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O Rio de Janeiro viveu momento de mobilização rara. No evento "Encontro com Propósito", realizado na loja Mercosul, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e profissionais de saúde ocuparam espaço público para reivindicar reconhecimento econômico, político e social.
No centro dessa articulação está a Dra. Cátia Coimbra, fisioterapeuta com 35 anos de experiência e presidente da Associação de Fisioterapeutas do Estado do Rio de Janeiro (AFERJ), que sintetiza a luta: a profissão tem carências salariais, educacionais e de saúde que exigem representatividade forte no parlamento.
O evento não é apenas campanha eleitoral. É mobilização de categoria que ouve líderes de várias regiões, do norte ao Centro-Oeste do estado, e lança o programa Mapas, iniciativa que visa mapear necessidades de fisioterapeutas em todo o Rio de Janeiro.
Dra. Cátia deixa claro: a profissão precisa de um líder que consiga defender direitos de mais de 80 mil profissionais aptos no estado. Precisa de alguém que entenda que fisioterapia não é complemento, é profissão autônoma com 16 especialidades reconhecidas pelo COFFITO.
As 16 especialidades que definem a profundidade profissional
Fisioterapia tem mais de 50 anos como profissão no Brasil. Historicamente considerada nova em relação a outras áreas, evoluiu significativamente. Hoje abrange 16 especialidades reconhecidas pelo Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (COFFITO): fisioterapia aquática, esportiva, cardiovascular, respiratória, neurológica, ortopédica, dermatofuncional, saúde da mulher, pediatria, gerontologia, terapia intensiva, saúde do trabalhador, oncologia, fisioterapia forense e previdenciária.
Essa diversidade demonstra complexidade profissional que vai muito além de reabilitação convencional. Dra. Cátia enfatiza: fisioterapeutas atuam em neurologia, terapia intensiva, dermatofuncional, pediatria.
Cada especialidade exige formação contínua, atualização científica e prática baseada em evidências. Quando a população entende essa amplitude, muda a percepção sobre a profissão.
O fortalecimento pós-COVID que precisa ser mantido
A pandemia de COVID-19 trouxe reconhecimento inesperado. Fisioterapeutas respiratórios e de terapia intensiva foram essenciais no tratamento de pacientes graves. Reabilitação cardiopulmonar ganhou visibilidade.
Pesquisa da SciELO sobre reabilitação cardiopulmonar em pacientes pós-COVID-19 demonstra que fisioterapeutas, atuando em equipes multidisciplinares com cardiologistas e enfermeiros, conseguem resultados mensuráveis em recuperação funcional.
Mas, Dra. Cátia alerta: profissão não quer ser lembrada apenas em ocasiões. Não quer ser importante só durante a Copa do Mundo ou pandemias. Quer reconhecimento permanente.
Quer que a população entenda que fisioterapia é essencial em neurologia, terapia intensiva, dermatofuncional e pediatria. Quer que gestores públicos invistam em políticas de saúde que integrem fisioterapeutas desde a atenção primária.
A carência educacional que limita profissão
Dra. Cátia passou por vários percalços para se formar. Hoje lidera grande associação e quer fortalecer profissão que tem carências educacionais. Significa que nem todos os municípios têm acesso a cursos de especialização.
Significa que a formação inicial em universidades públicas é limitada. Significa que educação continuada é cara e inacessível para muitos profissionais.
O programa Mapas visa identificar essas carências. Ao mapear o estado do Rio de Janeiro, consegue localizar regiões onde fisioterapeutas não têm acesso à educação continuada. Consegue identificar municípios onde não há especialistas em áreas críticas? Consegue propor políticas públicas que democratizem o acesso a conhecimento.
A representatividade que transforma realidade.
Dra. Cátia é clara: profissão precisa não só de fisioterapeutas ajudando Dr. Renato de Paula. Precisa de pacientes, familiares que conheçam a luta de profissionais, vindo junto nessa campanha. Precisa de corrente enorme que consiga eleger liderança forte no parlamento estadual.
Essa mobilização transcende campanha eleitoral. É reconhecimento de que mudança só acontece quando a categoria se organiza politicamente.
Quando ocupa espaços de poder. Quando transforma reconhecimento técnico em poder político real. Quando consegue eleger representantes que defendem políticas públicas de saúde que integrem fisioterapeutas.
O apelo para a população e familiares
Durante o evento, Dra. Cátia faz apelo direto: "A gente tá aí olhando para vocês, olhando pros e precisamos que vocês olhem pra gente também." Essa frase encapsula o objetivo da mobilização. Não são apenas profissionais pedindo reconhecimento. É categoria inteira pedindo que a população entenda a importância da fisioterapia.
Quando o paciente se recupera de cirurgia, é o fisioterapeuta que devolve mobilidade. Quando o idoso recupera a capacidade de caminhar, é o fisioterapeuta que trabalha. Quando criança com deficiência consegue desenvolver habilidades, é fisioterapeuta que orienta. Quando atleta se recupera de lesão, é fisioterapeuta que reabilita. Essa importância precisa ser reconhecida.

Por Robson Talber @robsontalber
Repórter Antonio Lemos @djportugues
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