Do Ministério Público à política: Luciano Mattos aceita presidir PRTB no Rio e avalia candidatura ao Senado

Luciano Mattos deixa MP após 33 anos e assume comando do PRTB fluminense com projeto "Renova Rio"

Do Ministério Público à política: Luciano Mattos aceita presidir PRTB no Rio e avalia candidatura ao Senado

Ex-chefe do Ministério Público fluminense, Luciano Mattos assume comando do partido no estado com o projeto "Renova Rio" e avalia disputar o Governo ou o Senado nas eleições de 2026

A CHEGADA DE UM MAGISTRADO À POLÍTICA PARTIDÁRIA

O ex-procurador-geral de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, Luciano Mattos, é o novo presidente regional do Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB) no estado. A nomeação, oficializada no dia 24 de julho de 2026, representa um movimento estratégico da legenda em busca de credibilidade e reorganização no cenário político fluminense.

Mattos chega com a missão de implementar o projeto batizado de "Renova Rio", um plano de estruturação dos diretórios municipais e reestruturação orgânica do partido em todo o estado. A informação foi publicada pelo jornal O Dia e confirmada pelo Diário do Rio.

O COMPROMISSO COM A BLINDAGEM ÉTICA

Em suas primeiras declarações como presidente estadual, Luciano Mattos foi enfático ao estabelecer uma linha divisória clara entre o partido e a influência de organizações criminosas — chaga que, segundo ele, contaminou outras agremiações políticas no estado.

"O partido será blindado contra a influência de organizações criminosas, porque a população do Rio de Janeiro não aguenta mais conviver com essa mistura tão perversa", afirmou Mattos, em declaração reproduzida pelo portal Agenda do Poder.

A fala ressoa em um contexto delicado. Dados da Ouvidoria do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro indicam que, somente neste ano eleitoral, já foram registradas 77 denúncias formais relacionadas à influência do crime organizado nas eleições fluminenses. O dado, também reportado pelo Agenda do Poder, escancara a dimensão do desafio enfrentado por quem pretende fazer política no estado sem se curvar a interesses ilícitos.

UMA CARREIRA DE TRÊS DÉCADAS NO MINISTÉRIO PÚBLICO

Natural de Niterói, Luciano Mattos construiu uma trajetória sólida e longeva no Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ). Ingressou como promotor de Justiça em 1995, atuando na Região dos Lagos, em Niterói e na capital fluminense. Foram mais de 30 anos dedicados à instituição.

Entre 2021 e 2024, esteve à frente do MPRJ como procurador-geral de Justiça, nomeado e posteriormente reconduzido ao cargo pelo governador Cláudio Castro. Sua gestão foi marcada por um foco intenso na área de Segurança Pública, com iniciativas que buscaram ampliar a presença do Ministério Público nos municípios do interior e fortalecer a atuação institucional no combate ao crime organizado.

Antes de chegar ao topo da carreira no MP, Mattos presidiu a Associação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (Amperj) por três mandatos consecutivos, entre 2013 e 2019. A passagem pela associação de classe lhe conferiu experiência em gestão e articulação institucional — habilidades que agora serão testadas no tabuleiro da política partidária.

A APOSENTADORIA E A TRANSIÇÃO PARA A ADVOCACIA

Em fevereiro de 2026, Luciano Mattos apresentou pedido de aposentadoria do cargo de promotor de Justiça, encerrando um ciclo de 33 anos de serviço público no MPRJ. No mês seguinte, em março, deu um passo simbólico e prático: recebeu a carteira da Ordem dos Advogados do Brasil do Rio de Janeiro (OABRJ) em cerimônia realizada no gabinete da presidência da entidade, marcando seu retorno formal à advocacia.

A transição, no entanto, não significou afastamento da vida pública. Pelo contrário. Nos meses seguintes, Mattos passou a ser cortejado por diferentes legendas políticas interessadas em seu capital político e em sua biografia — um nome com trajetória institucional respeitada e sem as marcas da política tradicional.

O PROJETO "RENOVA RIO"

O "Renova Rio" é, em essência, um plano de reorganização partidária. O PRTB fluminense enfrenta o desafio de estruturar diretórios municipais em um estado com 92 municípios, muitos deles com presença partidária frágil ou inexistente. A missão de Mattos é transformar essa capilaridade em realidade, construindo bases partidárias sólidas e alinhadas aos princípios que ele próprio estabeleceu: transparência, legalidade e blindagem contra influências criminosas.

O projeto ganha contornos ainda mais relevantes em ano eleitoral. Em julho de 2026, o PRTB nacional oficializou a pré-candidatura de Leonardo Avalanche à Presidência da República — a primeira candidatura própria do partido desde Levy Fidelix, em 2014. A movimentação no estado do Rio, portanto, insere-se em uma estratégia nacional de fortalecimento da legenda.

O FUTURO ELEITORAL: GOVERNO OU SENADO?

Luciano Mattos não esconde que avalia convites para disputar as eleições de 2026. Segundo informações confirmadas por O Dia e pelo Diário do Rio, duas possibilidades estão sobre a mesa: uma candidatura ao Governo do Estado do Rio de Janeiro ou uma vaga ao Senado Federal.

A decisão, segundo apurou a reportagem, ainda está em análise. Mattos tem sido cauteloso ao tratar do tema, mas admite publicamente que os convites existem e são avaliados com seriedade. A definição deve ocorrer nos próximos meses, à medida que o partido avance na estruturação dos diretórios municipais e nas negociações de alianças.

Caso opte pela disputa ao Senado, Mattos entraria em uma corrida que já mobiliza nomes de peso no cenário político fluminense. Se optar pelo Palácio Guanabara, o desafio seria ainda maior: enfrentar a máquina política de grupos já consolidados e apresentar ao eleitorado uma alternativa baseada na trajetória de serviço público e no combate à criminalidade — sua marca registrada à frente do MPRJ.

O CONTEXTO NACIONAL DO PRTB

Fundado em 1997 por Levy Fidelix, o PRTB tem uma trajetória marcada por momentos de projeção nacional intercalados com longos períodos de baixa visibilidade. Fidelix, que presidiu a legenda de sua fundação até sua morte, em 2021, foi candidato à Presidência em 2014, obtendo 0,43% dos votos válidos.

Sob o comando de Leonardo Avalanche, o partido busca se reposicionar no espectro político. A pré-candidatura presidencial de Avalanche em 2026 — que ganhou projeção nacional ao coordenar a campanha de Pablo Marçal à Prefeitura de São Paulo em 2024 — insere o PRTB em um movimento de renovação e expansão.

A nomeação de Luciano Mattos no Rio de Janeiro alinha-se a essa estratégia: trazer para os quadros do partido nomes com trajetória institucional reconhecida, capazes de conferir credibilidade e densidade programática à legenda.

OS DESAFIOS NO RIO DE JANEIRO

O estado do Rio de Janeiro apresenta um cenário político particularmente complexo. A influência de milícias e facções criminosas sobre o processo eleitoral é um problema histórico e documentado. A Ouvidoria do MPRJ já recebeu dezenas de denúncias neste ano eleitoral, e a percepção pública é de que a política fluminense ainda não conseguiu se livrar completamente dessa chaga.

Mattos conhece o problema de perto. Como procurador-geral de Justiça, esteve à frente de investigações e ações institucionais voltadas ao enfrentamento desses grupos. Agora, na presidência do PRTB fluminense, ele terá a oportunidade de demonstrar na prática se é possível fazer política partidária no Rio de Janeiro sem se submeter a esses interesses.

A promessa de blindagem é clara. A execução, no entanto, será acompanhada de perto pela sociedade civil, pelo eleitorado e, certamente, pelos próprios órgãos de controle.

BIOGRAFIA: LUCIANO MATTOS

Luciano Mattos nasceu em Niterói, região metropolitana do Rio de Janeiro. Formou-se em Direito e ingressou no Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro como promotor de Justiça em 1995, aos 27 anos. Atuou nas comarcas da Região dos Lagos, em Niterói e na capital. Foi diretor e presidente da Associação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (Amperj) por três mandatos consecutivos (2013-2019), sendo o único dirigente a alcançar três gestões seguidas na história da entidade. Eleito procurador-geral de Justiça do MPRJ para o biênio 2021/2023, foi reconduzido ao cargo para o biênio 2023/2025 pelo governador Cláudio Castro, que o escolheu mesmo estando em segundo lugar na lista tríplice — uma decisão que rompeu a tradição institucional. Sua gestão à frente do MPRJ foi marcada pelo foco em segurança pública e pelo fortalecimento da presença do Ministério Público nos municípios do interior. Aposentou-se em março de 2026, após 33 anos de serviço público, e retornou à advocacia, recebendo a carteira da OABRJ. Em julho do mesmo ano, assumiu a presidência estadual do PRTB no Rio de Janeiro, com a missão de reorganizar o partido e blindá-lo contra a influência do crime organizado. Avalia convites para disputar o Governo do Estado ou o Senado nas eleições de 2026.

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Por Jornal da República em 28/07/2026
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