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Freixo, na Cinelândia com Lula: "de um lado a democracia, do outro o crime"
Deputado federal pelo PT e ex-presidente da CPI das Milícias, Marcelo Freixo (1331) conversou com a Última Hora Online no ato que lotou o Centro do Rio: avaliou a reta final, confrontou o histórico do adversário com o crime organizado e celebrou a reconstrução do turismo brasileiro.

A reta final na Cinelândia
A dois dias do primeiro turno, o Rio de Janeiro tomou as ruas com o presidente Lula, e a Cinelândia virou o palco do último grande ato da campanha no estado. Entre as lideranças que discursaram em meio à multidão estava Marcelo Freixo, candidato a deputado federal pelo PT com o número 1331, que concedeu entrevista à Última Hora Online no coração do evento.
Para ele, a campanha vive o melhor momento da corrida: "Está na rua, uma multidão aqui no Rio de Janeiro com o Lula, confiança muito grande. A campanha está no crescente, a gente está abrindo distância em relação ao Flávio Bolsonaro". O otimismo, explicou, tem alvo definido: "O Flávio é uma mentira atrás da outra, é escândalo, é a relação com milícia. O Rio de Janeiro não pode ter alguém com esse histórico dele na Presidência da República. O Brasil sabe disso".
"A vitória da democracia"
O historiador definiu o que está em jogo no domingo (4) em termos que transcendem a disputa eleitoral: "É a vitória da democracia, né? Não é a vitória de um partido, não é a vitória só de um campo. É a vitória das instituições, da democracia, da regularidade democrática no país. É isso que está em jogo".
Na avaliação dele, a eleição reúne forças que já se enfrentaram antes — e os adversários de hoje, diz, estiveram no outro lado: "Os mesmos que estão querendo ganhar a eleição agora foram os que tentaram o golpe, foram os que defenderam a ditadura. Então, a vitória do Lula é necessária".
O histórico que a CPI revelou
Poucas pessoas conhecem tão de perto as ligações da família Bolsonaro com as milícias quanto Freixo: foi ele quem presidiu a CPI das Milícias da Assembleia Legislativa do Rio, em 2008. O relatório da comissão, aprovado em dezembro daquele ano, pediu o indiciamento de 266 pessoas, entre elas sete políticos — um marco no enfrentamento ao crime organizado fluminense.
Na entrevista, ele lembrou que Flávio empregou no gabinete a mãe e a esposa do capitão Adriano da Nóbrega, miliciano morto em 2020, e o homenageou com a Medalha Tiradentes, a mais alta honraria da Alerj. Citou ainda o major Ronaldo, preso por integrar milícia, e o coronel Cláudio, condenado no assassinato da juíza Patrícia Acioli — ambos, segundo ele, homenageados pelo senador ao longo dos anos.
"Foi ele que, em discurso na Assembleia, disse que a milícia era uma instituição que tinha que ser respeitada. A relação deles com a milícia é antiga, não é de hoje. Está mais do que comprovado", resumiu Freixo.
Milícia, Comando Vermelho e a campanha
Questionado sobre a proximidade entre o crime organizado e o entorno político do adversário, Freixo respondeu com uma palavra: "Estão presos". E enumerou: todas as prisões recentes, lembra, atingiram figuras ligadas ao governo Cláudio Castro e à base de Jair e Flávio Bolsonaro.
Estão nessa lista o deputado estadual TH Jóias, preso em setembro de 2025 sob suspeita de ligação com o Comando Vermelho, e o ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar, preso pela Polícia Federal em dezembro de 2025 por vazar informações de operação sigilosa para o colega — e detido novamente em março de 2026. "O presidente da Assembleia era da chapa do Flávio Bolsonaro. Seria hoje o governador se a Polícia Federal não tivesse preso", afirmou.
A reportagem da PF também já alcançou o palanque: o indicado por Flávio ao Senado, Márcio Canella, foi preso em julho com um fuzil, e o TRE do Rio indeferiu neste mês registros de candidatos por vínculo com organização criminosa. "A gente está enfrentando, de um lado, a democracia; do outro lado, o crime. É o que está em jogo", concluiu.
O balanço do turismo: um país que volta a ser respeitado
Convidado pela reportagem a falar de propostas positivas, Freixo apresentou a gestão que comandou à frente da Embratur entre 2023 e 2026. Ele definiu como trágica a herança recebida: "Não se relacionava bem com nenhum país, não promoveu o Brasil, não respeitou a questão climática. Foi a tragédia de imagem do Brasil. A gente recuperou muito rápido".
Os números dão sustentação à avaliação: em 2025, o país recebeu 9,3 milhões de turistas internacionais, superando a meta prevista para 2027, e já mira a marca de 10 milhões neste ano. As receitas do setor bateram recordes — US$ 6 bilhões só em nove meses — e o turismo responde hoje por cerca de 8% do PIB brasileiro. "Nós aumentamos em três vezes o número de turistas. Isso é emprego, isso é renda, é um país que volta a ser respeitado. Por isso é importante eleger Lula", disse.
Hora de pedir o voto
Encerrando a conversa, Freixo fez o apelo final: "Agora eu tô pedindo voto. Marcelo Freixo, deputado federal, 1331. Lula, 13. Benedita, 131. Vamos ganhar. Vamos nessa".
Perfil — quem é Marcelo Freixo
Marcelo Ribeiro Freixo, 59 anos, nasceu em Niterói (RJ) e é historiador de formação. Professor por vocação, construiu a vida pública na defesa dos direitos humanos: vereador e, por três mandatos, deputado estadual, ganhou projeção nacional ao presidir a CPI das Milícias em 2008, trabalho que se tornou referência no combate ao crime organizado. Foi deputado federal entre 2019 e 2022 e, nomeado pelo presidente Lula para a presidência da Embratur, liderou a sequência de recordes do turismo internacional brasileiro, deixando o cargo em março deste ano. Agora, disputa pelo PT uma vaga na Câmara dos Deputados, na Federação Brasil da Esperança. Amigo de Marielle Franco — morta em 2018 em um crime que segue como símbolo da violência política —, permanece uma das vozes mais ativas no enfrentamento às milícias.

Por Ralph Lichotti - Advogado e Jornalista, Editor do Ultima Hora Online e Jornal da República, Foi Sócio Diretor do Jornal O Fluminense e acionista majoritário do Tribuna da Imprensa, Secretário Geral da Associação Nacional, Internacional de Imprensa - ANI, Ex- Secretário Municipal de Receita de Itaperuna-RJ, Doutor Honoris Causa em Direito e Ciências Políticas, Acadêmico da ABRASCI , Ex-Presidente da Comissão de Sindicância e Conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa - ABI - MTb 31.335/RJ
Por Robson Talber
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Fontes consultadas: Revista Fórum – Freixo e o histórico de Flávio · Viomundo – homenagem ao capitão Adriano · Agência Lupa – relatório da CPI das Milícias · UOL – CPI aprovada em 2008 · Sul21 – Flávio já defendeu milícias · Amaerj – caso Patrícia Acioli · Agência Brasil – prisão de Bacellar · G1 – Bacellar preso pela segunda vez · Revista Fórum – Flávio e Bacellar · Folha – indicado ao Senado preso com fuzil · TRE-RJ – candidatos indeferidos · Panrotas – 9,3 milhões de turistas · Times Brasil – US$ 6 bi em receitas · ALMG – turismo e 8% do PIB · Gazeta do Povo – Freixo 1331
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