles que um dia seriam amantes ou amigos para sempre.

"Em casamentos chineses, a cor vermelha é muito importante. "Muitas vezes vocês veem pulseiras feitas de fios de seda vermelha nos braços dos amantes", explica. O nome desse fio de seda é justamente a palavra usada até hoje para falar de destino — e o próprio caractere de destino contém o radical de fio de seda por causa dessa lenda.

Foto: Coleção de pinturas no estilo de paisagem em estilo tradicional chinês. “Saudades do Leste”

A trajetória acadêmica de Caroline Ting é marcada pela internacionalização. Graduada em História da Arte e Arqueologia pela Universidade Panthéon-Sorbonne, com mestrado pela Universidade Paris-Diderot, na França, concluiu o doutorado na UERJ com período sanduíche na Universidade Nova de Lisboa.

Além da pesquisa em filosofia, Caroline é artista plástica, palestrante TEDx — onde abordou temas como a filosofia do Wabi-sabi e a neurodivergência — e atua como responsável pelas Relações Internacionais da Logica Universalis Association (LUA).

Representou a China em concursos de beleza internacionais, como o Miss Elite, devido à sua ascendência e forte ligação cultural.

Uma ponte entre culturas.

A presença de Caroline Ting na celebração do Dia da Amizade Brasil-China simboliza o propósito do próprio evento: construir pontes entre dois povos. Sua trajetória — da Sorbonne à UFRJ, de Paris a Taiwan — é a materialização do encontro entre Ocidente e Oriente.

"Essa amizade também nos permite a paz, que é o que nós mais almejamos nos dias de hoje", resume a pesquisadora. Em um mundo de múltiplas visões, sua filosofia ensina que entender o outro é o primeiro passo para a harmonia — e que o diálogo entre culturas, como o fio vermelho do destino, tece laços que atravessam gerações.

Biografia de Caroline Pires Ting

Caroline Pires Ting é pesquisadora de pós-doutorado em Filosofia na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e doutora em Arte e Cultura Contemporânea.

Sino-brasileira, ela é fruto da união entre os povos do Brasil e da China, o que moldou sua trajetória dedicada ao diálogo entre Ocidente e Oriente.

Sua formação acadêmica é internacional: graduada em História da Arte e Arqueologia pela Universidade Panthéon-Sorbonne e mestre pela Universidade Paris-Diderot, na França, concluiu o doutorado na UERJ com período sanduíche na Universidade Nova de Lisboa.

Foi pesquisadora visitante no Center for Chinese Studies, em Taiwan, onde aprofundou seus estudos em sinologia. Caroline foca suas pesquisas em Estética, Filosofia da Arte, Sinologia e conexões com o pensamento oriental, integrando o projeto filosófico do Dicionário dos Intraduzíveis, que busca a empatia e a compreensão de culturas distintas.

Ela escreve regularmente para o jornal Hoje Macau, na seção Via do Meio, e atua como responsável pelas Relações Internacionais da Logica Universalis Association (LUA).

Além da carreira acadêmica, é artista plástica e palestrante TEDx, tendo abordado temas como a filosofia do Wabi-sabi e a neurodivergência.

Representou a China em concursos de beleza internacionais, como o Miss Elite, devido à sua ascendência e forte ligação cultural.

Caroline é reconhecida como uma das vozes brasileiras dedicadas à filosofia oriental, unindo erudição, sensibilidade e compromisso com o entendimento entre os povos.

Por Robson Talber @robsontalber 

Repórter Ralph Lichotti @ralphlichottiadvogados

 

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