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O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, afirmou durante coletiva na tarde desta terça-feira (7) que o governo Lula entrará em 2026 com uma estratégia deliberada de reduzir a produção legislativa e concentrar sua atuação em um pacote restrito de prioridades. Segundo ele, o ano eleitoral impõe limites objetivos ao funcionamento do Congresso e exige do Planalto uma escolha clara sobre onde gastar capital político.
A diretriz, de acordo com Lindbergh, é enviar o mínimo possível de novos projetos ao Legislativo e evitar transformar o Congresso em um campo permanente de confronto. O governo, afirmou, pretende atravessar 2026 priorizando a defesa de suas realizações e a consolidação do discurso político para a reeleição de Lula, em vez de abrir novas frentes de desgaste parlamentar.
Dentro desse desenho, o deputado listou as pautas que o PT considera centrais na retomada dos trabalhos. A principal delas é o veto presidencial ao projeto que altera a dosimetria das penas, tratado pelo partido como uma tentativa disfarçada de anistia aos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro. Lindbergh afirmou que o tema é prioridade absoluta por envolver a preservação de decisões do Supremo Tribunal Federal e a defesa da democracia.
Outra frente destacada é o debate sobre o fim da escala de trabalho 6×1, que vem ganhando força na sociedade e no movimento sindical. Segundo Lindbergh, o presidente da Câmara, Hugo Motta, demonstrou disposição para assumir o tema como uma de suas bandeiras, o que pode viabilizar o avanço da discussão no início do ano legislativo.
O pacote de prioridades inclui ainda duas propostas na área de segurança pública: a PEC da Segurança e o projeto de combate às facções criminosas. Sobre este último, Lindbergh afirmou que o texto retornou do Senado substancialmente modificado e avaliou que o relatório aprovado é tecnicamente superior à versão original enviada pela Câmara, o que, na visão do governo, melhora as condições para o debate.
Completa a lista a Medida Provisória do Gás, considerada estratégica pelo Planalto para a política energética. Segundo o líder do PT, essas pautas concentram o esforço do governo no Congresso no início de 2026, justamente para evitar a pulverização da agenda em um ano politicamente sensível.
Ao projetar o funcionamento do Legislativo ao longo do ano, Lindbergh afirmou que o ritmo de votações tende a se concentrar até abril, seguindo o padrão histórico de anos eleitorais. A partir desse período, a agenda parlamentar perde tração, com deputados e senadores voltados às campanhas em seus estados.
Para o líder petista, esse cenário exige uma atuação seletiva e pragmática do governo. Ele disse que o Planalto não pretende transformar 2026 em um ano de confrontos permanentes no Congresso, mas ressaltou que isso não significa recuo político. Segundo ele, o PT seguirá atuando de forma ofensiva na disputa de narrativas.
Lindbergh afirmou ainda que o governo chega ao ano eleitoral respaldado por indicadores econômicos positivos e por políticas já implementadas ao longo do mandato. Nesse contexto, a principal batalha de 2026, avaliou, não será travada no volume de projetos aprovados, mas na capacidade de apresentar resultados e disputar politicamente o sentido dessas entregas junto ao eleitorado.
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