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A cinco dias do segundo turno, o PL e partidos do chamado Centrão já articulam nos bastidores um acordo para dividir os comandos da Câmara e do Senado em 2027, antes mesmo de o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) vencer ou não a eleição presidencial. A negociação revela a disputa antecipada pelo controle das duas Casas do Congresso Nacional, com a força da nova configuração dos eleitos e reeleitos.
O PL não pretende abrir mão da presidência do Senado, mas aceitaria deixar a Câmara com o Centrão. O objetivo declarado do partido é assegurar influência sobre uma Casa com poderes decisivos em relação ao Supremo Tribunal Federal (STF).
O plano para a Câmara
Para presidir a Câmara dos Deputados, o nome que ganhou tração entre bolsonaristas e Centrão é o do deputado Silvio Costa Filho (Republicanos-PE), ex-ministro de Portos e Aeroportos no governo Lula entre setembro de 2023 e março de 2026. Ele foi reeleito pela terceira vez com 170 mil votos, seu melhor resultado eleitoral.
A indicação foi apresentada pelo presidente do Republicanos, deputado Marcos Pereira, em conversas com o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante; o presidente do União Brasil, Antônio Rueda; e representantes do PP. Segundo interlocutores, o nome de Costa Filho foi bem recebido e considerado “palatável”.
A justificativa de Pereira é que, apesar de ter integrado o governo Lula, Costa Filho teria mantido uma atuação “ecumênica” na Câmara, atendendo parlamentares do governo e da oposição em demandas como liberação de emendas e audiências públicas. Antes de integrar o governo petista, o deputado havia sido aliado do governo de Jair Bolsonaro e apoiador da reforma da Previdência conduzida pelo então ministro Paulo Guedes.
A disputa pelo Senado
No Senado, o PL defende a candidatura do senador eleito Rogério Marinho (PL-RN), chefe da campanha de Flávio Bolsonaro. A preferência foi declarada publicamente pelo presidente do partido, Valdemar Costa Neto, e também defendida em conversas reservadas por Sóstenes Cavalcante.
Outro nome em avaliação é o do alagoano Arthur Lira (PP-AL), recém-eleito senador e ex-presidente da Câmara. Lira comandou a Casa no segundo biênio do governo Jair Bolsonaro e no primeiro biênio do terceiro mandato de Lula.
A escolha do deputado Alfredo Gaspar (União Brasil-AL) como vice na chapa de Flávio Bolsonaro também é lida nos bastidores como parte dessa articulação. Segundo a reportagem, Gaspar foi escolhido para não atrapalhar os planos senatoriais de Lira, já que antes de entrar na chapa presidencial ele cogitava disputar uma vaga no Senado.
Por que o Senado importa
O interesse do PL pelo comando do Senado está ligado à bandeira “fora STF”, defendida por setores do bolsonarismo. A Casa é a única instituição que tem competência para aprovar ou rejeitar indicados pelo presidente da República ao Supremo e para processar ministros da Corte por crimes de responsabilidade.
Alexandre de Moraes seria “candidatíssimo” a um eventual processo de impeachment no Senado, em um cenário de vitória ou não de Flávio Bolsonaro, mas de controle bolsonarista da Casa.
Acordo ainda depende das urnas
Bolsonaristas e Centrão pretendem selar o entendimento assim que terminar a eleição. As negociações seguiriam até fevereiro de 2027, quando deputados e senadores elegerão os presidentes da Câmara e do Senado.
O arranjo, porém, enfrenta concorrência: uma reportagem do Estadão publicada nesta terça-feira (20) indica que integrantes dos partidos de centro e centro-direita articulam manter Hugo Motta (Republicanos-PB) na presidência da Câmara, inclusive com possível aproximação do PT, como forma de preservar a autonomia do Legislativo diante do avanço do PL.
Na prática, a disputa antecipada mostra que, independentemente do resultado do segundo turno, o comando do Congresso já se tornou o principal objeto de negociação entre bolsonarismo, Centrão e demais forças parlamentares.
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