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Presidente nacional do Movimento Cristão Conservador, ex-prefeito de Ijuí (RS) e ex-vereador por quatro mandatos, Joel Serra recebeu lideranças conservadoras do Rio na Barra da Tijuca para debater segurança pública e o cenário nacional, criticou o que chamou de insegurança jurídica e violação da liberdade de imprensa após o cancelamento do debate da Globo e defendeu a renovação do Senado como o freio ao que considera ativismo do Supremo.
A três dias do primeiro turno, a Barra da Tijuca virou ponto de encontro da direita cristã fluminense. Em um encontro que reuniu lideranças conservadoras da região, o presidente nacional do Movimento Cristão Conservador (MCC), Joel Serra, recebeu o Jornal da República para falar sobre o momento que atravessa o país. Com a experiência de quem passou 12 anos como vereador e comandou a prefeitura de Ijuí, no Rio Grande do Sul, ele definiu a eleição de domingo (4) em termos de longo prazo.
"Nós estamos às 72 horas de uma eleição que vai decidir não o destino dos próximos quatro anos, mas o destino da próxima geração", afirmou. Para ele, o encontro na Barra é parte de uma mobilização nacional: "O movimento cristão conservador tem mobilizado as lideranças conservadoras e cristãs do nosso Brasil. A gente tem andado o Brasil fazendo essa mobilização, e aqui no Rio de Janeiro não é diferente. Hoje nós reunimos aqui a direita raiz do Rio de Janeiro falando sobre segurança pública e sobre a situação do país."
A pomba que simboliza a causa
O movimento que Serra lidera carrega um símbolo próprio. "O movimento cristão conservador é simbolizado numa pomba, que representa a paz, mas representa o Espírito Santo de Deus e representa a presença de Deus também nos nossos atos", explicou. A identidade do grupo, segundo ele, se resume a quatro pilares: "Nós defendemos Deus, família, vida e liberdade."
O discurso ganhou tom de convocação espiritual e cívica. "Que Deus possa nos rejuvenecer e nos fortalecer para esse momento histórico que o país está vivendo, e que nós possamos nos levantar e, quem sabe, no domingo virar a página negra do Brasil e retomar o nosso país para aquilo que nós queremos: o desenvolvimento, a liberdade e os princípios de Deus, da família, da pátria, da vida e da liberdade", disse.
O debate cancelado e a liberdade de imprensa
Questionado sobre o clima que marcou a reta final, Serra apontou o cancelamento do debate presidencial da TV Globo como um dos episódios mais graves do pleito. O encontro, marcado para a noite de quinta-feira (1º), foi suspenso horas antes depois de duas decisões judiciais: a ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral, proibiu a exibição do púlpito vazio do presidente Lula, e o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, determinou a inclusão do candidato Renan Santos (Missão) no confronto, em ação movida pelo partido Solidariedade.
"Nós vivemos não só uma insegurança jurídica, mas um momento de violação dos direitos de liberdade de imprensa. O que fizeram com a Globo foi uma coisa absurda. É um debate histórico, que não é para a Globo, mas para o povo brasileiro, que precisa ouvir o que os principais candidatos à Presidência têm a dizer", avaliou. Para ele, o episódio "vai para os anais da história como uma quebra dos princípios de livre manifestação da imprensa livre deste país".
O líder cristão foi além: "Nós vemos aí que se apresenta um golpe em curso. Um tribunal que era para ser constitucional hoje está julgando qualquer tipo de ação. Eles avocam a si a distribuição, entram dentro de processos." A leitura encontra eco em especialistas ouvidos pela imprensa: juristas apontaram que a atuação conflitante de TSE e STF sobre o debate aumentou a insegurança jurídica do processo eleitoral.
As decisões monocráticas e o papel do Senado
Advogado e jurista de formação, Serra concentrou as críticas nas decisões individuais dos ministros do Supremo. "Nos últimos cinco anos foram mais de 400 decisões monocráticas, e dessas 400, só quatro foram revisadas", afirmou. Ele citou o caso do banqueiro que, segundo ele, foi solto "numa canetada só", e lembrou que o ministro Gilmar Mendes teria dado 21 decisões soltando réus da Lava Jato — dado que encontra respaldo em registros públicos: em 2018, Mendes mandou soltar dezenas de presos da operação em poucas semanas.
"É praticamente o ministro hoje com poder de rei. Ele não leva para o colegiado decidir, e por não levar, fica um ministro tomando decisão em cima do outro. Virou uma corte ideológica, que defende ideologia e não defende mais a Constituição", criticou. Para Serra, o contrapeso a esse cenário está no Legislativo: "Quem pode fazer isso e colocar esse freio é o Senado."
A aposta dele é em uma renovação expressiva da Casa. O dado reforça o argumento: em 2026, o Senado renova dois terços de sua composição, com 54 das 81 cadeiras em disputa — a maior renovação da história recente da Casa, que completa 200 anos. "Por isso eu creio que vai ser uma avalanche a eleição para o Senado no Brasil, vai ser uma avalanche a renovação no Congresso Nacional", projetou.
O chamado final
Encerrando a participação, Serra resumiu a expectativa do movimento para o pleito. "Eu creio que o Flávio Bolsonaro será o presidente do Brasil, e nós vamos colocar o Brasil de volta nos trilhos", afirmou, em referência ao candidato do PL à Presidência. O tom do encontro, segundo ele, é de mobilização e esperança: "Nós estamos atentos a isso e queremos mudar essa história."
Perfil — quem é Joel Serra
Joel Bitencourt Serra é uma das lideranças mais experientes do conservadorismo cristão brasileiro. Natural do Rio Grande do Sul, construiu uma carreira pública de mais de três décadas: foi vereador por 12 anos na cidade de Ijuí, onde também presidiu a Câmara Municipal entre 2001 e 2004, e chegou à prefeitura do município, consolidando-se como referência da direita gaúcha. Advogado e jurista, uniu a formação jurídica à atuação religiosa para fundar e presidir nacionalmente o Movimento Cristão Conservador (MCC), entidade que percorre o país mobilizando lideranças evangélicas e conservadoras em torno das bandeiras de Deus, família, vida e liberdade. Em 2022, foi candidato a deputado federal pelo Rio de Janeiro, levando sua pauta ao estado onde hoje concentra atuação. Reconhecido pela oratória firme e pelo diálogo com as comunidades de fé, Serra tornou-se uma das vozes centrais na articulação entre o conservadorismo cristão e a política institucional, defendendo a renovação do Congresso e o fortalecimento da liberdade religiosa e de expressão no país.

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Fontes consultadas
Câmara Municipal de Ijuí – presidentes (Joel Bitencourt Serra, 2001-2004) · Instagram MCC – Joel Serra, presidente nacional · YouTube – ex-prefeito gaúcho Joel Serra · Folha – ficha do candidato Pastor Joel Serra (2022) · BBC – Globo cancela debate e cita decisões de Gilmar Mendes e Estela Aranha · DW – a sequência de reviravoltas que levou ao cancelamento do debate · Valor – atuação conflitante de TSE e STF aumenta insegurança jurídica · Estadão – Globo cancela debate após decisões judiciais · O Globo – decisão de Estela Aranha é inédita para debates · Agência Brasil – Gilmar Mendes soltou doleiros da Lava Jato · Senado – eleições 2026: quem fica, quem sai e quem concorre · Gazeta do Povo – Flávio intensifica ofensiva pelo Senado · Congresso em Foco – dos 54 senadores em fim de mandato, 32 tentarão reeleição
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