Do quarto ano de medicina ao corredor da clínica do pai: Getúlio Sessim Jr. conta como trocou a pressão pela vocação e sonha em trabalhar ao lado dos pais na UltraImagem

Filho do Dr. Getúlio Sessim e da Dra. Bárbara, o futuro médico estagia na UltraImagem, em Mesquita, já no quarto ano do curso e revela: 'no começo foi um pouco de pressão, mas hoje eu faço por amor' com a ultrassonografia e a cirurgia plástica no horizonte

O Jornal da República e o Última Hora Online continuam em Mesquita, na Baixada Fluminense, na homenagem aos médicos promovida pela UltraImagem.

Depois de entrevistar o Dr. Getúlio Sessim e a sócia-administradora Dra. Bárbara, a cobertura chega ao capítulo mais promissor da família: Getúlio Sessim Jr., no quarto ano de Medicina, que já estagia na clínica dos pais — e mostra que a medicina da Baixada ganhará, em breve, mais uma geração.

"Tudo bem? Primeiro, obrigado pelo teu carinho", abriu o futuro médico, que já carrega o título profissional antes mesmo do diploma.

A pergunta do comunicador foi direta: com a família inteira na medicina, por que seguir a carreira do pai? A resposta veio sem filtros: "Vou ser sincero, do coração: no começo foi um pouco de pressão. Mas aí eu fui fazendo o curso e fui me descobrindo, até que, acredito que no segundo ano, tomei a decisão: é isso que eu quero. E hoje eu faço por amor", revelou.

Estágios não remunerados e uma decisão de coração

A escolha do quarto ano tem um peso técnico que muitos não conhecem. Segundo a plataforma Medway, o internato de Medicina acontece nos dois últimos anos do curso e é não remunerado, durando cerca de 21 meses — e a regra vale para todo o Brasil, como destacam portais educacionais como o Quero Bolsa, que apontam Medicina como o único curso sem estágios pagos.

Getúlio Jr. confirma: "Tanto pros estágios que eu tenho: hoje em dia nenhum é remunerado, eu não penso em dinheiro. É realmente por amor, é por gostar da profissão", contou — uma entrega que antecipa, e muito, a etapa obrigatória.

O caminho do estudante atravessa um país que forma médicos em escala: segundo o estudo publicado na Revista Brasileira de Educação Médica, o Brasil tem 357 cursos de Medicina, públicos e privados, com grande expansão após 2013 — e milhares de jovens que, como Getúlio Jr., conciliam a disciplina dos cursinhos com a convicção de que o estágio sem salário é o preço da vocação.

Duas especialidades enchem os olhos: ultrassonografia e cirurgia plástica

Sobre o futuro, o futuro médico já tem mapa traçado. "Minha maior honra seria trabalhar com meus pais, porque eu me inspiro neles para tudo. São sensacionais, é o mínimo que eu posso falar para os dois", declarou, antes de revelar as duas áreas que o atraem: "Eu penso muito na área de ultrassonografia e outra área, por admiração, é a cirurgia plástica.

Quero uma área que me enche os olhos. São as duas áreas em que estou me focando para me tornar médico", resumiu.

A primeira escolha casa perfeitamente com o ofício da família. A clínica que ele estagia é especializada em ultrassonografia — e o momento do setor favorece quem chega: segundo o portal Inspirali, com dados do Atlas da Radiologia no Brasil 2025, a demanda por exames de imagem segue em expansão no Brasil, mas a distribuição de especialistas ainda é desigual, concentrada no Sul e Sudeste — eBaixadas como a Fluminense sentem a falta de profissionais.

O estúdio da UltraImagem, que processa de 8 a 10 mil exames por mês, é justamente o terreno onde essa lacuna se transforma em oportunidade.

Cirurgia plástica: o Brasil que lidera o mundo

A segunda paixão do estudante o aproxima de um Brasil campeão mundial. Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), com base em levantamento da ISAPS de 2024, o Brasil realizou cerca de 2,35 milhões de cirurgias plásticas — entre os líderes globais — e o país é referência mundial na especialidade.

A formação, porém, é das mais exigentes: três anos de cirurgia geral, três anos de cirurgia plástica em serviço credenciado e aprovação em prova escrita e oral. No Rio de Janeiro atuam 1.031 cirurgiões plásticos titulares, segundo a Demografia Médica da AMB/USP — e Getúlio Jr. entende por que a carreira poupa poucos: "É uma área complexa, porque depende puramente de você. Não tem protocolo, não tem padrão. Cada paciente é único: o que você faz na mama de uma paciente, você não faz na mama da outra.

É desafiadora, por isso eu acho ela tão legal", defendeu.

"Se eu pudesse ser 10% disso": a homenagem aos pais

Ao final, o comunicador pediu uma mensagem para o pai, médico com quase 60 anos de profissão, e para a mãe, sócia-administradora e especialista na clínica. A resposta fechou a entrevista como uma lição de gratidão: "A mensagem seria de agradecimento, por inspirar tanta gente como eu — por serem pessoas que, quando você olha, você fala: 'Se eu pudesse ser 10% disso, estou muito feliz'", declarou. "Minha mãe tem uma cabeça que pensa três séculos na frente da minha, com diversos empreendimentos sempre se renovando.

E o meu pai é um exemplo de médico a seguir: muito humano", completou — um retrato que transforma a homenagem ao Dia do Médico em continuidade de projeto de vida.

O comunicador encerrou com a leitura que resume a cena: "As palavras dele mostraram claramente como o filho deve se comportar — não só valorizando seus pais pelo que eles se apresentam, mas pela educação e pelo respeito que fazem com que a gente tenha sempre pelo próximo.

Que você siga esse coração do seu pai e da sua mãe", desejou, ao selar a entrevista que mostra a medicina da Baixada sendo passada adiante — de pai para filho, com o mesmo afeto que recebe os pacientes.

A geração que estuda para ficar

A história de Getúlio Jr. dialoga com um movimento maior: o Brasil expandiu fortemente a formação médica nas últimas décadas, e o desafio do interior — e das periferias metropolitanas — é reter esses profissionais. Quando um estudante do quarto ano escolhe estagiar na clínica da família em Mesquita, sonhando com a ultrassonografia que já atende 8 mil pacientes por mês ali mesmo, o exemplo sai do figurino: a Baixada Fluminense não apenas forma médicos — ela começa a formar médicos que querem ficar.

Serviço

  • Entrevistado: Getúlio Sessim Jr., 4º ano de Medicina, estagiário da UltraImagem
  • Família: Dr. Getúlio Sessim (sócio-fundador, ~60 anos de carreira) e Dra. Bárbara (sócia-administradora e especialista)
  • Clínica: Ultrimagem Centro de Imagem — Mesquita, Baixada Fluminense
  • Contato: (21) 3763-5248

Bio de Getúlio Sessim Jr.

Getúlio Sessim Jr. é estudante de Medicina, hoje no quarto ano do curso, e estagiário da Ultrimagem Centro de Imagem, clínica de diagnóstico por imagem em Mesquita, na Baixada Fluminense, liderada por seus pais — o Dr. Getúlio Sessim, médico com quase 60 anos de profissão, e a Dra. Bárbara, sócia-administradora e especialista da casa.

Criado dentro da medicina, Getúlio Jr. confessou, em entrevista, que o início da trajetória veio acompanhado da pressão natural de seguir uma família inteira de médicos — mas que, ainda no segundo ano, descobriu que a vocação era dele mesmo: "Hoje eu faço por amor", definiu.

Estudante de um dos cursos mais exigentes do país — cujo internato, não remunerado, ocupa os dois anos finais da formação —, ele antecipa o aprendizado prático estagiando na clínica da família, que atende de 8 a 10 mil pacientes por mês pelo SUS na região.

Suas duas especialidades de sonho carregam coerência: a ultrassonografia, que honra o legado familiar e atende a uma demanda crescente de exames de imagem na Baixada, e a cirurgia plástica, área em que o Brasil é referência mundial e que ele admira pela complexidade — "cada paciente é único", resume.

Ao lado dos pais, que ele descreve como inspiração absoluta — a mãe com "uma cabeça que pensa três séculos na frente" e o pai "um exemplo de médico a seguir, muito humano" —, Getúlio Sessim Jr. representa a nova geração da medicina da Baixada Fluminense: jovem, técnica e comprometida com a saúde do povo que o colocou ali desde o berço.

Por Robson Talber, @robsontalber, repórter Henrique Pianta, @piantahp.

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Por Jornal da República em 20/10/2026
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