Psicanalista Jaque Martins assina capítulo sobre narcisismo e relacionamentos abusivos em 'Seus Direitos de Mulher'

A Livraria da Travessa de Icaraí, em Niterói, reuniu no lançamento de "Seus Direitos de Mulher" — obra da advogada Rosemary Rosa e da filha, a especialista em desenvolvimento humano Maryanna Rosa — uma contribuição que atravessa o universo jurídico e alcança a subjetividade feminina.

A psicanalista Jaque Martins, autora de um dos capítulos do livro, falou ao Jornal da República sobre a participação e sobre um tema que considera urgente: o narcisismo e os relacionamentos abusivos.

"Foi maravilhoso. Sinto-me muito lisonjeada. "Foi uma experiência muito interessante, porque a gente fala sobre essa questão do narcisismo e sobre as questões que levam uma mulher a se envolver em relacionamentos extremamente abusivos", afirmou.

O capítulo que une psicanálise e direito

A abordagem do capítulo dialoga diretamente com a proposta central da obra. "A abordagem do livro é essa, sobre os direitos da mulher. "Uma mulher que sofre violência emocional precisa saber dos seus direitos", explicou a psicanalista.

A conexão entre as duas áreas é o diferencial do projeto. Enquanto Rosemary e Maryanna Rosa traduzem a lei para o cotidiano, Jaque Martins investiga as raízes emocionais que mantêm tantas mulheres presas a relações que as adoecem.

O reconhecimento que falta

O ponto mais sensível da entrevista veio quando a psicanalista destacou a dificuldade de muitas mulheres em se enxergarem como vítimas.

"O importante é que a abordagem desse capítulo específico faz com que a mulher também se reconheça nesse lugar, porque muitas mulheres acabam não percebendo que estão dentro de um relacionamento abusivo", revelou.

A fala encontra respaldo nos dados. Estudo publicado na revista Psi Unisc, sobre representações sociais de mulheres vítimas de relacionamentos abusivos, aponta que a violência psicológica é frequentemente naturalizada pelas próprias vítimas, que demoram a nomear a experiência como abuso.

A violência psicológica: o crime mais comum e o menos denunciado.

Os números ajudam a dimensionar o problema. Segundo o Instituto de Segurança Pública (ISP) do Rio de Janeiro, a violência psicológica é a principal forma de agressão contra mulheres no estado pelo quinto ano consecutivo.

O Dossiê Mulher 2026 registrou 159.041 meninas e mulheres vítimas de algum tipo de violência no Rio em 2025.

O Fórum Brasileiro de Segurança Pública estima que a violência psicológica afeta cerca de 12% das mulheres no Brasil — aproximadamente 10 milhões de pessoas.

E a subnotificação é o maior obstáculo: estudo na revista Ciência & Saúde Coletiva calcula que 98,5% dos casos de violência psicológica não chegam aos sistemas oficiais de notificação.

O narcisismo como dinâmica de abuso

A psicanalista aborda em seu capítulo o narcisismo como estrutura relacional que sustenta o abuso. Em relacionamentos narcisistas, a vítima é submetida a um ciclo de idealização, desvalorização e descarte, no qual a autoestima é progressivamente minada.

Pesquisa publicada na Revista Contemporânea, dedicada à "violência narcisista contra a mulher", analisa como essa dinâmica psicológica se manifesta de forma sutil, dificultando o reconhecimento tanto pela vítima quanto pelo entorno social.

O direito como ferramenta de saída.

Para Jaque Martins, o conhecimento jurídico é parte essencial do processo de libertação. "Com livros como esse, mostra que a mulher tem os seus direitos e também tem o seu poder de estar fazendo parte e denunciando cada vez mais quem abusa da força ou de algo que faça mal a uma mulher", afirmou.

A Lei Maria da Penha (nº 11.340/2006) é o instrumento central desse reconhecimento. E a Lei nº 14.188/21, que tipificou a violência psicológica como crime, ampliou a proteção — ainda que a efetividade dependa, como mostram os estudos, da capacidade de a vítima reconhecer e nomear o que vive.

A leitura como primeiro passo.

A psicanalista encerrou com uma convicção sobre o efeito prático da obra. "Eu tenho certeza de que a leitura vai levar a mulher a se reconhecer e tomar as devidas providências", declarou.

A proposta do capítulo é exatamente essa: fazer a ponte entre a percepção emocional e a ação concreta. Reconhecer-se como vítima é o primeiro passo; saber onde recorrer é o segundo — e o livro entrega ambos.

Uma voz dedicada à cura emocional.

Jaque Martins é psicanalista com atuação voltada a temas como ansiedade, relacionamentos e rejeição, unindo ciência e fé no cuidado emocional. Seu trabalho, disponível em atendimentos online, alcança mulheres em todo o país e se conecta diretamente à missão do livro.

Ao final da entrevista, a psicanalista deixou seus canais para quem quiser conhecer o trabalho. "É @jaquemarttins no Instagram e no YouTube", indicou, convidando o público a acompanhar o conteúdo sobre saúde emocional.

Um livro que atravessa as camadas da violência.

A participação de Jaque Martins em "Seus Direitos de Mulher" reforça a dimensão multidisciplinar da obra, que une direito, psicanálise e desenvolvimento humano.

A proposta é tratar a violência contra a mulher em sua complexidade: da letra da lei à dinâmica emocional que mantém o ciclo de abuso.

Com o livro disponível em versão física nas livrarias e nas plataformas Amazon e Mercado Livre — e com e-book e audiolivro a caminho —, o projeto cumpre sua função social. E, como resume a psicanalista, a informação é o primeiro instrumento de transformação: reconhecer-se é o começo de toda mudança.

Biografia de Jaque Martins

Jaque Martins é psicanalista com atuação dedicada ao cuidado emocional, especializada em temas como ansiedade, relacionamentos, rejeição e os impactos psicológicos da violência contra a mulher.

Em sua prática, une ciência e fé para a cura emocional, oferecendo atendimentos online que alcançam mulheres em todo o Brasil.

É autora de um dos capítulos de "Seus Direitos de Mulher", obra da advogada Rosemary Rosa e da especialista em desenvolvimento humano Maryanna Rosa, no qual aborda o narcisismo e as dinâmicas dos relacionamentos abusivos, ajudando leitoras a reconhecerem situações de violência emocional e a buscarem seus direitos.

Sua contribuição ao livro reforça a dimensão multidisciplinar do projeto, que une direito, psicanálise e desenvolvimento humano no enfrentamento à violência de gênero.

Compartilha conteúdo sobre saúde emocional e relacionamentos em suas redes sociais, onde mantém perfis no Instagram e no YouTube. Instagram e YouTube: @jaquemarttins.

Por Robson Talber @robsontalber

Repórter Antonio Lemos, @djportugues

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Por Jornal da República em 11/09/2026
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