Advogado de Garotinho volta ao ataque — Travancas entra com ações para impugnar candidaturas de Canella e Rueda.

Professor Doutor Victor Travancas, advogado do ex-governador Anthony Garotinho, transforma a disputa eleitoral de 2026 em uma batalha jurídica de alto calibre. Em duas ações, ele questiona registros de candidaturas e exige que Justiça Eleitoral, Ministério Público, Polícia Federal e STF coloquem as cartas sobre a mesa.

Advogado de Garotinho volta ao ataque — Travancas entra com ações para impugnar candidaturas de Canella e Rueda.

O HOMEM QUE ENTROU NO RINGUE

Se a política fluminense tem seus pesos-pesados, Anthony Garotinho acaba de colocar novamente em campo um advogado disposto a jogar no ataque. Professor Doutor Victor Travancas, Mestre e Doutor em Direito Constitucional, aparece como o responsável jurídico por duas das mais explosivas investidas eleitorais apresentadas pelo ex-governador nas Eleições de 2026. 

Nos documentos, Travancas não se limita a fazer acusações políticas: ele pede diligências, documentos oficiais, certidões, informações de órgãos de investigação e o exame judicial de questões que podem atingir diretamente candidaturas adversárias.

O primeiro alvo é Márcio Canella, candidato a deputado estadual. O segundo é Antônio Rueda, candidato a deputado federal. Em ambos os casos, Garotinho aparece como impugnante e Travancas como seu advogado. A estratégia é clara: transformar aquilo que poderia permanecer no terreno da guerra política em matéria de prova, documentos e decisões judiciais. 

No caso de Canella, a ação pede que, caso sejam comprovadas causas legais de inelegibilidade, o registro seja indeferido.

TRAVANCAS APERTA O BOTÃO VERMELHO

Na ação contra Rueda, Travancas mira dois pontos particularmente sensíveis: a regularidade do domicílio eleitoral e a estrutura política que sustenta a candidatura no Rio. A petição questiona se existia, antes da transferência, vínculo juridicamente idôneo com o município escolhido e pede acesso ao procedimento de transferência, inclusive ao RAE e aos documentos utilizados para comprovar o vínculo eleitoral.

Mas é a segunda frente que faz a temperatura subir. Segundo a documentação apresentada, a candidatura de Rueda estaria politicamente associada à antiga aliança com Márcio Canella e à estrutura territorial de Belford Roxo. 

A própria representação de Garotinho, de 7 de abril de 2026, menciona Rueda como candidato apoiado por Canella e o descreve como beneficiário da estrutura política construída no município. Travancas leva essa conexão para dentro do processo eleitoral e pede que ela seja examinada à luz das regras constitucionais que protegem a liberdade e a normalidade das eleições.

A BOMBA CHAMADA EDUARDO ARAÚJO

Um dos elementos mais fortes da ação contra Rueda é a referência a Eduardo Araújo. Segundo a documentação juntada, ele teria sido condenado a oito anos de reclusão pela prática do crime de constituição de milícia privada, previsto no artigo 288-A do Código Penal. Seu registro de candidatura de 2024 também teria sido indeferido, decisão posteriormente mantida pelo Tribunal Superior Eleitoral.

A petição, porém, vai além do histórico judicial. Segundo os documentos apresentados, Eduardo Araújo teria permanecido integrado à estrutura política de Canella e, nas eleições de 2026, aparecido em publicações promovendo conjuntamente as candidaturas de Rueda e Canella. 

A tese jurídica de Travancas é que essa eventual atuação eleitoral contemporânea precisa ser investigada, especialmente diante do artigo 17, §4º, da Constituição Federal, que proíbe a utilização de organização paramilitar pelos partidos políticos.

NÃO É SÓ UM PROCESSO — É UMA OFENSIVA

Travancas não pede simplesmente que o Tribunal escolha um lado na briga política. 

A estratégia adotada é mais sofisticada: pedir que as instituições busquem as provas que estão fora do alcance direto do candidato. 

No caso de Canella, a ação requer informações ao MPRJ, GAECO, STF, PGR e Polícia Federal, além de documentos da Prefeitura de Belford Roxo, da ALERJ e do Poder Judiciário.

Na ação contra Rueda, a mesma lógica aparece: o advogado requer documentos sobre a transferência eleitoral, informações oficiais e elementos capazes de esclarecer a situação jurídica dos envolvidos. 

A petição chega a pedir que, se demonstrada interferência direta ou indireta de estrutura paramilitar juridicamente relevante no processo eleitoral, a impugnação seja julgada procedente e o registro de Rueda seja indeferido.

O RECADO DE GAROTINHO

A assinatura de Travancas nas duas peças também revela algo politicamente importante: Garotinho não está fazendo uma campanha jurídica de baixa intensidade. 

Está utilizando o processo eleitoral como arena institucional para confrontar adversários e obrigar as instituições a responderem perguntas que, até então, poderiam permanecer no campo das acusações políticas. 

E o advogado escolhido para essa missão é um constitucionalista que não parece interessado em jogar na defensiva.

No rodapé das peças, o currículo fala por si: Professor Doutor Victor Travancas, advogado,, Mestre e Doutor em Direito Constitucional. É ele quem aparece formalmente conduzindo as ofensivas jurídicas do ex-governador.

A eleição de 2026 acaba de ganhar um novo personagem. Enquanto candidatos disputam palanques, Travancas disputa autos, provas, certidões e decisões. Sua arma não é o microfone: é a petição. Seu palco não é apenas o comício: é o Tribunal Regional Eleitoral.

E a mensagem deixada nas duas ações é brutalmente simples: se existe prova, que apareça; se existe investigação, que seja esclarecida; se existe irregularidade, que seja julgada.

Garotinho pode estar disputando uma eleição. Mas, nos bastidores jurídicos, seu advogado parece ter declarado uma guerra muito maior: uma batalha para impedir que qualquer candidatura adversária passe pela eleição sem ser submetida ao escrutínio máximo da Justiça Eleitoral.

Victor Travancas entrou em campo. E, desta vez, os adversários de Garotinho sabem exatamente onde encontrá-lo: nos autos.

Por Jornal da República em 16/08/2026
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