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Daniel Soranz recebe prêmio Tó na Fama e defende vacinação 'O SUS precisa de quem conhece o sistema por dentro'

Em meio à temporada de premiações e convenções partidárias, o deputado federal e ex-secretário municipal de Saúde do Rio de Janeiro, Daniel Soranz (PSD), marcou presença na terceira edição do Prêmio Tona Fama, realizado na mansão Vila Cecília, Zona Sul do Rio. Entre tapetes vermelhos e holofotes, o médico sanitarista transformou a noite de celebração em palco para um discurso afinado com sua campanha à reeleição: ciência, vacinação e gestão pública baseada em evidências.
O prêmio e o palanque
A terceira edição do Prêmio Tona Fama — evento que reúne celebridades, influenciadores e figuras públicas para celebrar os "melhores do ano" — teve um tom marcadamente político na noite desta segunda-feira. Entre os agraciados estava o deputado federal Daniel Soranz, que recebeu a premiação ao lado de outras personalidades.
Em entrevista Soranz não escondeu a satisfação com o reconhecimento, mas rapidamente direcionou o foco para aquilo que tem sido a espinha dorsal de seu mandato e de sua campanha: a defesa do Sistema Único de Saúde (SUS) e a retomada das coberturas vacinais no país.
"É um prêmio incrível. Hoje eu sou presidente da Comissão Nacional da Frente Parlamentar em prol da Vacinação, a Frente Parlamentar da Vacina. É uma felicidade poder estar neste prêmio, comemorando com várias celebridades, alguém que defende o SUS, que defende a vacinação", declarou.
Duas novas vacinas no SUS e a retomada da cobertura vacinal
O deputado aproveitou a visibilidade do evento para anunciar conquistas recentes da pasta que comandou até março deste ano. Segundo ele, duas novas vacinas foram incorporadas ao calendário do SUS: a pneumovin (vacina pneumocócica conjugada) e a vacina contra a bronquiolite, doença que afeta principalmente bebês e crianças pequenas.
"Isso muda a vida das pessoas", afirmou Soranz, em referência direta ao impacto epidemiológico das novas incorporações.
A declaração encontra respaldo em dados concretos. Durante sua gestão à frente da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro — cargo que ocupou por três períodos distintos, somando 14 anos —, a cidade alcançou, em 2026, o primeiro lugar na cobertura de vacinação infantil entre todos os municípios brasileiros. O feito representa uma virada histórica após anos consecutivos de queda nos índices de imunização observados em diversas vacinas do calendário nacional.
O "médico de família" que virou gestor
Daniel Soranz não é um político tradicional. Natural de Vassouras, no interior fluminense, formou-se médico e especializou-se em Medicina de Família e Comunidade. É mestre em Saúde Pública e doutor em Epidemiologia pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), instituição onde é professor e pesquisador.
Sua trajetória na gestão pública começou em 2009, quando assumiu a Subsecretaria de Atenção Primária, Vigilância e Promoção da Saúde do Rio. Em 2014, tornou-se secretário municipal de Saúde pela primeira vez, sob o governo de Eduardo Paes. Foi o responsável por liderar a reforma que levou a cobertura da Estratégia Saúde da Família de 3,5% para 70% da população carioca, com a construção de 115 Clínicas da Família e a implantação de 1.280 equipes de saúde da família.
O modelo — que converteu as unidades básicas de saúde em "Clínicas da Família" — tornou-se referência nacional e internacional, rendendo ao Brasil, em 2016, o prêmio WONCA, concedido pela Organização Mundial de Médicos de Família ao país mais bem-sucedido em expandir a medicina da família e comunidade.
A pandemia e o retorno ao centro do furacão
Em janeiro de 2021, no auge da pandemia de Covid-19, Soranz foi chamado de volta ao comando da Secretaria Municipal de Saúde. Sua gestão foi marcada pela elaboração do Plano de Contingência do Município, pela criação do Centro de Inteligência Epidemiológica (CIE) e pela coordenação de uma das maiores campanhas de vacinação da história do país.
Foi sob sua liderança que o Rio de Janeiro deu início à imunização contra a Covid-19, em meio a um cenário de negacionismo científico e escassez global de vacinas.
O mandato na Câmara e a lei que pode economizar R$ 8 bilhões ao SUS
Eleito deputado federal em 2022 com 98.784 votos, Soranz construiu uma atuação parlamentar focada em quatro eixos: fortalecimento do SUS, transformação digital do Estado, inclusão social e segurança pública.
Sua principal bandeira legislativa foi o Projeto de Lei 2133/2023, transformado na Lei nº 15.266/2025, que instituiu o Sistema de Compras Expressas (Sicx). O mecanismo moderniza as compras governamentais de medicamentos e insumos padronizados, com potencial de gerar uma economia estimada entre R$ 6,5 bilhões e R$ 8 bilhões por ano aos cofres do SUS.
"Um projeto de lei que gerou R$ 8 bilhões de economia por ano para o Sistema Único de Saúde. Muda a forma de comprar medicamentos no SUS do Brasil", disse Soranz durante a premiação.
Além disso, o deputado destinou mais de R$ 82 milhões em emendas parlamentares para ampliar o atendimento à saúde no estado.
A recuperação dos hospitais federais do Rio
Outro capítulo relevante de sua gestão foi a participação no processo de reestruturação dos Hospitais Federais do Andaraí e Cardoso Fontes. Entre 2024 e 2026, os dois hospitais — que estavam com suas emergências fechadas há anos — foram reformados e reabriram as portas.
"Nesse mandato a gente conseguiu investir no Hospital do Andaraí, no Hospital Cardoso Fontes. Os hospitais foram totalmente reformados", afirmou.
Os investimentos anunciados chegaram a R$ 1,2 bilhão para a recuperação da rede hospitalar federal do Rio de Janeiro, em parceria entre a Prefeitura e o Ministério da Saúde.
O Super Centro Carioca e a marca de 3 milhões de atendimentos
Sob sua gestão, foi consolidado o Super Centro Carioca de Saúde, no bairro de Benfica — um complexo público que reúne dezenas de especialidades médicas e exames de alta complexidade, como ressonância magnética, tomografia, PET Scan e procedimentos oftalmológicos.
Em 2026, o equipamento ultrapassou a marca de 3 milhões de procedimentos realizados desde sua inauguração, consolidando-se como um dos maiores complexos públicos de saúde da América Latina. Ainda em 2026, foi inaugurada uma segunda unidade, o Super Centro Carioca de Saúde da Zona Oeste, em Campo Grande, com capacidade para mais de 16 mil atendimentos mensais.
A saída da secretaria e a corrida pela reeleição
Em 31 de março de 2026, Soranz foi exonerado da Secretaria Municipal de Saúde, conforme determina a legislação eleitoral. A exoneração foi publicada no Diário Oficial do Município, e o prefeito Eduardo Cavaliere nomeou Rodrigo de Sousa Prado para o cargo.
Soranz agora disputa a reeleição para a Câmara dos Deputados, tendo sua candidatura oficializada na convenção do PSD realizada em 20 de julho, ao lado de Eduardo Paes, candidato ao Governo do Estado.
"É importante que todo mundo vote com consciência, não deixe de votar. Você só vai construir políticas públicas de qualidade se você tiver pessoas que te representem, que representem a capacidade de fazer, de entregar", declarou no evento.

Em meio ao brilho do prêmio Tona Fama, Soranz deixou um recado direto ao eleitorado fluminense:
"Preste muita atenção no período eleitoral, que é um período onde a gente pode realmente mudar a nossa sociedade."
A frase, dita entre um prêmio e outro, resume a aposta de sua campanha: apresentar resultados concretos de gestão como credencial para um novo mandato, em um ano em que a saúde pública volta ao centro do debate eleitoral.

BIOGRAFIA: Dr. Daniel Ricardo Soranz Pinto
Daniel Soranz nasceu em Vassouras (RJ), em 16 de fevereiro de 1979. É médico sanitarista, especialista em Medicina de Família e Comunidade, mestre em Saúde Pública e doutor em Epidemiologia pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), instituição onde atua como professor e pesquisador. Foi secretário municipal de Saúde do Rio de Janeiro por três gestões (2014-2016, 2021-2022 e 2023-2026), acumulando 14 anos à frente da pasta. É o responsável pela expansão da Estratégia Saúde da Família no município, que saltou de 3,5% para 70% de cobertura, e pela criação dos Super Centros Cariocas de Saúde. Eleito deputado federal em 2022 pelo PSD com 98.784 votos, é autor da Lei 15.266/2025 (Sistema de Compras Expressas), que pode gerar economia de até R$ 8 bilhões anuais ao SUS. Preside a Frente Parlamentar da Vacina. Recebeu a Medalha de Mérito Pedro Ernesto (2011), a Medalha Tiradentes (2012) e o prêmio WONCA (2016). É casado e pai de dois filhos.
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Por Ralph Lichotti
Robson Talber @robsontalber
Repórter Oscar Muller @oscarmulleroficial
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