Haddad apresenta plano para São Paulo com ênfase em ensino técnico, IA na segurança e transição energética

Haddad apresenta plano para São Paulo com ênfase em ensino técnico, IA na segurança e transição energética

Em entrevista ao programa "No Osso", da iniciativa Derrubando Muros, o ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo paulista, Fernando Haddad, delineou um conjunto de propostas para o estado que passa por três eixos centrais: reforma da educação pública, uso de tecnologia no combate ao crime organizado e aproveitamento das oportunidades da transição energética.

Ao ser questionado por especialistas de diferentes áreas durante a sabatina, Haddad afirmou que São Paulo vive um momento de esvaziamento em sua capacidade de planejamento de longo prazo. Segundo ele, as últimas gestões estaduais teriam sido conduzidas por figuras mais preocupadas com projetos políticos de alcance nacional do que com um projeto de desenvolvimento específico para o estado.

Educação: valorização docente e ensino técnico regionalizado

O tema educacional, provocado pela especialista Priscila Cruz, ocupou parte relevante da entrevista. Haddad chamou atenção para o que classificou como uma contradição: mesmo com renda per capita muito acima da de estados como o Piauí, São Paulo apresenta desempenho inferior em alfabetização e em matrículas de ensino integral e profissionalizante.

Para o pré-candidato, parte do problema estaria na forma como a rede estadual tem sido gerida nos últimos anos — um modelo que, na sua avaliação, apostou pesadamente em plataformas digitais de controle e cobrança de relatórios, gerando desgaste e desconfiança junto aos professores.

Como resposta, Haddad defende três frentes: retomar metas mais ambiciosas de ensino em tempo integral, tomando como referência experiências bem-sucedidas em nível federal e em outros estados; desenvolver um ensino técnico que dialogue com as vocações econômicas de cada região paulista, citando como exemplo o Vale do Ribeira, o Vale do Paraíba e o Oeste do estado; e reconstruir a relação com o magistério por meio de concursos regulares, incentivos à formação de novos professores via programas como o PIBID, e maior integração entre universidades e escolas básicas.

Segurança pública: gabinete integrado e inteligência artificial

Sobre segurança, tema levantado por João Tavares e pelo especialista Alberto Copitke, Haddad sustentou que o crime organizado só consegue avançar quando encontra um Estado fragmentado e sem coordenação entre suas próprias forças.

Ele se comprometeu a criar e presidir pessoalmente um gabinete permanente de segurança, reunindo não apenas as polícias Militar e Civil, mas também instituições federais como Polícia Federal, COAF e Receita Federal. Como exemplo de estratégia já testada, mencionou sua passagem pelo Ministério da Fazenda, quando usou instrumentos fiscais para atingir o financiamento de organizações criminosas — incluindo apreensões de combustíveis irregulares e regulação de casas de apostas online.

Haddad também defendeu o uso de inteligência artificial no monitoramento urbano, permitindo identificar padrões e agir em tempo real para prisões em flagrante. No campo da violência doméstica, propôs que saúde, assistência social e educação trabalhem de forma integrada para detectar sinais de agressão contra mulheres e crianças antes que os casos evoluam para feminicídio.

Transição verde e apoio a pequenas empresas

Questionado pelo ambientalista Tasso Azevedo, Haddad defendeu que São Paulo tem condições de liderar a transição energética no país, aproveitando sua produção expressiva de etanol de cana-de-açúcar como alternativa a insumos fósseis usados pela indústria petroquímica.

Ele propôs ainda dar transparência total aos incentivos fiscais concedidos pelo governo estadual — nos moldes de um portal federal que detalha benefícios por CNPJ — e condicionar esses incentivos a compromissos socioambientais concretos. Para estimular a inovação entre pequenos e médios negócios, sugeriu transformar a agência de fomento paulista em um banco de desenvolvimento capaz de oferecer crédito mais acessível a empresas que hoje têm dificuldade de acesso a linhas de financiamento robustas.

Fonte: Brasil 247 

Por Jornal da República em 20/07/2026
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