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A Livraria da Travessa de Icaraí, em Niterói, reuniu na última quinta-feira (10) um encontro que uniu direito, comunicação e maternidade.
Ao lado da advogada Rosemary Rosa e da especialista em desenvolvimento humano Maryanna Rosa, autoras de "Seus Direitos de Mulher", a jornalista e radialista Bruna Moreira falou à reportagem sobre o trabalho que desenvolve com famílias atípicas e sobre a importância de uma obra que traduz a lei para a vida real das mulheres.
"Primeiro, é muito importante porque a gente busca elevar as vozes das pessoas com deficiência e de suas famílias.
"A gente tem um olhar diferenciado para mostrar essas pessoas além da deficiência, mostrar que são pessoas com total potencial", afirmou Bruna, que é fundadora do projeto Voz Atípica.
O olhar que vai além do diagnóstico.
Comunicadora com formação em jornalismo e registro profissional de radialista, Bruna transformou a própria vivência em pauta. "Eu, que sou mãe atípica, vivo diretamente essa realidade", contou, ao explicar a origem do trabalho que desenvolve com mães e famílias de pessoas com deficiência.
A proposta do Voz Atípica é deslocar o olhar da deficiência para o potencial. Em vez de reduzir as pessoas a diagnósticos e limitações, o projeto dá visibilidade a trajetórias, conquistas e capacidades que costumam ficar fora do noticiário.
Uma honra como mulher preta e mãe atípica.
Sobre participar do lançamento de "Seus Direitos de Mulher", Bruna foi enfática ao definir o significado do momento. "É uma grande honra para mim, enquanto mulher preta, mãe atípica, que enfrenta diversos atravessamentos numa sociedade que ainda precisa mudar a sua mentalidade", declarou.
Para ela, a obra dialoga diretamente com essa necessidade de transformação. "A proposta do livro está muito didática e realmente traz esse olhar dos nossos direitos enquanto mulheres, numa sociedade que ainda precisa mudar a sua mentalidade", completou.
A união de mulheres de força
Bruna destacou ainda a roda de conversa realizada durante o evento, que reuniu a advogada e outras convidadas. "Vou participar de uma roda de conversa junto com a Dra. Rosemary e outras convidadas, porque realmente é uma união de mulheres de força", afirmou.
A presença da advogada como referência foi ressaltada pela jornalista. "Ter a Dra. Rosemary como referência, potencializando essas vozes por meio desse livro, é uma grande honra", disse, ao anunciar que já havia garantido seu exemplar.
A origem do Voz Atípica
O projeto nasceu de uma experiência pessoal. "Ele nasceu da minha vivência enquanto mãe. Eu sou mãe atípica de dois meninos lindos.
Foi enfrentando os desafios, a falta de acessos, que eu decidi fundar um projeto para realmente dar voz com propósito a pessoas com deficiência e familiares", revelou.

A escolha do nome traduz o método. "Para mim é uma realização pessoal enquanto mãe e também profissional enquanto comunicadora", resumiu Bruna, que concilia a atuação jornalística com o ativismo pela inclusão.
Uma jornada que virou livro.
A trajetória de Bruna também deu origem à obra "Voz Atípica: Dando Voz com Propósito", publicada pela Editora Saber Online.
No livro, ela reúne episódios que vão da infância marcada pela escassez à maternidade atípica, entrelaçando adversidade, fé e transformação — e mostrando como a comunicação se tornou ferramenta de mudança social.
A história é também a de milhares de brasileiras. Segundo o Censo 2022 do IBGE, o Brasil tem 2,4 milhões de pessoas com diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista — 1,2% da população, ou 1 em cada 38 habitantes.
Entre os responsáveis por pessoas autistas ouvidos pela pesquisa, 96% eram a mãe ou o pai.
A sobrecarga invisível das mães
Os dados revelam a dimensão do desafio enfrentado por essas famílias. Levantamento do Mapa Autismo Brasil mostra que apenas 20% dos diagnósticos ocorrem pelo Sistema Único de Saúde (SUS), e que 34,3% dos cuidadores afirmam não ter nenhum tipo de apoio de terceiros.
Estudo publicado na Revista Foco, revisão bibliográfica sobre o amparo psicológico a mães atípicas no Brasil, aponta que a sobrecarga emocional e a ausência de políticas de suporte aparecem como fatores recorrentes na vida dessas mulheres — exatamente o cenário que projetos como o Voz Atípica e obras como "Seus Direitos de Mulher" buscam enfrentar.
Direito e comunicação como ferramentas
A presença de Bruna no lançamento não foi casual. Enquanto Rosemary e Maryanna Rosa desmistificam a linguagem jurídica para que as mulheres saibam onde recorrer e como aplicar a lei a seu favor, a jornalista faz o caminho inverso e complementar: leva essas informações às famílias atípicas por meio da comunicação.
Os temas do livro — direitos trabalhistas, tributários, eleitorais e o combate à violência doméstica — encontram eco direto na realidade das mães atípicas, que frequentemente precisam lidar com licenças, benefícios, laudos e garantias legais para assegurar o cuidado dos filhos.
Onde acompanhar o trabalho?
Ao final da entrevista, Bruna deixou seus canais para quem quer conhecer o projeto e o trabalho jornalístico. "Bruna Moreira, no perfil brumoreiraoficial, é Voz Atípica."
"Você encontra um pouco dos nossos trabalhos lá", convidou.
A jornalista encerrou destacando o que o evento representa para o movimento. A reunião de mulheres de diferentes áreas em torno de um livro sobre direitos, segundo ela, é a prova de que a informação compartilhada se transforma em força coletiva.
Um evento que uniu causas.
O lançamento de "Seus Direitos de Mulher", no ano em que a Lei Maria da Penha completa 20 anos, reuniu mães, advogadas, comunicadoras e lideranças em torno de um propósito comum: tornar o conhecimento jurídico acessível a todas as mulheres.
Com a obra disponível em versão física nas livrarias e nas plataformas Amazon e Mercado Livre, e com e-book e audiolivro a caminho, o projeto cumpre sua função social.
A presença de Bruna Moreira em Icaraí mostrou que a luta por direitos e a luta por inclusão caminham juntas — e que quem dá voz com propósito encontra, na informação, o primeiro instrumento de mudança.

Por Robson Talber @robsontalber
Repórter Oscar Muller @oscarmulleroficial
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