Marvio Ciribelli transforma aniversário da irmã em tributo a Sérgio Mendes no Espaço Gafieira

Pianista recebe Mylena Ciribelli no palco em Icaraí, nesta sexta-feira, e revisita a obra do conterrâneo que levou 'Mas que Nada' ao topo das paradas americanas

Marvio Ciribelli transforma aniversário da irmã em tributo a Sérgio Mendes no Espaço Gafieira

O pianista e compositor Marvio Ciribelli sobe ao palco do Espaço Gafieira, em Icaraí, Niterói, nesta sexta-feira (6), às 21h, para uma noite que junta duas celebrações.

A primeira é o aniversário da irmã, a jornalista Mylena Ciribelli, que vai cantar com ele. A segunda é o tributo a um conterrâneo: Sérgio Mendes, o músico que fez o mundo cantar em português.

O show marca também a ocupação de uma casa nova. O Espaço Gafieira, na Rua Gavião Peixoto, 142, é um endereço recém-aberto para a música na zona sul de Niterói, cidade que viu nascerem os dois irmãos e o homenageado.

O conterrâneo que virou embaixador

Sérgio Mendes morreu em 5 de setembro de 2024, aos 83 anos, em Los Angeles, onde vivia desde os anos 1960. A causa foi o agravamento das sequelas de covid longa. Ele deixou mais de 35 álbuns, três prêmios Grammy e uma indicação ao Oscar em 2012 pela canção "Real in Rio", do filme de animação "Rio".

A história que interessa ao show começa em 1966. Naquele ano, o álbum de estreia do Brasil '66, produzido por Herb Alpert, colocou "Mas Que Nada" — composição de Jorge Ben Jor — entre as cinco mais tocadas da Billboard americana. Foi a primeira canção integralmente em português a alcançar essa posição nos Estados Unidos.

Marco Dado
Álbuns mais de 35 em seis décadas
Grammys 3 — incluindo "Brasileiro" (1992)
Oscar indicado em 2012 por "Real in Rio"
Hall da Fama do Grammy álbum de estreia do Brasil '66, em 2012
Morte 5 de setembro de 2024, aos 83 anos

Há um detalhe simbólico nesse Hall da Fama. Até 2012, apenas dois brasileiros haviam entrado na lista: Sérgio Mendes e João Gilberto. Os dois nomes que definiram o que o mundo entende por música brasileira.

O repertório que atravessa gerações

O programa da noite foi montado sobre quatro compositores centrais da obra de Mendes. "Mas que nada", de Jorge Ben Jor, abre o caminho. Depois vêm "Samba de uma nota só", de Tom Jobim e Newton Mendonça, e "A Rã", de João Donato — peças que mostram a bossa nova em sua faceta mais inventiva.

O encerramento fica com "Magalenha", de Carlinhos Brown, faixa do álbum "Brasileiro" que rendeu a Mendes o Grammy de 1992 e aproximou o músico do universo percussivo baiano.

A esses títulos se somam duas composições próprias de Marvio: "Corta Jaca", de Chiquinha Gonzaga, e "Mantra", de sua autoria.

A lista revela uma curadoria de pianista. Chiquinha Gonzaga é a fundadora do choro enquanto linguagem de piano popular brasileiro, e colocá-la ao lado de Jobim e João Donato é uma afirmação: a linha que liga o choro do século XIX ao samba-jazz passa por dentro do repertório de Mendes.

A trajetória de Marvio

Niteroiense, Marvio Ciribelli estudou piano com dois nomes decisivos da bossa nova: Luiz Eça, do Tamba Trio, e Antonio Adolfo, do Trio 3D. A formação clássica explica o caminho que ele seguiu depois.

O pianista passou pelo Adelaide Fringe, na Austrália, pelo Java Jazz Festival, na Indonésia, pelo Jazz Plaza, em Cuba, e pelo Montreux Jazz Festival, na Suíça — onde gravou três CDs ao vivo, feito raro para um artista brasileiro de jazz.

Seu currículo inclui gravações com o vocalista inglês John Lawton, do Uriah Heep, com o cantor americano Freddy Cole — irmão de Nat King Cole — e um disco com o grupo holandês Focus. O álbum "Vogue Samba Jazz" reuniu nomes como Marcio Bahia, Arthur Maia, Marcelo Martins, Ricardo Silveira e Tom Bergeron.

Acaba de voltar do Free Jazz e mantém presença constante no circuito nacional de festivais: Rio de Janeiro, Paraty, Rio das Ostras, Serra da Mantiqueira, Visconde de Mauá e Niterói, entre outros.

Em 2025, participou das celebrações dos 50 anos da bossa nova em Lyon, na França, diante de 25 mil pessoas.

Mylena, da rádio "Maldita" à bancada do esporte

A aniversariante tem uma trajetória que começa antes da televisão. Mylena Ciribelli integrou o primeiro — e mais famoso — time de locutoras da Fluminense FM, a "Maldita", de Niterói, rádio que lançou as bandas do rock brasileiro dos anos 1980 e abriu espaço para mulheres no microfone. Ficou lá de 1983 a 1987.

Depois vieram a Rádio Cidade e a TV Manchete, onde apresentou o "Som Maior" e entrevistou nomes como The Cure e Tony Bennett. Em 1988, migrou para o esporte, cobrindo boletins olímpicos e Fórmula 1.

Na TV Globo, foram 18 anos. Ela apresentou o Esporte Espetacular e o Globo Esporte, além de participar do Fantástico, do Jornal Hoje e do Bom Dia Brasil.

No período, cobriu 11 Olimpíadas e 8 Copas do Mundo. Em 2009, foi para a Record, onde comandou o Esporte Fantástico.

O reencontro dos dois no palco tem, portanto, um peso duplo. É a irmã mais velha que abriu caminho na comunicação e o irmão que escolheu a música instrumental — duas trajetórias que saíram de Niterói para o mundo e que raramente dividem o mesmo microfone.

As participações especiais

O show terá três convidados. O cantor Rodrigo Camarah assume as vozes que exigem outro registro. O baixista Cadu Pontes e o baterista Lucca Machado formam a base rítmica, seção que sustenta a leitura de samba-jazz proposta pelo repertório.

Serviço

Item Informação
Show Marvio Ciribelli recebe Mylena Ciribelli — tributo a Sérgio Mendes
Data 6 de novembro de 2026, sexta-feira
Horário 21h (abertura da casa às 19h, com música ambiente)
Local Espaço Gafieira — Rua Gavião Peixoto, 142, sobrado, Icaraí, Niterói
Ingressos R$ 40 (1º lote, até 01/11), R$ 50 (2º lote) e R$ 60 (no dia)

Bio de Marvio Ciribelli

Marvio Ciribelli é pianista, compositor e arranjador nascido em Niterói, um dos nomes que mantêm viva a linhagem do samba-jazz e da bossa nova no Brasil.

Estudou piano com Luiz Eça, do Tamba Trio, e Antonio Adolfo, do Trio 3D — duas referências absolutas da modernidade harmônica brasileira, formação que sustenta a identidade de sua obra: um pianismo de base clássica aplicado ao suingue da música popular.

Sua carreira ganhou projeção internacional com apresentações no Adelaide Fringe, na Austrália, no Java Jazz Festival, na Indonésia, no Jazz Plaza, em Cuba, e no Montreux Jazz Festival, na Suíça, onde gravou três CDs ao vivo — feito raro entre instrumentistas brasileiros.

Gravou com o vocalista inglês John Lawton, do Uriah Heep, com o cantor americano Freddy Cole, irmão de Nat King Cole, e com o grupo holandês Focus, trânsito que revela um músico igualmente confortável no jazz, no rock progressivo e na canção.

Seu álbum "Vogue Samba Jazz" reuniu alguns dos principais instrumentistas do país, como Arthur Maia, Marcio Bahia, Marcelo Martins e Ricardo Silveira.

No circuito nacional de festivais, é presença recorrente em Paraty, Rio das Ostras, Serra da Mantiqueira, Visconde de Mauá e Niterói, e participou das comemorações dos 50 anos da bossa nova em Lyon, diante de um público de 25 mil pessoas.

Em 2026, apresentou-se no Free Jazz e preparou um show em tributo a Sérgio Mendes no Espaço Gafieira, em Icaraí, ao lado da irmã, a jornalista Mylena Ciribelli encontro que une as duas vocações de uma mesma família de Niterói: a música instrumental levada ao mundo e a comunicação esportiva que atravessou quatro décadas de televisão brasileira.

Bio de Mylena Ciribelli

Mylena Ciribelli é jornalista e apresentadora, formada pela Universidade Federal Fluminense, e uma das primeiras mulheres a se consolidar como voz do esporte na televisão brasileira.

Começou em 1983 na Fluminense FM, a "Maldita", de Niterói, rádio que revolucionou a programação musical do país ao lançar as bandas do rock nacional e abrir espaço para locutoras mulheres.

Passou pela Rádio Cidade e, em 1985, chegou à TV Manchete, onde apresentou o "Som Maior" e entrevistou artistas como The Cure e Tony Bennett.

Em 1988, migrou para o esporte e, em 1991, entrou na TV Globo, onde permaneceu 18 anos à frente do Esporte Espetacular e do Globo Esporte, com participações no Fantástico, no Jornal Hoje e no Bom Dia Brasil. No período, cobriu 11 Olimpíadas e 8 Copas do Mundo, credencial que poucos profissionais do jornalismo esportivo nacional acumulam.

Em 2009, transferiu-se para a Record, onde comandou o Esporte Fantástico, e hoje atua na Rede Massa, com boletins sobre a Copa do Mundo de 2026.

Em novembro de 2026, volta ao palco para cantar com o irmão, Marvio Ciribelli, em um show que celebra seu aniversário e a obra de Sérgio Mendes — retorno às origens de uma trajetória que nasceu no microfone de uma rádio de Niterói e terminou em bancadas vistas por milhões de brasileiros.

 

Por Jornal da República em 02/11/2026
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