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Sem conquistar o governo estadual, o PSD terá de driblar os movimentos de outras legendas até a disputa municipal. A anulação dos votos de Garotinho e a confirmação da vitória de Douglas Ruas (PL) sentenciaram a terceira derrota de Eduardo Paes em eleições estaduais — e reposicionaram o foco do grupo para a capital.
O cenário da derrota
A decisão da Justiça de anular os votos de Anthony Garotinho (Republicanos) e confirmar a vitória de Douglas Ruas (PL) selou a terceira derrota de Eduardo Paes (PSD) em disputas estaduais. Desta vez, porém, o revés tem o maior impacto no futuro político do ex-prefeito: a força que ele construiu na capital não conseguiu ser expandida para o estado.
Com o resultado, o grupo de Paes virou a chave para o desafio de Eduardo Cavaliere (PSD) à frente da cidade, mirando a eleição municipal de 2028.
O que muda no tabuleiro político
Cavaliere assumiu a prefeitura em março, depois que Paes renunciou para concorrer ao governo estadual. Aos 32 anos, ele é o prefeito mais jovem da história do município. O plano original era contar com a vitória do aliado para selar uma "dobradinha" entre município e estado — algo que não acontece desde os primeiros mandatos de Paes, quando as duas instâncias eram comandadas pelo antigo PMDB do Rio.
Com a derrota, a prioridade se inverte: reeleger Cavaliere em 2028 e manter a segunda maior cidade do país como fortaleza do grupo político no estado. Nesse processo, o ex-prefeito despontará como ator relevante.
Não por acaso, Paes fez um agradecimento especial aos cariocas na nota em que reconheceu a derrota, divulgada na quinta-feira. Segundo ele, ter recebido a maioria dos votos na cidade representa um "reconhecimento da população" ao trabalho e às "transformações" realizadas pelo grupo.
A pressão do PL e da direita
Embalado pela vitória, o PL afirma nos bastidores que não medirá esforços para tentar uma vitória carioca em 2028 — ainda mais num cenário de alta popularidade de Ruas. Entre os nomes já citados como possibilidade:
A direita bolsonarista sai fortalecida da disputa estadual, o que aumenta a pressão sobre o grupo de Paes na capital.
O desafio à esquerda
Além da direita, o PSD do Rio precisará manejar a aliança que deixou o PSOL como única oposição a Paes e Cavaliere na esquerda. O PT, maior deles, apoiou o ex-prefeito na eleição municipal de 2024 e na estadual deste ano, mas tem quadros eleitos para deputado federal que podem figurar como opção para pressionar Cavaliere — como o duas vezes candidato Marcelo Freixo.
Hoje, no entanto, o foco ainda está no segundo turno da disputa presidencial, e petistas rechaçam falar sobre 2028.
O consolo e a leitura do grupo
No grupo de Paes, o fato de ter vencido a eleição estadual na capital serve de consolo para impulsionar a continuidade do trabalho de Cavaliere.
"Apesar da derrota estadual, a eleição mostrou que, na capital, temos uma força muito grande, e o eleitor valorizou nossas entregas, já que Paes recebeu 52% e ganharia no primeiro turno se a disputa fosse só nela" — afirmou o deputado federal reeleito Daniel Soranz (PSD), um dos principais aliados.
Desempenho aquém do esperado
Apesar do discurso, o desempenho ficou aquém do esperado pelo grupo. Há dois anos, quando se reelegeu prefeito, Paes abriu 900 mil votos de vantagem sobre Alexandre Ramagem (PL). Agora, considerando apenas o município, a distância para Ruas foi de 410 mil.
Os aliados convergem na leitura do que aconteceu: eleitores simpáticos ao ex-prefeito acabaram priorizando, na hora do voto, a dobradinha ideológica e partidária entre Ruas e o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) — mais votado que o presidente Lula (PT) em quase todas as zonas eleitorais do estado.
Na capital, bairros populosos como Campo Grande, na Zona Oeste, deram vitória ao candidato do PL ao governo, a despeito de Eduardo Paes ser bem avaliado por lá.
O que está em jogo
A derrota estadual reposicionou a estratégia do grupo: a capital passa a ser, ao mesmo tempo, o trunfo e o campo de batalha. Manter Cavaliere na prefeitura em 2028 é a forma de preservar a base política no estado — mas o caminho exige equilibrar a pressão da direita bolsonarista fortalecida e as cobranças da esquerda aliada, num cenário em que o voto ideológico nacional segue pesando sobre as disputas locais.
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