Nestlé, Vale e Unilever enfrentam novo cerco em investigação sobre cartel de salários

Cade barra perguntas das defesas de Nestlé, Vale, Unilever para a fase de depoimentos sobre cartel de salários e manda multinacionais reformularem questionamentos

Nestlé, Vale e Unilever enfrentam novo cerco em investigação sobre cartel de salários

A tensão aumentou nos departamentos jurídicos de corporações como Nestlé, Vale, BRF e General Motors com a nova ofensiva do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) nas investigações do cartel de salários. O Cade começou a cortar as perguntas sugeridas pelos advogados para a fase de depoimentos e mandou as defesas reescreverem o material. A exigência da autarquia é que os interrogatórios parem de focar na opinião pessoal dos declarantes e passem a tratar das ações praticadas pelas empresas.

Na frente que investiga o setor de produtos de consumo o cerco apertou contra dezenas de companhias como Nestlé, Unilever, BRF e Bunge. A equipe técnica do conselho resolveu podar a extensa lista de perguntas apresentada pelos advogados para conduzir os depoimentos. O objetivo é fechar qualquer brecha para respostas evasivas e obrigar as testemunhas a detalharem como as empresas operavam.

O roteiro de rigor se repete no Cade em um segundo processo paralelo que mira um grupo ainda mais heterogêneo de multinacionais operando no país. Corporações de peso como Vale, General Motors, Claro, IBM e a operadora do McDonald’s enfrentam a mesma peneira implacável do conselho. A autoridade tem indeferido seguidos pedidos das defesas e barrado manobras para evitar atrasos no encerramento da instrução probatória.

Todas as empresas enquadradas têm agora um prazo de quinze dias úteis para reformular suas estratégias e adequar os quesitos rejeitados aos padrões exigidos.

Uma eventual condenação por formação de cartel de salários renderia pesadas sanções financeiras previstas pela lei de defesa da concorrência.

Por Jornal da República em 11/09/2026
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