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A crise entre Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro (RJ) ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira 2, com a sinalização de que a ex-primeira-dama tende a abrir mão da candidatura ao Senado pelo Distrito Federal. A avaliação passou a ser feita pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto, que afirmou que Michelle lhe disse não acreditar mais na disputa eleitoral.
Segundo Valdemar, Michelle demonstrou estar decidida a não concorrer e o partido já começou a discutir nomes para substituí-la na chapa do DF. O dirigente afirmou, porém, que ainda tentará convencê-la a participar da campanha presidencial de Flávio, por considerá-la um dos principais ativos eleitorais da legenda.
A possível desistência ocorre dois dias depois de Michelle anunciar sua saída da presidência do PL Mulher. Em seguida, Valdemar decidiu extinguir o comando nacional do segmento feminino da sigla, sob o argumento de que “não há ninguém com o tamanho de Michelle”. A estrutura criada pela ex-primeira-dama, no entanto, será mantida por meio dos diretórios estaduais organizados durante sua gestão.
O desgaste interno começou após Michelle tornar pública a insatisfação com Flávio Bolsonaro. Em um vídeo divulgado na semana passada, ela afirmou ter sido “maltratada”, “desrespeitada” e “humilhada” pelo enteado durante divergências sobre a estratégia eleitoral do partido no Ceará. Desde então, aliados relatam dificuldades para reaproximar os dois, e a ex-primeira-dama passou a reduzir sua participação nas articulações da pré-campanha presidencial.
Na tentativa de conter os danos, Flávio reuniu, na quarta-feira 1º, lideranças conservadoras em um café da manhã voltado ao eleitorado feminino, em Brasília. O encontro foi planejado para reforçar a interlocução da pré-campanha com as mulheres, segmento considerado decisivo para a disputa presidencial, mas acabou marcado pela ausência de Michelle e de outras expoentes do campo bolsonarista, como as senadoras Damares Alves (Republicanos-DF), Tereza Cristina (PP-MS) e Margareth Buzetti (PP-MT).
Na reunião, o senador também procurou se desvincular das declarações do influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo, para quem “mulher vota muito mal”. Flávio classificou a afirmação como “completamente equivocada” e disse que se sentiu pessoalmente ofendido pela generalização feita pelo aliado.
Ao abordar o desempenho da direita entre o eleitorado feminino, o senador atribuiu a dificuldade à própria campanha. Segundo ele, se as pesquisas mostram resistência das mulheres, “a culpa é da minha falta de competência” e da incapacidade da direita de se comunicar melhor com esse segmento.
Nos bastidores, integrantes do PL avaliam que a possível saída de Michelle da disputa pelo Senado aprofunda uma crise que extrapola a relação familiar e atinge a estratégia eleitoral da legenda. Além de perder a principal liderança feminina do partido, Flávio corre o risco de ficar sem o apoio daquela que dirigentes consideram a figura mais influente do bolsonarismo entre mulheres e evangélicos, justamente os grupos que a campanha tenta conquistar para reduzir sua rejeição.
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