Fundo eleitoral da antidemocracia no Rio: partidos injetam R$ 27,8 milhões em dois candidatos (Paes e Douglas) e expõem desigualdade na disputa

Fundo eleitoral da antidemocracia no Rio: partidos injetam R$ 27,8 milhões em dois candidatos (Paes e Douglas) e expõem desigualdade na disputa

 Repasse de R$ 10 milhões do PSD a Eduardo Paes reduziu a distância para Douglas Ruas, que já recebeu R$ 17,8 milhões do PL e atingiu o teto de gastos. Enquanto isso, candidatos sem mandato disputam com centavos — e a Justiça Eleitoral suspendeu o acesso de Garotinho ao fundo.

A corrida ao Palácio Guanabara escancarou, na reta final do primeiro turno, a face mais controversa do financiamento eleitoral brasileiro: o peso desproporcional do fundo público nas mãos de quem já tem mandato e estrutura. Neste domingo (30), o candidato Eduardo Paes (PSD) declarou à Justiça Eleitoral um repasse de R$ 10 milhões do próprio partido, saltando para a segunda posição no ranking de arrecadação. O valor, porém, ainda o deixa R$ 7,8 milhões atrás do líder, Douglas Ruas (PL), que acumula R$ 17,8 milhões — quase tudo vindo da direção nacional da legenda.

A liderança de Ruas e o teto de gastos

Presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Douglas Ruas recebeu R$ 17.788.000 do diretório nacional do PL e apenas R$ 50 mil do próprio bolso. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, o montante foi transferido em dois Pix no dia 24 de agosto — e levou a arrecadação do candidato ao teto de gastos permitido para a campanha ao governo, conforme levantamento do jornal O Globo. O detalhe ganha relevância porque, na pesquisa Genial/Quaest de 25 de agosto, Ruas era desconhecido por 59% do eleitorado fluminense, mesmo assim liderando a arrecadação com folga.

Paes entra na disputa financeira

Com a entrada dos R$ 10 milhões do PSD, Paes — que até sexta-feira (28) não havia declarado nenhuma receita — passou a ocupar a segunda colocação no ranking. A diferença para Ruas caiu para R$ 7,8 milhões. O movimento reforça a tese de que, no financiamento eleitoral, o dinheiro público segue os candidatos já consolidados: Paes lidera as pesquisas com 37% das intenções de voto, contra 14% de Ruas e 7% de Garotinho, segundo a Quaest.

A distância abissal para quem disputa pela primeira vez

O contraste com os demais concorrentes é o retrato da desigualdade apontada por críticos do modelo. William Siri (PSOL), que aparecia em segundo na última atualização, caiu para a terceira posição, com R$ 1,04 milhão. André Marinho (Novo) registra R$ 135 mil; Coronel Busnello (Missão), R$ 100 mil, todo vindo do partido; e Juliete (UP), R$ 6.545,19, de doações e financiamento coletivo. Cyro Garcia (PSTU) declarou R$ 300, enquanto Luan Monteiro (PCO) segue sem valores informados.

Garotinho e a suspensão do fundo

O caso de Anthony Garotinho (Republicanos) ilustra outra fragilidade do sistema: o candidato declarou apenas R$ 2,5 mil em doações e teve o acesso aos recursos do fundo eleitoral suspenso pela Justiça Eleitoral nesta semana — decisão que Paes chegou a reforçar junto ao Tribunal Regional Eleitoral fluminense. Na prática, a disputa financeira concentra-se em duas siglas: PL e PSD, que juntas injetaram R$ 27,8 milhões em seus candidatos.

O debate nacional por trás dos números

O caso fluminense é um microcosmo de um problema estrutural. Para as eleições de 2026, o TSE reservou R$ 4,9 bilhões no Fundo Especial de Financiamento de Campanha, distribuídos conforme o número de eleitos em 2022 — o que favorece justamente as maiores bancadas. O PL, por exemplo, triplicou sua cota em quatro anos e lidera com R$ 881,6 milhões. O resultado, na avaliação de analistas, é o que o próprio eleitorado fluminense tem testemunhado: quem já tem mandato, emendas e estrutura disputa com armas muito maiores do que quem chega pela primeira vez — uma distorção que, na prática, compromete o princípio da igualdade no processo democrático. O

Perfis dos protagonistas

Eduardo Paes, ex-prefeito do Rio e candidato do PSD ao governo, lidera as pesquisas com 37% e declarou patrimônio de R$ 189 mil.

Douglas Ruas, presidente da Alerj e candidato do PL, tornou-se o campeão de arrecadação ao receber R$ 17,8 milhões da direção nacional da legenda, apesar de ainda ser desconhecido por 59% do eleitorado..

Por Jornal da República em 30/08/2026
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