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Um brasileiro preso nos Estados Unidos virou centro de uma divergência entre autoridades americanas e brasileiras.
Para o governo dos EUA, Felipe Linares de Oliveira Dell Aquilla, conhecido como “Don”, seria uma antiga liderança do PCC e do Comando Vermelho.
No Brasil, investigadores dizem não reconhecer o preso como chefe ou integrante relevante de nenhuma das duas facções.
A diferença entre as versões chama atenção porque a prisão ocorreu no mesmo dia em que os Estados Unidos passaram a classificar essas facções como organizações terroristas estrangeiras.
Segundo as autoridades americanas, Dell Aquilla era alvo de um mandado internacional expedido pelo Brasil por associação criminosa e extorsão. Ele também estaria em situação migratória irregular nos Estados Unidos.
Além disso, segundo o depoimento da esposa, ela estava sendo mantida com ele contra a própria vontade.
A prisão aconteceu durante uma abordagem de trânsito
De acordo com o comunicado americano, o brasileiro tentou fugir de carro, bateu contra veículos parados e ainda tentou escapar a pé antes de ser capturado.
No veículo, os agentes afirmam ter encontrado celulares, computadores, dinheiro em espécie e uma pistola 9 mm.
PCC e CV como organizações terroristas
O caso ganhou peso porque a prisão ocorreu no mesmo dia em que os Estados Unidos passaram a classificar o PCC e o Comando Vermelho como Organizações Terroristas Estrangeiras.
A decisão foi assinada pelo secretário de Estado Marco Rubio. Segundo o governo americano, as duas facções representam risco à segurança dos cidadãos dos Estados Unidos e aos interesses nacionais do país.
Foi nesse contexto que o DHS apresentou Dell Aquilla como alguém que já teria ocupado posições de comando nas duas facções.
SP e RJ afirmam que Aquilla não é líder de nenhuma facção
A versão, porém, não é confirmada por autoridades brasileiras ouvidas pela imprensa.
Fontes da Polícia Federal, dos Ministérios Públicos de São Paulo e do Rio de Janeiro, das polícias civis dos dois estados e de áreas de inteligência falaram ao g1 e à GloboNews.
Elas disseram que não reconhecem Dell Aquilla como chefe ou integrante relevante do PCC ou do Comando Vermelho.
Segundo esses investigadores, se ele tivesse ocupado uma posição de comando em alguma dessas organizações, seu nome seria conhecido pelos setores que monitoram o crime organizado no Brasil.
O que aparece de forma concreta contra Dell Aquilla no país são processos e mandados por outros crimes.
De acordo com a Folha, ele tem dois mandados nacionais de prisão no Banco Nacional de Mandados de Prisão do Conselho Nacional de Justiça. Um deles, de 2019, é por coação no curso do processo. O outro, de 2024, é por extorsão agravada.
Nesse segundo caso, ele foi condenado em primeira instância a nove anos e sete meses de prisão em regime fechado.
Ele também é réu em um processo por um suposto golpe em um hotel de luxo em Campos do Jordão, no interior de São Paulo.
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