Dr. Wagner Bezerra mobiliza fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais com projeto Mapas no Rio de Janeiro

Presidente do Sindicato defende politização da categoria e reconhecimento como agentes de saúde pública em evento que reúne mais de 80 mil profissionais

O Rio de Janeiro viveu momento de mobilização rara. No evento "Encontro com Propósito", realizado na loja Mercosul do Shopping Amptal Barra, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e profissionais de saúde ocuparam espaço público para reivindicar reconhecimento econômico, político e social.

No centro dessa articulação está o Dr. Wagner Bezerra, presidente do Sindicato dos Fisioterapeutas e Terapeutas Ocupacionais do Estado do Rio de Janeiro (SINFITO-RJ), que apresentou o projeto Mapas como ferramenta de transformação profissional e política.

O projeto Mapas não é apenas iniciativa sindical. É estratégia de conscientização que busca fazer fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais se enxergarem como agentes de saúde pública e vetores de transformação política.

Dr. Wagner sintetiza o objetivo: profissionais precisam aprender desde cedo a se organizar economicamente, politicamente e socialmente, indo além da formação acadêmica tradicional. No Rio de Janeiro, mais de 80 mil profissionais estão aptos a exercer essas funções. Essa é a força que o projeto Mapas quer mobilizar.

O reconhecimento que vai além da clínica.

A luta de fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais não é nova, mas ganha profundidade com o projeto Mapas. Historicamente, essas categorias foram vistas como assistentes terapêuticos, profissionais complementares.

Dr. Wagner, inverta essa narrativa: são profissionais autônomos, independentes e de primeiro contato, com capacidade de fazer diagnóstico, prognóstico, solicitar exames complementares e dar alta terapêutica.

A legislação reconhece essa autonomia. Fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais podem receber pacientes tanto por demanda dirigida quanto por demanda espontânea.

Quando um paciente chega com quadro clínico que exige readaptação, reeducação e reabilitação, o fisioterapeuta é o profissional indicado. Não precisa de intermediação médica. Essa capacidade técnica, porém, não se traduz em reconhecimento social ou político equivalente ao de outras profissões de nível superior.

As especialidades que definem a profundidade

Dr. Wagner deixa claro durante o evento: fisioterapia possui 16 especialidades reconhecidas. Terapia ocupacional possui sete.

Essa diversidade de atuação demonstra complexidade profissional que vai muito além de reabilitação convencional. Fisioterapeutas atuam em neurologia, ortopedia, cardiologia, pneumologia, pediatria, gerontologia, saúde do trabalhador.

Terapeutas ocupacionais trabalham em reabilitação psicossocial, inclusão de pessoas com deficiência, desenvolvimento infantil e saúde mental.

Essa especialização exige formação contínua, atualização científica e prática baseada em evidências. O projeto Mapas reconhece essa realidade ao propor que profissionais entendam suas especialidades dentro do contexto municipal e estadual, aprendendo a influenciar políticas públicas de saúde de forma estratégica.

A multidisciplinaridade como força

Fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais trabalham em equipes multidisciplinares. Conhecem professores de educação física, psicólogos, fonoaudiólogos, nutricionistas. Essa rede de conhecimento permite que façam indicações dirigidas, encaminhamentos apropriados e condutas clínicas integradas.

Quando um paciente chega com situação clínica complexa, o fisioterapeuta sabe exatamente qual profissional é necessário.

Essa capacidade de articulação profissional é um ativo que o projeto Mapas quer potencializar. Se fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais aprendem a se organizar politicamente, podem influenciar políticas públicas de saúde de forma integrada, articulando com outras categorias e com gestores públicos.

O desafio de se politizar

Dr. Wagner é claro: profissionais precisam se politizar e se posicionar adequadamente. Isso significa entender como influenciar a saúde pública do município e do estado. Significa participar de conselhos de saúde, articular com vereadores e deputados, mobilizar categoria em torno de demandas comuns.

O projeto Mapas é ferramenta para isso.

Ele próprio é exemplo dessa politização. Como presidente do SINFITO-RJ e conselheiro do CREFITO-2, além de delegado e conselheiro titular do Conselho Municipal de Saúde, Dr. Wagner ocupa espaços de poder onde pode influenciar decisões sobre saúde pública.

Sua trajetória mostra que é possível combinar prática clínica com atuação política.

O reconhecimento que transforma realidade.

Quando a população entende que fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais são profissionais de primeiro contato, com autonomia clínica e capacidade diagnóstica, muda a forma como acessa saúde.

Deixe de esperar por encaminhamento médico para procurar fisioterapeuta. Busca diretamente o profissional quando sabe que precisa de reabilitação, readaptação ou reeducação.

Esse reconhecimento tem impacto econômico direto. Profissionais conseguem expandir atuação, aumentar demanda, melhorar renda.

Tem impacto social: população acessa saúde de forma mais eficiente, com profissionais especializados. Tem impacto político: categoria ganha força para reivindicar políticas públicas, piso salarial, reconhecimento legal.

Os próximos passos do projeto Mapas

O projeto Mapas não termina no evento. É processo contínuo de conscientização, organização e mobilização. Dr. Wagner deixa claro que o objetivo é fazer com que fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais entendam que são vetores de transformação política, não apenas profissionais de saúde.

Isso significa participação em eleições, apoio a candidatos que defendem saúde pública, articulação com gestores municipais e estaduais, mobilização de categoria em torno de demandas comuns. Significa transformar reconhecimento técnico em poder político real.

Por Robson Talber @robsontalber 

Repórter Renata Barbosa @beleza.naotemidade

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Por Jornal da República em 07/07/2026
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