Bahia e Rio: Chico César, Gilsons, Pretinho da Serrinha e Carlinhos 7 Cordas se encontram em show no Circo Voador

Bahia e Rio: Chico César, Gilsons, Pretinho da Serrinha e Carlinhos 7 Cordas se encontram em show no Circo Voador


Tradição musical de mais de três séculos do Terreiro do Bogum, em Salvador, encontra o samba e diferentes gerações da música brasileira no Rio

Uma tradição musical preservada há mais de três séculos dentro do Terreiro do Bogum, em Salvador, chega ao Rio de Janeiro para um encontro com diferentes gerações da música brasileira. Em 24 de setembro, o Aguidavi do Jêje se apresenta no Circo Voador, ao lado de Chico César, Gilsons, Pretinho da Serrinha e Carlinhos 7 Cordas, em uma noite que coloca os tambores e os saberes de terreiro no centro do palco.

“Já havia uma conexão muito forte entre nós, construída em encontros anteriores. A música do Aguidavi do Jêje tem uma origem religiosa e a minha parte de uma perspectiva secular, mas ambas se encontram na tradição e na ancestralidade africana. A música brasileira tem uma relação profunda com as matrizes musicais africanas e não há como separar a nossa música dessa tradição que vem dos terreiros. São elementos que muitas vezes estão presentes de forma sutil, mas, quando acontece um encontro como esse com o Aguidavi, essa conexão fica explícita. Para mim, estar com eles fortalece a dimensão de transcendência do meu trabalho e da minha própria existência. E isso é muito bonito”, afirma Chico César.

Formado por 14 ogãs, o Aguidavi do Jêje reúne mais de 18 instrumentos, entre eles 15 atabaques confeccionados artesanalmente por Luizinho do Jêje no próprio Terreiro do Bogum. A formação nasceu dentro de um dos mais antigos terreiros de Candomblé do Brasil e tem na transmissão oral, na convivência e na prática os principais caminhos para a preservação de sua musicalidade.  

No espetáculo, a estrutura percussiva do grupo encontra artistas que levam seus próprios repertórios e linguagens para o palco. A proposta é construir uma apresentação a partir do diálogo entre diferentes trajetórias da música brasileira, aproximando a tradição do terreiro de sonoridades ligadas ao samba, à canção e à música popular contemporânea.

O Aguidavi do Jêje carrega uma tradição musical mantida há gerações no Terreiro do Bogum, em Salvador. Seus integrantes são ogãs e aprenderam os fundamentos musicais a partir da convivência no terreiro, em um processo baseado na escuta, na oralidade e na prática.

“É de uma importância muito grande para a gente mostrar nossa música de raiz, nossa composição e nossa batida, que vêm do terreiro de Candomblé da nação Jêje. O Encontro Ancestral é uma oportunidade de levar essa música para o mundo e, ao mesmo tempo, encontrar artistas de diferentes estilos e criar novas levadas para suas canções, trazendo a nossa linguagem dos atabaques. Foi um processo de muita dedicação e cuidado, e o resultado é um projeto muito autoral, que encanta o público e mostra a força da nossa raiz e da nossa cultura”, destaca o Aguidavi do Jêje.


Sob a direção de Luizinho do Jêje e Kainã do Jêje, a orquestra transforma esse conhecimento em uma arquitetura musical própria, construída a partir dos atabaques e de outros instrumentos de percussão. Os ritmos de matriz Jêje-Mahi preservados no terreiro atravessam gerações e chegam ao palco em diálogo com diferentes formas da música brasileira.


A trajetória do grupo ganhou projeção nacional em 2024, quando o Aguidavi do Jêje se tornou a primeira orquestra afro-percussiva indicada ao Grammy Latino com um álbum. O grupo também participou da gravação de “Violão de Cabaça”, com Gilberto Gil, ampliando os encontros entre sua sonoridade e outros nomes da música brasileira.

Do terreiro ao encontro com o Brasil

A apresentação no Rio faz parte de uma circulação que começa em São Paulo, no dia 20 de setembro, na Casa Natura Musical, com Chico César, Kabé Pinheiro e Peu Meurray. Depois do Circo Voador, o Aguidavi segue para Porto Alegre, em 27 de setembro, onde encontra Davi Moraes e Emanuelle Araújo no Bar Opinião. O percurso termina em Salvador, em 13 de novembro, na Concha Acústica, com Chico César, BaianaSystem e Ilessi.

A circulação constrói um caminho de ida e volta. A música preservada no Terreiro do Bogum parte de Salvador, encontra diferentes artistas e públicos pelo Brasil e retorna à Bahia, reafirmando a vitalidade de uma tradição que segue criando novos diálogos no presente.


Serviço

Evento: Encontro Ancestral 
Local: Circo Voador, Rio de Janeiro
Data: 24 de setembro de 2026
Artistas: Aguidavi do Jêje, Chico César, Gilsons, Pretinho da Serrinha e Carlinhos 7 Cordas
Ingressos:https://www.eventim.com.br/artist/circo-voador/aguidavi-do-jeje-convida-chico-cesar-e-gilsons-4220625/

Por Jornal da República em 21/09/2026
Aguarde..