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O Rio de Janeiro viveu momento de mobilização rara. No evento "Encontro com Propósito", realizado na loja Mercosul do Shopping Uptown, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e profissionais de saúde ocuparam espaço público para apresentar o projeto Mapas, iniciativa que promete transformar a forma como o estado enfrenta carências de atendimento em saúde reabilitadora.
No centro dessa articulação está o Dr. Leandro Azeredo, fisioterapeuta especialista em fisioterapia respiratória e do sono, coautor do projeto Mapas e professor universitário que forma novas gerações de profissionais.
O projeto Mapas não é apenas iniciativa de categoria. É estudo epidemiológico que visa mapear carências existenciais de atendimento de fisioterapia e terapia ocupacional para o estado do Rio de Janeiro.
Dr. Leandro sintetiza a importância: "São 92 municípios em que a gente não tem uma assistência, uma cobertura de terapia ocupacional, de fisioterapia ampla, completa e de qualidade."
Esse mapeamento fornecerá dados que permitirão gestão pública de qualidade, transformando a realidade da população que historicamente foi negligenciada.
A realidade de 92 municípios sem cobertura adequada
Rio de Janeiro tem 92 municípios. Em muitos deles, a população não tem acesso a fisioterapeutas ou terapeutas ocupacionais. A situação é ainda mais crítica para terapia ocupacional: em muitos municípios, cobertura é zero.
Isso significa que crianças com deficiência, idosos em recuperação, pessoas com doenças crônicas não têm acesso a profissionais que poderiam melhorar qualidade de vida.
Essa carência não é acidental. Reflete falta de políticas públicas que integrem fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais em atenção primária à saúde. Reflete falta de investimento em formação de profissionais. Reflete falta de representatividade política que consiga transformar demandas de categoria em legislação.
O projeto Mapas visa quebrar esse ciclo ao fornecer dados que gestores públicos precisam para tomar decisões informadas.
Dados como ferramenta de gestão pública.
Dr. Leandro é claro: "Com dados, a gente consegue fazer gestão pública de qualidade." Essa afirmação encapsula o objetivo do projeto Mapas. Não é apenas denúncia de carências.
É ferramenta que permite que gestores públicos direcionem recursos de forma estratégica. Permite que profissionais se organizem para atender demandas reais. Permite que a população finalmente tenha acesso aos serviços de que precisa.
O projeto Mapas coleta informações sobre cobertura de fisioterapia e terapia ocupacional em cada município. Identifica regiões onde a população não tem acesso a profissionais. Identifica especialidades que faltam. Identifica demandas não atendidas. Com esses dados, é possível propor políticas públicas que democratizem o acesso à saúde reabilitadora.
A profissão que não desaparece com tecnologia
Dr. Leandro aborda questão que preocupa muitos profissionais: impacto de inteligência artificial e automação em profissões de saúde. Sua resposta é direta: "Terapia ocupacional, a fisioterapia não vai mudar. Muito pelo contrário, ela está se automatizando." Significa que a profissão evolui, incorpora tecnologia, mas a demanda por profissionais cresce.
Pesquisa sobre futuro do trabalho em saúde demonstra que profissões que envolvem contato humano, avaliação clínica complexa e intervenção personalizada tendem a crescer mesmo com automação.
Fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais trabalham com robótica, tecnologia de reabilitação e pesquisa baseada em evidências. Mas o núcleo da profissão, contato com paciente, avaliação clínica, adaptação de tratamento, permanece essencialmente humano.
A demanda que continua crescendo
Dr. Leandro enfatiza: "A procura continua grande e há uma demanda enorme da população." Isso reflete a realidade: a população envelhece, doenças crônicas aumentam, sequelas de COVID-19 demandam reabilitação, crianças com deficiência precisam de atendimento. Demanda por fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais é estrutural, não conjuntural.
Universidades continuam recebendo muitos candidatos para cursos de fisioterapia. Terapia ocupacional também cresce em procura. Mas formação acadêmica não é suficiente se profissionais não conseguem trabalhar com dignidade, com salários justos, com políticas públicas que integrem suas especialidades.
Aqui entra a importância da representatividade política.
A pesquisa como diferencial
Dr. Leandro destaca que Dr. Renato de Paula representa também pesquisa e estudo na área de fisioterapia e terapia ocupacional.
Sua formação como neurocientista, com doutorado em Clínica Médica pela UFF e pesquisa em neurociência pelo Imperial College London, o coloca em posição privilegiada para defender categoria que valoriza ciência.
Quando o representante no parlamento entende pesquisa, consegue influenciar políticas públicas baseadas em evidências. Consegue defender investimento em educação continuada.
Consegue promover integração de profissionais em serviços de saúde que usam tecnologia e conhecimento científico. Essa combinação de prática clínica com pesquisa é diferencial que Dr. Renato oferece.
O próximo passo: transformar dados em ação.
Dr. Leandro deixa claro que o projeto Mapas é apenas o primeiro passo. Dados precisam se transformar em ação. Em políticas públicas. Em investimento em formação.
Em reconhecimento legislativo. Em salários dignos. Em integração de fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais em atenção primária à saúde.
Isso só acontece quando a categoria se organiza politicamente. Quando ocupa espaços de poder. Quando consegue eleger representantes que entendem as necessidades de profissionais.
O evento "Encontro com Propósito" é mobilização nessa direção. Projeto Mapas é ferramenta que fornece dados para sustentar essa luta.

Por Robson Talber @robsontalber
Repórter Antonio Lemos @djportugues
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