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Marinha do Brasil aborda homem que construiu um jet ski de madeira
Um jet ski de madeira, construído artesanalmente na Amazônia, virou sensação nas redes e acabou chamando a atenção da Marinha do Brasil. O projeto, conhecido como “CriJet”, agora entra em uma nova fase: menos testes na água e mais regularização, segurança e acabamento.
A história mistura a criatividade ribeirinha, já conhecida dos brasileiros, carpintaria naval, improviso técnico e fiscalização marítima. Também mostra como uma invenção feita em estaleiro amazônico pode ganhar repercussão nacional e abrir debate sobre inovação popular, navegação segura e regras para embarcações artesanais.
O jet ski de madeira que saiu do estaleiro e ganhou o país
O responsável pelo projeto é Cristiano Gonçalves, carpinteiro naval de Abaetetuba, no nordeste do Pará. O profissional ficou conhecido nas redes após apresentar uma moto aquática artesanal feita de madeira, construída para navegar pelos rios e igarapés da região.
A embarcação chamou atenção pelo acabamento e pela ousadia da proposta. Em vez de uma moto aquática convencional, feita dentro dos padrões industriais, o CriJet nasceu em ambiente de estaleiro, com conhecimento prático típico de comunidades que vivem da navegação, da madeira e da adaptação constante ao cenário amazônico.
Segundo informações divulgadas sobre o projeto, a embarcação tem cerca de 4,5 metros de comprimento e recebeu um motor Kawashima de 38 HP. O modelo também conta com sistema de resfriamento, ponto importante em uma estrutura motorizada com compartimento fechado e pode, assim como motos aquaticas normais, levar um passageiro.
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Jet ski de madeira com piloto e passageiro – imagem aprimorada por IA com base em vídeo que circula no perfil @p.cristianogoncalves
Para o público acostumado a ver a Amazônia apenas pelo ângulo ambiental ou geopolítico, o caso revela outro lado: a capacidade técnica local. Nos rios, onde embarcações são parte da vida diária, inovação muitas vezes nasce longe de laboratórios, universidades ou grandes empresas.
A visita da Marinha após a repercussão nacional
Depois que o vídeo se espalhou nas redes, Cristiano informou que recebeu representantes da Marinha do Brasil em seu estaleiro. A visita, segundo o próprio criador, teve caráter de orientação, fiscalização e esclarecimento de acordo com as Normas de Autoridade Marítima que tem que ser cumpridas por todos que navegam.
No vídeo, ele relata que a chegada da equipe foi inesperada, mas tratada de forma positiva. O artesão afirma que o projeto era um sonho que conseguiu tirar do papel e que a repercussão fez o país inteiro conhecer a criação.
“eu vim para fazer um esclarecimento aqui, que teve uma visita inesperada aqui no meu estaleiro, que foi o pessoal da Marinha, pra devidos esclarecimentos e regularização. Existem normas e regulamentações de segurança.“, disse.
A presença da Marinha não foi apresentada por ele como punição. Pelo contrário: Cristiano agradeceu o profissionalismo e as orientações recebidas, destacando que as informações servirão para adequar a moto aquática artesanal às exigências da legislação brasileira.
Esse ponto é essencial. Quando uma embarcação deixa de ser apenas uma peça de demonstração e passa a navegar com motor em rios, entram em cena regras de segurança, documentação e responsabilidade. No Brasil, esse controle faz parte das atribuições ligadas à Autoridade Marítima.
A história ainda deve render novos capítulos. Se a regularização avançar, o projeto poderá voltar à água com mais segurança e mais atenção pública. Se surgirem exigências técnicas complexas, o caso também poderá mostrar as dificuldades enfrentadas por inventores artesanais diante da burocracia e das normas náuticas.
Por enquanto, o jet ski de madeira já cumpriu um papel raro: fez o país olhar para um estaleiro amazônico, colocou a criatividade ribeirinha no centro da conversa e levou a Marinha a orientar de perto um projeto que nasceu da habilidade de um carpinteiro naval.
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