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Ex-deputado afirma que madrasta "jamais poderia ter gravado" desabafo contra o irmão e pede que conflitos sejam resolvidos internamente, em meio à crise que já custou a saída dela da presidência do PL Mulher
O fogo amigo no clã Bolsonaro
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) quebrou o silêncio e classificou como "imatura" a decisão da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro de divulgar um vídeo com críticas ao senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em entrevista concedida ao portal Metrópoles nesta terça-feira (21 de julho), Eduardo afirmou que a exposição pública do conflito foi um erro e que divergências familiares devem ser resolvidas de forma reservada.
"Essas disputas internas infelizmente vieram a público. Acho que demonstra até uma imaturidade da Michelle. Ela jamais poderia ter feito aquele vídeo. Esses assuntos eu não vou mais comentar para não dar pano para a manga. É internamente que a gente resolve esse tipo de coisa", declarou o ex-deputado, que atualmente vive em autoexílio nos Estados Unidos.
A declaração pública de um dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro contra a madrasta representa um agravamento da crise familiar que há semanas consome os bastidores do bolsonarismo. Diferentemente de conflitos anteriores, que eram mantidos sob sigilo por assessores e aliados, o racha agora ocorre em praça pública — e a poucos meses da eleição presidencial.
A origem da crise: a vaga no Senado pelo Ceará
A crise teve início durante as negociações para a definição da candidatura do Partido Liberal ao Senado pelo Ceará. Michelle Bolsonaro defendia a vereadora Priscila Costa (PL-CE), uma de suas principais aliadas e vice-presidente nacional do PL Mulher, como a escolhida para a disputa. No entanto, as articulações conduzidas por Flávio Bolsonaro resultaram no apoio da legenda à candidatura de Alcides Fernandes (PL-CE), pai do deputado federal André Fernandes.
Inconformada com o desfecho, Michelle publicou um vídeo nas redes sociais no fim de junho afirmando ter sido desrespeitada, humilhada e maltratada pelo enteado. No desabafo, que atingiu milhões de visualizações em poucas horas, ela acusou aliados de Flávio de atuarem para retirar Priscila Costa da disputa e disse que não aceitaria ser tratada com rispidez.
A manifestação expôs publicamente um conflito até então restrito aos bastidores do bolsonarismo e gerou repercussão imediata dentro do partido. Dias depois, Michelle anunciou sua saída da presidência do PL Mulher. Embora tenha atribuído a decisão ao desejo de dedicar mais tempo ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar, e à filha Laura, integrantes da legenda reconhecem que o desgaste interno acelerou o afastamento.
Eduardo minimiza impacto eleitoral e pede união
Durante a entrevista, Eduardo Bolsonaro também procurou reduzir a importância política do episódio para a pré-candidatura presidencial de Flávio. Segundo ele, a principal queda enfrentada pelo irmão nas pesquisas esteve relacionada ao caso envolvendo o filme Dark Horse e o banqueiro Daniel Vorcaro — e não ao embate com Michelle.
"O Flávio já se recupera daquela oscilação que ele teve para baixo com relação ao Dark Horse, não com relação à Michelle. E eu acho que vamos chegar com cada vez mais gente apoiando o Flávio", afirmou.
O ex-deputado também avaliou que partidos de centro têm se aproximado da candidatura do senador e demonstrou expectativa de que a direita chegue mais unida à disputa presidencial. "Acho que todo mundo tem esperança que essa eleição seja mais à direita. Inclusive os partidos de centro têm se aproximado de Flávio Bolsonaro", declarou.
A reação do partido e a tentativa de pacificação
As declarações de Eduardo ocorrem em um momento em que a direção nacional do PL busca conter os efeitos do conflito. O presidente da legenda, Valdemar Costa Neto, fez um apelo público pela pacificação entre os aliados e defendeu maior união do campo conservador. Em reunião com lideranças partidárias, Valdemar teria dito que o partido não pode se dar ao luxo de perder votos por disputas internas em um ano eleitoral decisivo.
Paralelamente, integrantes da campanha de Flávio passaram a orientar o senador a evitar comentários sobre a crise familiar e concentrar seus discursos em temas como segurança pública, economia e propostas voltadas ao eleitorado feminino. A estratégia busca minimizar os danos de um racha que, a cada nova declaração pública, parece se aprofundar ainda mais.
Michelle, por sua vez, não respondeu publicamente às críticas de Eduardo até o fechamento desta edição. Aliados próximos afirmam que a ex-primeira-dama está magoada com a situação e que não pretende se manifestar sobre o assunto no curto prazo. Ela também comunicou a assessores que deseja se afastar da vida partidária para se dedicar à família, mas não descarta um retorno à política no futuro.
O impacto na campanha presidencial
O racha familiar expõe fragilidades na campanha de Flávio Bolsonaro em um momento estratégico. Com as convenções partidárias já realizadas ou em andamento, o senador precisa consolidar apoios e ampliar sua base eleitoral para enfrentar o presidente Lula (PT) nas urnas. Pesquisas recentes indicam empate técnico entre os dois em um eventual segundo turno.
A perda do apoio formal de Michelle e a saída dela da presidência do PL Mulher representam um golpe simbólico na tentativa de Flávio de ampliar sua penetração entre o eleitorado feminino — segmento decisivo na disputa presidencial e onde o senador apresenta os piores índices de intenção de voto.
O episódio também levanta questionamentos sobre a capacidade de Flávio de unificar o campo conservador em torno de sua candidatura. Com Jair Bolsonaro inelegível e cumprindo prisão domiciliar, o senador precisa demonstrar que é capaz de manter a coesão do grupo político que herdou do pai. A cada novo capítulo da crise familiar, essa tarefa se torna mais difícil.
O que esperar dos próximos dias
A crise no clã Bolsonaro não dá sinais de arrefecimento. A declaração de Eduardo, chamando Michelle de "imatura", deve aumentar a tensão nos bastidores e pode gerar novas reações da ex-primeira-dama. Aliados do senador tentam conter os danos e evitar que o assunto domine a agenda da campanha.
Para Flávio, o caminho mais seguro é manter o foco nos temas de campanha e evitar qualquer comentário público sobre a crise familiar. Para Michelle, o silêncio estratégico parece ser a opção escolhida. Para Eduardo, a aposta é que o tempo cicatrize as feridas — mas, na política, feridas expostas demais tendem a infeccionar antes de cicatrizar.
Biografia
Eduardo Bolsonaro nasceu no Rio de Janeiro em 10 de julho de 1984. É formado em Direito e iniciou a carreira política como deputado federal por São Paulo, cargo que exerceu por três mandatos consecutivos entre 2015 e 2023. Filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, foi presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados. Conhecido por suas posições conservadoras e alinhamento com o bolsonarismo, Eduardo é o terceiro dos quatro filhos do ex-presidente. Em 2023, mudou-se para os Estados Unidos, onde vive em autoexílio desde então. Mantém forte atuação nas redes sociais e influência nos bastidores do Partido Liberal. Em julho de 2026, concedeu entrevista ao portal Metrópoles criticando a postura da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro em meio à crise familiar que envolve o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro.
Fontes
Metrópoles — Entrevista de Eduardo Bolsonaro (21/07/2026) | O Globo — "Eduardo chama Michelle de 'imatura' e diz que madrasta jamais poderia ter gravado vídeo contra Flávio" (21/07/2026) | Valor Econômico — "'Foi imaturidade da Michelle', critica Eduardo Bolsonaro" (21/07/2026) | Estadão — "Eduardo Bolsonaro diz que Michelle jamais poderia ter feito vídeo contra Flávio" (21/07/2026) | Folha de S.Paulo — "Eduardo diz que Michelle agiu com imaturidade e não deveria ter postado vídeo" (21/07/2026) | Poder360 — "Eduardo diz que vídeo de Michelle sobre Flávio 'demonstra imaturidade'" (21/07/2026) | UOL — "Michelle jamais poderia ter feito aquele vídeo, foi imaturidade, diz Eduardo" (21/07/2026) | G1 — "Michelle Bolsonaro decide deixar presidência do PL Mulher após crise com Flávio" (30/06/2026) | Folha de S.Paulo — "Michelle Bolsonaro deixa presidência do PL Mulher" (30/06/2026)
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