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Rio de Janeiro — Enquanto a Convenção Estadual do MDB avançava na homologação de candidaturas, uma das vozes que subiu ao palco não veio da política tradicional.
Veio do consultório. Célia Menezes, psicanalista clínica e pré-candidata a deputada estadual pelo MDB, conhece por dentro o que os números do Fórum Brasileiro de Segurança Pública confirmam: o Brasil nunca matou tantas mulheres.
"Eu atendo muitas mulheres em estado de vulnerabilidade e violência doméstica, que está crescendo a cada dia.
"Nesse momento em que a gente está falando, com certeza tem uma mulher sendo assassinada, estuprada ou espancada", afirmou em entrevista ao Jornal da República e Última Hora.
O dado que sustenta a fala de Célia é estarrecedor. O Brasil registrou 1.568 feminicídios em 2025, o maior número desde a tipificação do crime, em 2015. O crescimento foi de 4,7% em relação ao ano anterior.
No primeiro trimestre de 2026, foram 399 feminicídios — alta de 7,5% sobre o mesmo período de 2025, segundo o Monitor de Feminicídios.
A saúde mental como pauta urgente.
Célia Menezes não é uma candidata que descobriu a violência doméstica nos discursos de campanha. Ela vive o tema diariamente.
Como psicanalista clínica, atende mulheres que sobrevivem a agressões físicas, psicológicas e patrimoniais — e carrega na bagagem a experiência de quem também já passou por situações de violência.
"Eu passei por algumas situações também. "Só quem passa pode falar como é traumatizante e a necessidade de se curar", desabafou.
A saúde mental feminina é o centro de sua plataforma política. A escolha não é casual. Dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), divulgados pela Folha de S. Paulo, em abril de 2026, revela que a violência levou cerca de 900 mulheres por dia a unidades de saúde em 2025 — 330 mil atendimentos no ano.
Mais da metade já havia sido atendida antes pelo mesmo motivo.
"Estamos vivendo um momento muito triste, não por falta de segurança, mas por falta de educação mental dos homens que nos agridem", afirmou Célia, apontando para a raiz cultural do problema.
A mulher na chapa majoritária
A Convenção Estadual do MDB, realizada neste mês de julho, homologou as candidaturas do partido para as eleições de 2026 e oficializou o apoio à chapa de Eduardo Paes (PSD) ao governo do estado, com a advogada Jane Reis (MDB) como candidata a vice-governadora.
Para Célia, a presença de uma mulher na chapa majoritária representa um avanço histórico. "Foi uma honra muito grande a gente ter uma mulher representando todas nós num cargo majoritário, porque isso raramente acontece." Só quem é mulher sabe das nossas necessidades na saúde, na educação, no trabalho, na segurança pública."
Jane Reis, advogada e ex-presidente do MDB Mulher de Duque de Caxias, foi anunciada em fevereiro como a escolhida para compor a chapa.
Irmã do presidente estadual do MDB, Washington Reis, sua indicação foi celebrada pela ala feminina do partido como um passo na direção da representatividade.
O MDB Nacional, em movimento paralelo, oficializou novas regras para blindar a participação feminina nas eleições de 2026 e barrar candidaturas fictícias — um problema histórico que distorce as estatísticas de representatividade no país.
A candidatura que nasce da clínica
Célia Menezes já havia concorrido a vereadora do Rio de Janeiro nas eleições de 2024 pelo MDB, obtendo registro deferido. Agora, dá o salto para a disputa estadual com uma plataforma que une duas frentes: o combate à violência contra a mulher e a ampliação do acesso à saúde mental.
"Eu venho representando as mulheres na luta contra a violência e no atendimento à saúde mental. "Nós, mulheres, estamos passando por muitas dificuldades, em estado de vulnerabilidade total, com falta de respeito, falta de dignidade, falta de trabalho e mais incentivo", disse.
A candidata defende que a violência de gênero não será resolvida apenas com delegacias e leis — é preciso tratar as causas profundas, que incluem a saúde mental dos agressores e o acolhimento das vítimas.
O retrato de um estado que sangra.
O Rio de Janeiro ocupa a terceira posição no ranking nacional de feminicídios, com 104 casos registrados em 2025, segundo a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Alerj.
O estado também registrou 71.762 novos casos de violência doméstica entre janeiro e novembro de 2025, de acordo com o Tribunal de Justiça.
O Atlas da Violência 2026, elaborado pelo Ipea e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, revelou que são em média 276 mulheres por dia vivendo em situações repetidas de violência no Brasil. Em 2024, 3.642 mulheres foram mortas em contextos de violência de gênero.
Os números explicam por que Célia Menezes trocou o divã do consultório pelo palanque. "A minha luta é que possamos, nessa investida, inserir mais mulheres na política, mais mulheres dentro do MDB. Só a união faz a força."
Bio: Célia Menezes.
Célia Maria Menezes Soares Alves é psicanalista clínica e pré-candidata a deputada estadual pelo MDB do Rio de Janeiro.
Com experiência no atendimento a mulheres em situação de vulnerabilidade e violência doméstica, construiu sua plataforma política em torno de duas bandeiras principais: o combate à violência contra a mulher e a ampliação do acesso à saúde mental.
Já havia concorrido a vereadora do Rio de Janeiro nas eleições de 2024 pelo mesmo partido. Integra a executiva do MDB Mulher e participou ativamente da Convenção Estadual que homologou as candidaturas do partido para 2026 e oficializou o apoio à chapa de Eduardo Paes e Jane Reis ao governo do estado.
Sua trajetória combina atuação clínica e militância política, com ênfase na prevenção e no acolhimento de vítimas de violência de gênero.

Repórter Ralph Lichotti - Advogado e Jornalista, Editor do Ultima Hora Online e Jornal da República, Foi Sócio Diretor do Jornal O Fluminense e acionista majoritário do Tribuna da Imprensa, Secretário Geral da Associação Nacional, Internacional de Imprensa - ANI, Ex- Secretário Municipal de Receita de Itaperuna-RJ, Ex-Presidente da Comissão de Sindicância e Conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa - ABI - MTb 31.335/RJ
Por Robson Talber
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