Lula, Couto e Paes: o trio que tenta virar a página da crise política no Rio de Janeiro bate recorde de popularidade

STF mantém, Lula aplaude e oposição contesta: a disputa jurídica que mantém Ricardo Couto no governo do Rio

Lula, Couto e Paes: o trio que tenta virar a página da crise política no Rio de Janeiro bate recorde de popularidade

 Lula abraça Ricardo Couto e sela aliança estratégica para o Rio: "Ele vai ajudar a consertar o estado"

Em meio à disputa pelo Palácio Guanabara, presidente faz aceno direto ao governador interino e pavimenta o caminho de Eduardo Paes para 2026; bolsonaristas reagem

Lula e Couto: o inesperado eixo político do Rio

A cena era incomum para os padrões da política fluminense. No palco do Rio2C, um dos maiores eventos de inovação e criatividade da América Latina, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) interrompeu o discurso para fazer um pedido ao público de olhos fechados: uma salva de palmas para o governador interino do Rio de Janeiro, o desembargador Ricardo Couto de Castro. A imagem do presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) sendo ovacionado ao lado de Lula, a pedido do próprio petista, marcou uma nova etapa na articulação política para a sucessão estadual.

"Ele vai ajudar a consertar o Rio de Janeiro", afirmou Lula, em declaração registrada por O Globo e pelo portal O Dia. A frase, repetida em tom solene, ecoou como um selo de aprovação do Palácio do Planalto à gestão interina de um magistrado que até março era visto como figura técnica e distante das arenas partidárias.

O caminho tortuoso até o Palácio Guanabara

Ricardo Couto não chegou ao governo por eleição. Assumiu o cargo em 23 de março de 2026, após a renúncia de Cláudio Castro (PL), que deixou o Palácio Guanabara para concorrer ao Senado Federal. A linha sucessória, no entanto, estava embaralhada: o cargo de vice-governador estava vago desde a saída de Thiago Pampolha, e o então presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil), encontrava-se afastado por decisão do Supremo Tribunal Federal.

Coube ao STF determinar que Couto, como presidente do TJ-RJ e quarto na linha sucessória, assumisse interinamente o Executivo estadual. O que parecia uma solução provisória de alguns dias se estendeu por mais de dois meses. Em entrevista à jornalista Miriam Leitão, o próprio Couto admitiu que acreditava que ficaria no cargo por apenas um mês.

O STF como árbitro da sucessão

O cenário de indefinição jurídica levou a uma batalha em múltiplas frentes no Judiciário. Em 24 de abril, o ministro Cristiano Zanin, do STF, decidiu manter Couto no cargo até que haja uma definição sobre a realização de eleição para o mandato-tampão. A decisão contrariou diretamente os interesses do PL e da ala bolsonarista.

O senador Carlos Portinho (PL-RJ) classificou a permanência de Couto como inconstitucional, argumentando que o presidente da Alerj, Douglas Ruas (PL), eleito em 17 de abril, deveria assumir o executivo estadual por ser o legítimo sucessor na linha hierárquica. "Fere as Constituições estadual e federal", declarou Portinho em discurso no Senado, conforme registrado pela Agência Senado.

Do outro lado, o PSD pediu ao STF que Couto fosse mantido — e venceu. A decisão de Zanin consolidou o magistrado como uma peça central no xadrez político que antecede as eleições de outubro.

Lula dobra a aposta no apoio público

O elogio de Lula a Couto no Rio2C, em 30 de maio, não foi um gesto isolado. Uma semana antes, em 23 de maio, o presidente já havia se encontrado com o governador interino e dito publicamente que ele deveria trabalhar para "prender os ladrões", em referência ao combate à corrupção no estado. O vídeo do encontro, divulgado pela BandNews FM, mostra Lula em tom enfático, tratando Couto como um aliado de primeira hora.

O gesto tem leitura política imediata: ao abraçar Couto, Lula sinaliza ao eleitorado fluminense que o governo interino tem aval do Planalto e, mais importante, pavimenta o caminho de Eduardo Paes (PSD) para a sucessão. Durante o mesmo evento, Lula foi direto ao se dirigir ao ex-prefeito do Rio: "Não é um candidato, que você sabe quem é, que precisa ser eleito governador do Rio. É você." A declaração, registrada por O Globo, foi interpretada como uma referência velada a Douglas Ruas, pré-candidato do bolsonarismo ao governo estadual.

Paes e Cavaliere: o bloco governista se consolida

Ao lado de Lula estavam não apenas Couto, mas também Eduardo Paes e o atual prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere (PSD). Os três formam o núcleo duro da articulação governista para as eleições de outubro. Paes, que já governou a cidade por três mandatos, é o nome do PSD para a disputa ao Palácio Guanabara, com apoio explícito do presidente.

Cavaliere, por sua vez, foi alvo de uma brincadeira carregada de significado político. Vestindo um casaco verde e amarelo com o escudo da seleção brasileira, o prefeito ouviu de Lula: "Você precisa vestir o verde e amarelo e colocar uma identificação de não bolsonarista. É uma coisa que a esquerda vai precisar aprender a fazer. Nessa Copa, vamos ter que andar de verde e amarelo para não deixar que as cores do Brasil sejam tomadas por nenhum fascista."

A fala do presidente, registrada pelo portal O Globo, revela a estratégia do campo governista de disputar símbolos nacionais tradicionalmente associados à direita, em um ano eleitoral e de Copa do Mundo.

A gestão Couto: primeiros passos de um governo jurídico-técnico

Desde que assumiu, Ricardo Couto iniciou um processo gradual de substituição de quadros, mirando primeiro as áreas mais estratégicas de governança. De acordo com reportagem de Felipe Grinberg, em O Globo, as trocas começaram a dar forma a uma nova gestão, com nomes ligados ao meio jurídico e procuradores do Estado ocupando posições-chave.

Pesquisa do Poder360, divulgada em 6 de maio, apontou que o governo interino de Couto era aprovado por 52,9% dos fluminenses. O número, considerado robusto para um governante que chegou ao cargo por determinação judicial e sem passar pelo voto popular, reforça a aposta de Lula e Paes em manter o desembargador como fiador da transição até outubro.

O grupo bolsonarista contra-ataca

Do lado da oposição, a reação foi imediata. Douglas Ruas, deputado estadual do PL e presidente da Alerj, tornou-se o nome do bolsonarismo para suceder Castro. Em entrevista a O Globo, Ruas adotou tom conciliatório: "Diálogo vai resolver a sucessão no Rio. Não tenho qualquer interesse em batalha judicial." Na prática, no entanto, sua base já havia acionado o STF para reverter a permanência de Couto — e perdido.

O deputado, que também é pré-candidato ao governo, tem como trunfo o controle da máquina legislativa e o apoio aberto da família Bolsonaro. Sua cidade-base, beneficiada por recursos turbinados durante a gestão Castro, tornou-se um reduto eleitoral estratégico, conforme apurou a Folha de S.Paulo.

O futuro do Palácio Guanabara

A indefinição sobre a realização de eleição direta para o mandato-tampão mantém o cenário em aberto. Se o STF determinar que haja pleito, Couto pode ser candidato — ou ceder espaço a Paes, dependendo dos acordos de bastidor. Se a Corte decidir que o presidente da Alerj deve assumir, o bolsonarismo recupera o Palácio Guanabara sem precisar passar pelas urnas.

Em qualquer cenário, o abraço de Lula a Couto já produziu efeitos concretos. O governador interino, que chegou ao cargo como solução jurídica emergencial, tornou-se peça central de uma aliança que pode definir os rumos do estado mais emblemático do país nas próximas eleições. A frase de Lula — "ele vai ajudar a consertar o Rio de Janeiro" — pode ter soado como um improviso de palanque, mas carregava o peso de uma estratégia política desenhada nos mínimos detalhes.

 Perfil: Ricardo Couto

Ricardo Couto de Castro, 61 anos, é desembargador e presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ). Natural do Rio de Janeiro, nasceu em 7 de junho de 1964. Formado em Direito, construiu carreira sólida na magistratura fluminense e também atua como professor universitário. Em março de 2026, tornou-se governador interino do estado após a renúncia de Cláudio Castro, em uma sucessão marcada por disputas jurídicas e políticas. Na chefia do Executivo estadual, implementou uma gestão de perfil técnico-jurídico, substituindo quadros estratégicos por nomes ligados ao Direito e ao Ministério Público. Pesquisa Poder360 registrou 52,9% de aprovação popular ao seu governo interino. Com o apoio declarado do presidente Lula e do grupo político de Eduardo Paes, Couto tornou-se peça-chave na articulação para a sucessão estadual de 2026, em meio à polarização entre o campo governista e a oposição bolsonarista.

Fontes: O Globo (30/05/2026), O Dia (30/05/2026), Agência Brasil (24/04/2026), CBN Globo (29/05/2026), Poder360 (06/05/2026), BandNews FM (23/05/2026), Senado Federal (28/04/2026), Folha de S.Paulo (16/05/2026), ConJur (24/04/2026)

#RicardoCouto #Lula #GovernoDoRio #EduardoPaes #SucessãoNoRio #PolíticaFluminense #STF #DouglasRuas #Eleições2026 #PalácioGuanabara

Por Jornal da República em 31/05/2026
Aguarde..