Governo Lula não deverá aderir ao ‘Conselho da Paz’ de Trump

Brasília considera que projeto ameaça existência da ONU, mina multilateralismo e confere poderes internacionais para Trump

Governo Lula não deverá aderir ao ‘Conselho da Paz’ de Trump

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva deverá declinar o convite de Donald Trump para fazer parte do Conselho da Paz, uma organização proposta pelo americano e que poderia substituir a própria ONU. Fontes de diferentes órgãos do governo federal confirmaram ao ICL Notícias que um primeiro relatório interno foi realizado e que a recomendação ao presidente é que o Brasil ignore a proposta.

Trump fez o convite a uma dezena de líderes na esperança de reunir apoio para o organismo que teria ele mesmo como presidente. Todas as decisões teriam de passar por sua aprovação e, para ser membro permanente, um país teria de pagar US$ 1 bilhão.

Javier Milei, presidente da Argentina, se apressou em declarar que vai aceitar o convite, enquanto vários outros governos pelo mundo estão mantendo um silêncio profundo.

Para o Brasil, alguns elementos da proposta são considerados como problemáticos.

O primeiro deles é que a estrutura acaba com o multilateralismo e o direito internacional, com o risco de aprofunda desigualdades entre países.

Outro problema é que toda a autoridade fica nas mãos de Trump, o único que teria um poder de veto. Na prática, o novo Conselho seria uma versão piorada do Conselho de Segurança da ONU, hoje com cinco vetos.

O Brasil também considera que o sistema cria diferentes categorias de países a partir de quem paga para ser membro permanente.

Também preocupa o fato de que o tratado de criação não dá qualquer espaço para negociar os termos de adesão. Para fazer parte, o país terá de acatar todos os pontos apresentados por Trump.

Segundo diplomatas, nem em 1945 o governo americano fez tal imposição ao negociar a criação da ONU. Por meses, o Brasil tentou convencer os países de que deveria fazer parte do Conselho de Segurança. Mas fracassou.

Para completar, desta vez, o novo órgão daria a possibilidade de que Trump atue em qualquer lugar do mundo, ameaçando os interesses de estabilidade do Brasil na América do Sul.

Lula ainda não deu uma resposta ao americanos e o Palácio do Planalto aponta que a ideia ainda está sendo examinada. Uma das opções consideradas pelo governo é a de simplesmente se manter em silêncio, deixando que o projeto perca força internacional.

Por Jornal da República em 19/01/2026
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