Flagrado com R$ 80 mil em espécie, comissionado do governo do Rio ligado a deputado do PL é alvo de investigação

Dinheiro em espécie, órgão público e reeleição: o caso que agita a campanha na Zona Oeste

Flagrado com R$ 80 mil em espécie, comissionado do governo do Rio ligado a deputado do PL é alvo de investigação

Funcionário do Iterj foi abordado na Avenida Brasil com oito maços de dinheiro que, segundo ele, pertenciam a Jorge Felippe Neto; caso reforça suspeitas de uso político do instituto, que já é alvo de ação de improbidade do Ministério Público

Um flagrante na Avenida Brasil colocou em evidência uma trama que envolve dinheiro em espécie, um órgão público estadual e a campanha de um deputado à reeleição. Um homem foi abordado por policiais com R$ 80 mil em maços de dinheiro que, segundo ele, pertenciam ao deputado estadual e candidato pelo PL Jorge Felippe Neto. O detalhe que chama atenção: o condutor é funcionário comissionado do governo do Estado do Rio.

Fábio Frederico da Silva Nascimento, de 49 anos, está lotado desde abril de 2023 no Instituto de Terras e Cartografia do Rio (Iterj), com salário de R$ 5,3 mil por uma carga de 40 horas semanais na presidência do órgão. A abordagem ocorreu na altura de Deodoro, quando o veículo transportava oito bolos de dinheiro.

O flagrante na Avenida Brasil

Segundo a coluna de Lauro Jardim, no site de O Globo, Fábio foi abordado em um veículo na Avenida Brasil, na altura de Deodoro, com oito maços de dinheiro. Na delegacia, ele informou que os valores pertenciam ao deputado e que atuava como assessor de Jorge Felippe Neto, que estaria fazendo serviços políticos em Bangu e seguia para Magalhães Bastos para panfletagem.

A ocorrência foi registrada na 33ª Delegacia de Polícia (Realengo), e o procedimento está sob sigilo, conforme informou a assessoria de imprensa da Polícia Civil, que não detalhou o andamento das investigações.

A defesa do deputado

Em nota enviada por sua assessoria de imprensa, Jorge Felippe Neto afirmou que a origem lícita dos recursos foi comprovada no registro policial. "Os valores integram meu patrimônio e estão regularmente declarados em meu Imposto de Renda, não havendo qualquer ocultação quanto à existência dos recursos", declarou.

Ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o parlamentar declarou um total de R$ 690,4 mil em bens, parte em investimentos em ações e renda fixa, sem discriminação específica de recursos em espécie.

O trabalho voluntário na campanha

Sobre o funcionário do Iterj, o deputado afirmou que Fábio atuou voluntariamente na campanha no dia 7 de setembro, feriado nacional. "Como qualquer cidadão, tem liberdade para participar de atividades políticas fora do exercício de suas funções profissionais, não havendo qualquer ilegalidade nessa atuação voluntária", disse.

A assessoria acrescentou que, no registro policial, Fábio informou atuar como voluntário, e que a denominação "assessor" foi usada apenas em referência à colaboração política voluntária na data.

O Iterj sob suspeita de uso eleitoral

O caso reforça os indícios de influência política do parlamentar no Iterj. Em junho, a 3ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva do Patrimônio Público e da Cidadania da Capital ajuizou ação civil pública por improbidade administrativa contra Jorge Felippe Neto, o vereador do Rio Jorge Felippe e dois dirigentes do órgão estadual.

De acordo com a ação, o presidente do Iterj, Robson da Silva Claudino, e a diretora de Administração Fundiária do instituto, Mariana Felippe — esposa do deputado — teriam atuado para favorecer os dois políticos com a realização de obras de construção e reformas de praças públicas em bairros da Zona Oeste do Rio, reduto eleitoral da família.

Contratos milionários e a função desviada

A investigação teve origem em reportagem veiculada em 2024 pelo RJ2, da TV Globo, que revelou contratos de R$ 31,4 milhões para reforma de praças, apesar de a principal função do instituto ser a regularização fundiária. O MPRJ instaurou inquérito e ajuizou ação contra a cúpula do Iterj e os políticos por suspeita de uso de obras para promoção pessoal.

O Tribunal de Contas do Estado (TCE) também multou o presidente do Iterj por desvio de recursos públicos relacionados às obras em praças de Campo Grande, na Zona Oeste, região de atuação do deputado.

Quase 30% dos comissionados com vínculos políticos

Levantamento obtido pela CBN revelou que quase 30% dos funcionários comissionados do Iterj têm vínculos políticos com o deputado Jorge Felippe Neto e com seu avô, o vereador Jorge Felippe. Entre os nomeados estão ex-vereadores e até uma professora de matemática, em um órgão criado em 1990 para tratar de política agrária e regularização fundiária.

A concentração de aliados no instituto reforça a tese do Ministério Público de que a autarquia estadual estaria sendo utilizada como base de apoio político-eleitoral da família Felippe.

A resposta do deputado

Jorge Felippe Neto negou qualquer irregularidade, afirmando que apenas lutou para levar obras que beneficiaram a população da região onde atua. O parlamentar, que nasceu em Padre Miguel e foi eleito em 2014 com 32.066 votos em sua primeira disputa, deixa o Avante e se filiou ao PL em 2026, tornando-se parte da bancada de 22 parlamentares da legenda na Alerj.

Advogado, de 30 anos, o deputado é neto do vereador Jorge Felippe e disputa a reeleição com o número 22800, em chapa que também apoia o deputado federal General Pazuello.

O peso do caso na reta final da campanha

O flagrante chega em um momento decisivo da disputa eleitoral, a menos de um mês das eleições de 4 de outubro. A combinação entre dinheiro em espécie, um comissionado do governo e um órgão público já sob investigação coloca o caso como um dos mais sensíveis da campanha na Zona Oeste do Rio.

Enquanto a Polícia Civil mantém o procedimento sob sigilo, o Ministério Público segue com a ação de improbidade que pode resultar em sanções aos envolvidos. A origem dos R$ 80 mil e o alcance da influência política no Iterj são questões que ainda aguardam resposta — e que prometem marcar a reta final da campanha do deputado.

Biografia de Jorge Felippe Neto

Jorge Felippe Neto é advogado e deputado estadual do Rio de Janeiro, nascido em 8 de janeiro de 1992, em Padre Miguel, na Zona Oeste da capital fluminense. Eleito pela primeira vez em 2014, com 32.066 votos, é o parlamentar mais jovem a integrar a bancada da Alerj em sua primeira disputa, construindo uma trajetória de mais de uma década no legislativo fluminense. Desde a infância acompanha o trabalho do avô, o vereador do Rio Jorge Felippe, de quem herdou a atuação política na Zona Oeste. Pai do Jorginho e da Helena, adotante de dois pets, é formado em Direito e, em 2026, filiou-se ao Partido Liberal (PL), integrando a bancada de 22 parlamentares da legenda na Alerj, disputando a reeleição com o número 22800. Sua atuação é marcada pela defesa dos interesses da população da Zona Oeste, região onde concentra sua base eleitoral, com pautas voltadas à saúde, à infraestrutura e ao desenvolvimento dos bairros da região.

Por Jornal da República em 10/09/2026
Aguarde..