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A vice-cônsul do Japão no Rio de Janeiro, Etsuko Sato, visitou o Carioca Matsuri 2026 neste domingo (1º), no Riocentro, na Barra Olímpica, acompanhada do assessor e tradutor Rafael Rufino. A primeira reação, dita em japonês e traduzida na sequência, resumiu o espanto: surpreendente e fascinante.
"Depois de seis anos, porque a gente teve o último evento dessa proporção há seis anos, e agora esse evento tão grande relacionado à cultura japonesa está acontecendo. É realmente muito impactante para ela, muito maravilhoso", traduziu Rufino.
O peso de um festival desse porte
Questionada sobre a importância de um evento que divulga gastronomia e cultura japonesa em uma cidade com tantos admiradores, a vice-cônsul respondeu com a cronologia da relação bilateral.
"O Rio já foi a antiga capital do Brasil, é um local muito importante. E aqui a gente tem uma relação de amizade de 130 anos com o Japão", afirmou, por meio do tradutor.
A data é precisa. As relações diplomáticas entre os dois países foram estabelecidas em 1895, com o Tratado de Amizade, Comércio e Navegação — o que fez de 2025 o ano dos 130 anos dessa aproximação formal.
"Evento grande como esse é muito importante para difundir, para que as pessoas consigam entender cada vez mais o quão maravilhosa a cultura japonesa é."
A correção que vale registro
No curso da entrevista, a própria vice-cônsul ajustou uma informação que circula com frequência. O aniversário da imigração japonesa não é em 2027, mas em 2028.
"Os 120 anos de imigração — só para fazer uma correção — vai ser não no ano que vem, mas em 2028, quando faz 120 anos que os primeiros japoneses chegaram ao Brasil. Logo, logo, uma data muito importante a celebrar, que conecta Brasil e Japão."
A conta confere. O navio Kasato Maru partiu do porto de Kobe em 28 de abril de 1908 e atracou no cais de Santos em 18 de junho de 1908, após 52 dias de travessia, trazendo 781 imigrantes contratados e 12 espontâneos para as lavouras de café do interior paulista. Somando 120 anos, chega-se a 2028.
O número que sustenta a celebração
O Brasil abriga hoje a maior comunidade nikkei do mundo fora do Japão. Segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Japão, são cerca de 2,7 milhões de descendentes de japoneses no país, sendo aproximadamente 1,3 milhão apenas no estado de São Paulo. No sentido inverso, cerca de 210 mil brasileiros vivem no Japão.
| Marco | Dado |
|---|---|
| Relações diplomáticas | 1895 (Tratado de Amizade, Comércio e Navegação) |
| Chegada do Kasato Maru | 18 de junho de 1908 — 781 imigrantes |
| Último navio de imigração | Nippon Maru, 1973 |
| Total de japoneses imigrados | mais de 260 mil em seis décadas |
| Descendentes no Brasil | cerca de 2,7 milhões |
| Brasileiros no Japão | cerca de 210 mil |
| 120 anos da imigração | 18 de junho de 2028 |
O futebol como ponte
A conversa mudou de tom quando o assunto foi futebol. A vice-cônsul vestia a camisa da seleção japonesa durante a visita, e o tradutor explicou a relação que o Brasil construiu com o esporte no Japão.
"Depois que o Zico foi para lá e virou treinador, o Japão ficou mais forte no futebol, e aumentou o interesse pelo esporte. Aqui a gente já considera o Zico uma figura muito importante, e lá no Japão ele é considerado um deus."
O relato encontra respaldo na trajetória oficial. Zico chegou ao Japão em 1991, aos 38 anos, para jogar no time da Sumitomo Metal Industries — que em 1993 renasceu como Kashima Antlers, na criação da J.League.
No jogo inaugural do campeonato, marcou um hat-trick. Em 2002, assumiu o comando da seleção japonesa, levou o time ao título da Copa da Ásia de 2004 e à classificação para a Copa do Mundo de 2006, na Alemanha. Em 2016, foi incluído no Hall da Fama do Futebol Japonês.
A vice-cônsul também mencionou a Copa do Mundo Feminina, que o Japão disputará no ano que vem, como nova vitrine para o país.
A missão de difundir informação correta
No encerramento, perguntada sobre o que diria a quem quer conhecer a cultura japonesa, a resposta veio em japonês e foi traduzida com precisão.
"Ela disse que é difícil, que as pessoas aqui costumam entrar em contato com a cultura japonesa, mas que o consulado tem o papel de difundir corretamente as informações sobre a cultura japonesa.
Então, sigam as nossas redes sociais e procurem as informações que a gente divulga, que vocês vão ter contato com o melhor da cultura japonesa."
O recado tem razão de ser. Com o avanço da cultura pop japonesa no Brasil, circula muita informação imprecisa sobre tradições, etiqueta e história do país — e o consulado passou a usar as próprias redes para corrigir esse desvio, com conteúdos explicativos sobre elementos como o netsuke, as peças em miniatura do artesanato tradicional japonês.
A agenda do consulado no Rio
A atuação de Etsuko Sato no estado fluminense vai além das recepções em festivais.
Em outubro de 2026, ela acompanhou o Festival Cultural do Colégio Estadual José Maria de Brito Intercultural Brasil-Japão, em Itaguaí, com apresentações de Yosakoi Soran e Bon Odori.
Em agosto, esteve na sede da Confederação Brasileira de Judô, ao lado do cônsul-geral Takashi Manabe, para reforçar os laços históricos entre os dois países por meio do esporte.
Em outubro de 2025, visitou o Museu de Rochas e Minerais da UFRRJ e apresentou os programas de bolsas de estudo do governo japonês. Também fez visitas institucionais a centros de formação de caratê e kobudô de Okinawa.
O festival em números
O Carioca Matsuri ocupa o Pavilhão 02 do Riocentro até esta segunda-feira (2), das 11h às 22h, com mais de 80 horas de programação em mais de 11 mil m².
A expectativa é de 35 mil visitantes, impacto econômico estimado em R$ 30 milhões e geração de mais de 300 empregos diretos e indiretos.
A realização é da Tasa Eventos, de Sérgio Takao Sato, em parceria com a agência SIGA. Entre as atrações estão o chef André Kawai, com uma estrela Michelin, o grupo Wadan Taiko Ensemble, os dubladores Guilherme Briggs, Wendel Bezerra e Feh Dantas, e o concurso Mega Cosplay, com R$ 15 mil em premiação.
Bio de Etsuko Sato
Etsuko Sato é vice-cônsul do Japão no Rio de Janeiro, posto em que atua no fortalecimento das relações bilaterais, culturais e institucionais entre o Japão e o Brasil, com presença constante no estado fluminense.
Seu trabalho se dá em conjunto com o Consulado-Geral do Japão no Rio, sob o cônsul-geral Takashi Manabe, e combina agendas públicas, visitas oficiais e difusão cultural em um território onde a comunidade nikkei tem peso histórico — o Rio foi capital do Brasil e mantém laços com o Japão desde o Tratado de Amizade, Comércio e Navegação de 1895.
Em 2026, sua atuação ganhou visibilidade em frentes distintas: acompanhou o Festival Cultural Intercultural Brasil-Japão em Itaguaí, com apresentações de Yosakoi Soran e Bon Odori; esteve na sede da Confederação Brasileira de Judô ao lado do cônsul-geral para reforçar os vínculos esportivos; e realizou visitas institucionais a centros de formação de caratê e kobudô de Okinawa, destacando o papel das artes marciais na formação humana.
Também tem histórico de aproximação com o meio acadêmico: em 2025, visitou o Museu de Rochas e Minerais da UFRRJ e apresentou os programas de bolsas de estudo do governo japonês a estudantes brasileiros.
Uma de suas marcas é o uso das redes sociais do consulado para explicar, com precisão, elementos da cultura japonesa que circulam de forma distorcida no Brasil — de peças como o netsuke a datas históricas que costumam ser confundidas.
Foi essa mesma disposição para corrigir com delicadeza que a levou, durante a visita ao Carioca Matsuri, a ajustar publicamente o marco dos 120 anos da imigração japonesa, que serão celebrados em 18 de junho de 2028.
Sua presença no Riocentro, de camisa da seleção japonesa, resumiu o que ela mesma define como a razão do cargo: fazer com que o público brasileiro tenha contato com o melhor da cultura japonesa, a partir de informação correta. Instagram: @japao_no_rio.

Por Robson Talber @robsontalber
Repórter Renata Barbosa @beleza.naotemidade
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