Lula transforma Granja do Torto em bunker político para reuniões secretas

Granja do Torto vira quartel-general de Lula para articulações reservadas

 Lula transforma Granja do Torto em bunker político para reuniões secretas

Granja do Torto se torna refúgio estratégico de Presidente intensifica uso da residência de campo para encontros sigilosos e conversas diplomáticas longe dos holofotes

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem transformado a Granja do Torto em seu principal refúgio para momentos de recuperação e articulações políticas reservadas. Após a cirurgia de catarata realizada na sexta-feira passada, o petista escolheu passar o fim de semana na residência de campo da Presidência, reforçando um padrão que se tornou marca de seu terceiro mandato.

A propriedade, localizada a 13 quilômetros da Praça dos Três Poderes, entre Brasília e Sobradinho, oferece o isolamento necessário para conversas que o presidente prefere manter longe do conhecimento público. O ambiente bucólico de 37 hectares tem servido como cenário para reuniões não registradas na agenda oficial e telefonemas diplomáticos com chefes de Estado estrangeiros.

Encontros sigilosos ganham destaque

Um dos episódios mais emblemáticos dessa nova dinâmica foi a reunião entre Lula e o ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli, ocorrida em dezembro de 2025. O encontro, que tratou das investigações relacionadas ao Banco Master, só veio a público na semana passada através de reportagem do jornal O Globo, demonstrando a eficácia da estratégia de discrição adotada pelo presidente.

A escolha pela Granja do Torto não é novidade na trajetória política de Lula. Durante seus dois primeiros mandatos, entre 2003 e 2010, o local era frequentemente utilizado para churrascos, partidas de futebol e as tradicionais festas juninas, sempre com extensa lista de convidados que incluía políticos, empresários e amigos próximos.

Mudanças na dinâmica presidencial

No atual mandato, a utilização da residência ganhou contornos diferentes. As grandes reuniões sociais diminuíram drasticamente, mudança que pessoas próximas ao presidente atribuem à influência da primeira-dama Janja da Silva, que passou a exercer maior controle sobre a agenda extra-trabalho do presidente.

Em 2023, as instalações passaram por reforma completa após Lula manifestar descontentamento com o estado de abandono da propriedade. A crítica era considerada indireta ao governo anterior de Jair Bolsonaro. Janja chegou a reclamar publicamente do descuido com os animais que vivem no local, incluindo emas e jabutis.

Estratégia diplomática e política

Após a revitalização, Lula intensificou o uso da Granja do Torto para atividades oficiais. O local tem servido para reuniões ministeriais e audiências com integrantes da equipe presidencial. Além disso, vários telefonemas diplomáticos com líderes estrangeiros têm sido realizados a partir da residência de campo.

Na última quinta-feira, após a cirurgia de catarata, o presidente recebeu no Torto os ministros Rui Costa (Casa Civil), Sidônio Palmeira (Secom) e Wellington Lima e Silva (Justiça e Segurança Pública). Os encontros ocorreram fora da agenda oficial, sem divulgação dos assuntos tratados.

Tradição presidencial histórica

A utilização da Granja do Torto por presidentes da República remonta aos primeiros anos de Brasília. Jânio Quadros, sucessor de Juscelino Kubitschek, preferiu a casa de campo ao Palácio da Alvorada como residência oficial. João Figueiredo, último presidente da ditadura militar, também escolheu viver no local devido ao isolamento e às facilidades para a prática de equitação.

Dilma Rousseff seguiu tradição similar, passando algumas semanas na propriedade antes de assumir a Presidência em janeiro de 2011, assim como Lula havia feito durante a transição de 2002, por sugestão de Fernando Henrique Cardoso.

Recuperação e articulação política

A escolha de Lula por se recuperar da cirurgia de catarata na Granja do Torto reforça a importância estratégica que o local assumiu em seu governo. O ambiente reservado permite ao presidente conciliar o necessário repouso médico com a continuidade das articulações políticas, mantendo o controle sobre questões sensíveis longe da exposição midiática.

A tendência indica que a residência de campo continuará sendo utilizada como espaço privilegiado para reuniões de alto nível e conversas diplomáticas, consolidando-se como importante ferramenta de governança no terceiro mandato de Lula.
 

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Por Jornal da República em 01/02/2026
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