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Irã afirmou que Estreito de Ormuz segue fechado no longo prazo para EUA e Israel
As forças militares do Irã declararam nesta quinta-feira (2), que o Estreito de Ormuz permanecerá fechado no “longo prazo” para navios dos Estados Unidos e de Israel, em meio à escalada da guerra no Oriente Médio. A afirmação da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) ocorre após 30 dias de bloqueio parcial, que já tensiona os mercados globais de petróleo, por onde passa cerca de 20% do suprimento mundial.
Autoridades do Irã anunciaram nesta que o país está trabalhando em um protocolo para garantir o tráfego marítimo através do Estreito de Ormuz em conjunto ao Omã.
O vice-ministro de Relações Exteriores, Kazem Gharibabadi, disse à agência estatal russa Sputnik que o protocolo para gerenciar a circulação das embarcações seria aplicado assim que a guerra terminasse.
Contexto da crise no Estreito
Desde 28 de fevereiro de 2026, data do início dos ataques americanos e israelenses contra alvos iranianos, o Irã adotou medidas para controlar o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, via estratégica de 34 km de largura entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã. Inicialmente, Teerã anunciou liberação de passagem para nações que rompessem relações com Washington e Tel Aviv, como árabes ou europeus que expulsassem embaixadores inimigos. Hoje, no entanto, a IRGC reforçou que o canal segue sob “pleno controle” da Marinha iraniana, rejeitando reabertura sob condições impostas pelos EUA.
O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, classificou o bloqueio como “consequência direta da agressão” liderada pelo presidente Donald Trump, que chama o estreito de “Estreito Trump” e afirma estar “vencendo a guerra”. Apesar de poucas dezenas de petroleiros terem cruzado desde o fechamento – volume de um dia normal –, o Irã usa a rota como “arma de guerrilha econômica”, segundo analistas.
Reações internacionais
Sem os EUA, o Reino Unido reuniu mais de 40 países em cúpula na quarta-feira (1º) para discutir o bloqueio, com a secretária de Relações Exteriores, Victoria Prentis, afirmando que o Irã faz a “economia global refém”. Europa e Japão manifestaram disposição para negociações diplomáticas, enquanto os participantes avaliam novas sanções contra Teerã caso o estreito não reabra. Trump negou necessidade do Ormuz para os EUA, mas alertou para impactos globais.
A expectativa de acordo impulsionou bolsas nesta quinta, mas analistas preveem volatilidade enquanto a IRGC mantém o cerco.
Impactos econômicos e militares
O bloqueio parcial já elevou preços do petróleo em 30% desde março, afetando Brasil e emergentes. A PF e agências internacionais monitoram rotas alternativas, como Bab el-Mandeb, também ameaçada pelo Irã. Militares iranianos prometem “controle total” no longo prazo para “agressores”, sem data para liberação irrestrita.
O conflito segue sem cessar-fogo, com contrapropostas iranianas sob análise na Casa Branca. Representantes de Teerã e aliados foram contatados, mas não responderam até o fechamento da edição.
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