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O deputado federal Otoni de Paula (PSD-RJ) declarou apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro turno das eleições durante entrevista ao programa 30 Minutos, da TV 247. Ex-aliado do bolsonarismo, o parlamentar afirmou que sua mudança de posição não significa adesão incondicional ao governo e disse que continuará fazendo críticas quando considerar necessário.
“Eu respeito o presidente Lula, estarei com o presidente Lula já neste primeiro turno”, afirmou Otoni. Segundo ele, uma gravação em que declara formalmente o voto em Lula deverá ser publicada em suas redes sociais. O deputado também afirmou que pretende atuar entre os eleitores evangélicos em defesa da democracia e do apoio ao presidente.
“Eu estava mais parecido com Bolsonaro do que com Jesus Cristo”
Ao explicar sua mudança de posição, Otoni fez uma distinção entre as críticas políticas que já dirigiu a Lula e ataques pessoais que considera excessivos. Ele afirmou não se arrepender das críticas políticas feitas ao presidente, mas reconheceu como um erro uma declaração anterior na qual afirmou que Lula e seus apoiadores seriam recebidos “à bala” caso fossem à sua casa.
O deputado disse ter se arrependido da fala e relatou que chegou a pedir perdão publicamente na Câmara dos Deputados. “Eu estava mais parecido com o Bolsonaro do que com Jesus Cristo. E eu sou discípulo de Jesus. Eu não sou discípulo de Bolsonaro”, afirmou.
A declaração sintetiza uma das principais mudanças apresentadas pelo parlamentar durante a entrevista: a defesa de uma atuação política que, segundo ele, não esteja subordinada à lógica de confronto permanente entre grupos ideológicos.
Antipetismo dentro das igrejas
Otoni também fez uma crítica contundente ao antipetismo presente em setores do meio evangélico. Ao comentar a possibilidade de um eventual desgaste político de Flávio Bolsonaro diante de denúncias e controvérsias, afirmou que o antagonismo a Lula seria, na sua avaliação, um dos principais elementos que sustentam a força do bolsonarismo entre parte dos evangélicos.
“O que mantém a campanha do Flávio de pé não é o carisma do Flávio, mas é o antipetismo, é o antilulismo, que é muito forte dentro da igreja”, declarou.
Na avaliação do deputado, o ambiente político construído em torno do antipetismo pode fazer com que determinados eleitores relativizem críticas dirigidas a candidatos identificados com o bolsonarismo.
Otoni afirmou ainda que Lula, apesar das divergências existentes entre o governo e segmentos religiosos, teria mantido uma relação institucional respeitosa com as igrejas. Citou também políticas adotadas em governos petistas que, segundo ele, contribuíram para ampliar a presença social da música gospel.
Otoni diz por que rompeu com a família Bolsonaro
Durante a entrevista, o deputado também explicou o rompimento com a família Bolsonaro. Segundo Otoni, a ruptura teria ocorrido depois que ele decidiu apoiar Alexandre Ramagem e Eduardo Paes em circunstâncias eleitorais no Rio de Janeiro, passando posteriormente a ser acusado de traição pelo grupo político de Jair Bolsonaro.
“Eu não traí, eu fui traído”, afirmou o parlamentar, ao descrever o processo que, segundo sua versão, culminou no afastamento definitivo do bolsonarismo.
O deputado também voltou a fazer críticas a Flávio Bolsonaro e mencionou denúncias e controvérsias relacionadas à gestão dos hospitais federais do Rio de Janeiro durante o governo de Jair Bolsonaro.
Suposto vídeo íntimo envolvendo Flávio Bolsonaro
Um dos momentos mais controversos da entrevista ocorreu quando Otoni foi questionado sobre declarações anteriores de que ainda poderiam surgir novas informações envolvendo Flávio Bolsonaro.
O deputado afirmou que existiria um “vídeo mais íntimo” do senador e disse acreditar que o material poderia vir a público durante o segundo turno. Questionado diretamente sobre a origem da informação, Otoni afirmou que não recebeu o vídeo, mas disse ter obtido do deputado federal Kim Kataguiri a confirmação de que o material existiria.
“Quem compartilhou comigo não o vídeo, mas me deu a certeza de que o vídeo realmente existe foi meu amigo deputado Kim Kataguiri”, relatou. Segundo Otoni, Kim teria afirmado ter tido acesso ao material e contado a ele alguns detalhes, que o deputado disse preferir não revelar naquele momento.
“A eleição de Lula é mais importante do que a minha”
Ao declarar seu apoio ao presidente, Otoni reconheceu que sua mudança pode trazer consequências eleitorais para sua própria candidatura. O parlamentar afirmou que rompeu com parte de sua antiga base e que não considera garantido o apoio do eleitorado de esquerda à sua reeleição. Mesmo assim, disse considerar a eleição presidencial uma questão mais importante do que seu próprio futuro eleitoral.
“Hoje a eleição de Lula é mais importante para o Brasil até do que a minha eleição”, declarou.
Otoni também procurou deixar claro que seu apoio ao presidente não significaria subserviência política. “Na hora que o presidente Lula precisar ser criticado, eu o criticarei”, afirmou. “Eu não fui subserviente ao Jair Bolsonaro. Como é que eu vou ser subserviente ao Lula?”
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