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O Brasil registrou 1.568 feminicídios em 2025, o maior número desde a tipificação do crime no país e um aumento de 4,7% em relação ao ano anterior, segundo o 19º Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Em 8 de cada 10 casos, o agressor é companheiro ou ex-companheiro da vítima — dado que evidencia que o maior risco para muitas mulheres está dentro de casa.
É nesse contexto que o Agosto Lilás, campanha nacional de conscientização pelo fim da violência contra a mulher, ganha relevância. Um dos principais desafios enfrentados pelas vítimas de abuso, segundo a psicoterapeuta Ana Pinheiro, é reconhecer que a violência não se justifica por nada que a mulher tenha feito. Ela reforça que sentimentos como culpa, vergonha e medo são frequentemente utilizados pelo agressor como mecanismos de controle, dificultando que muitas mulheres identifiquem a situação de violência ou busquem apoio. “Elas passam a questionar suas próprias atitudes e acreditam que poderiam ter evitado o abuso, mas reitero, a responsabilidade é sempre de quem pratica a violência. Romper esse pensamento é um passo fundamental para recuperar a autonomia e a segurança”, afirma Ana Pinheiro.
A profissional destaca que a violência não se manifesta apenas de forma física. Controle excessivo, humilhações, ameaças, isolamento, manipulação emocional e desvalorização também são sinais de relações abusivas — e costumam preceder a agressão física, funcionando como um processo gradual de enfraquecimento da autoestima e da rede de apoio da vítima.
A partir de sua experiência com comportamento, emoções e identidade, Ana Pinheiro elenca alguns pontos que considera essenciais nesse processo. O silêncio protege o agressor, não a mulher: o medo do julgamento, da exposição ou das consequências para a família frequentemente impede a denúncia, e falar sobre a situação é o que permite acessar apoio e interromper o ciclo.
“A vergonha não deve ser carregada pela vítima — muitas mulheres deixam de pedir ajuda por medo de serem julgadas. Pedir ajuda é um ato de coragem: buscar apoio de pessoas de confiança, de profissionais especializados ou da rede de proteção é uma forma concreta de recuperar autonomia e segurança. E a escuta acolhedora transforma trajetórias — familiares, amigos e colegas podem fazer diferença ao ouvir sem julgamentos, acreditar no relato da vítima e incentivar a busca por ajuda”, observa a especialista.
A abordagem da especialista está baseada na compreensão de que a reconexão com a própria identidade e a recuperação da confiança são caminhos importantes para que mulheres retomem o protagonismo sobre suas histórias. “Quando uma mulher reconhece sua própria voz e seu valor, ela amplia sua capacidade de fazer escolhas e construir novos caminhos”, afirma Ana Pinheiro.
Para viabilizar esse primeiro passo, existem canais gratuitos de acolhimento: o Ligue 180, Central de Atendimento à Mulher, funciona 24 horas por dia em todo o território nacional e orienta e encaminha os casos; já em situação de emergência, a orientação é acionar imediatamente o 190.
Sobre Ana Pinheiro
Ana Pinheiro é fisioterapeuta formada pela Unigranrio, com mais de 20 anos de experiência na promoção da saúde, do desenvolvimento humano e do bem-estar emocional. Especialista em Psicoterapia Comportamental pelo CIAR (Centro Internacional de Análise Relacional), método desenvolvido pelo francês André Lapierre, atua na integração entre corpo, emoções e comportamento como caminho para o autoconhecimento e a transformação pessoal. Também é analista e treinadora em Perfil Comportamental (DISC), Master Coach em Identidade Comportamental pela Febracis e psicoterapeuta e palestrante do programa Detran Mulher. Reunindo diferentes abordagens terapêuticas e comportamentais, criou o Sentir em Nós, uma experiência sensorial voltada ao fortalecimento da autoestima, do autoconhecimento e da reconexão entre corpo, emoção e identidade.
Instagram: @oficial.draanapinheiro
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